Re: Que pena, meu querido amigo não morreu

Escrito por adv on 10 de dezembro de 2006 – 8:26 -



Ahhh, mas que coisa hein, isso me parece ironicamente sem graça. Seria isso uma exaltação ao otimismo de Leibniz, celebrando o maldito princípio de sua monadologia causal?
Até ontem de carro em festinha ridícula, sim “aquela” mesma, a procura de encrenca, e agora eu aqui, passando a madrugada a dois pés, a procura de alguma pessoa maluca que me acompanhe em meus pensamentos, sim, os estranhos ultimamente são os que mais se aproximam de meus devaneios a pensamentos avançados ou retrógrados demais.

Eu até que gostaria que papai do céu existisse, afinal preciso descarregar minha raiva sem correr o risco de ficar atrás das grades, não estou afim de visitar novamente o Tribunal, nem como mocinho e muito menos como réu. Onde estaria aquela figura barbuda, de nobreza consignada e escala inimaginável. Provavelmente rindo de mim, pelo menos na farta pobreza de zé povinho.

Meses atrás eu estava cheio de sonhos e perspectivas, sentia pela primeira vez a maleva se desfalecendo, dando lugar a uma incompreensível afeição prazerosa, imaginando como a vida é bela na seguridade da ilusão, e agora sou assombrado por altas doses de depressão. Como diria Dexter, “trouxe alguns amigos que não tive prazer em rever, veio o ódio a tristeza, a impaciência e também a descrença, troquei até uma idéia pra disbaratinar, mas não via a hora de poder me jogar, meu coração entristeceu, sofreu, chorou”. – Ahhh, mas que afronta a beldade vital, eu quero a minha vida de volta, sim, eu a quero de volta e estou decidido a ir buscá-la.

Irei sozinho procurá-la e recuso a companhia de Pangloss. Sempre aderi a idéia de que o otimismo convém da ingenuidade. Eu não sei qual o lucro desses dípodes que progridem sempre em regressão. Todos nós provavelmente já brincamos de bolhas de sabão quando criança, ficávamos a observar a refração da luz dando cores vivas aquela coisa mágica que flutuava sem rumo, na esperança que ela pudesse alcançar o máximo possível do horizonte. Quem nunca pensou em fazer bolhas que nunca estourassem, embora todos nós sabíamos que a qualquer momento iriam estourar. Eis a nossa função.

Meu divertimento era estourá-las antes que pudessem flutuar para longe do meu alcance, você pode até achar uma brincadeira sem graça, mas era uma das minhas alegrias prediletas. Você pode até achar um niilista sem graça, mas é uma das minhas alegrias prediletas.

Postado em Filosofando | 2 Comments »

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2 Responses to “Re: Que pena, meu querido amigo não morreu”

  1. 2
    bruh Says:

    ;-) bjos

  2. 1
    Déia Says:

    que bom tava sentindo falta das suas críticas, recupere-se logo querido, bjs

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