Em defesa do Monzão – parte 1

Escrito por adv on 15 de fevereiro de 2007 – 17:27 -



Algum tempo atrás uma inescrupulosa ultrapassou o semáforo vermelho e cacetou meu Monzão de estimação. Pessoas ultrapassam semáforos vermelhos em ruas pouco movimentadas ou em horários insólitos, e ainda com atenção, mas ultrapassar um semáforo vermelho no centro da cidade, em horário de pico e em velocidade considerável, é burrice total.

Com o boletim de ocorrência favorável é muito simples ser reparado dos danos, o réu fica condenado a pagar logo em oitiva de conciliação na maioria dos casos. No entanto esse foi um caso peculiar. A burra pagou, ou melhor, o burro, esposo da burra. No entanto, o reparo foi um lixo, “meia-boca”, “gambiarras”. Houve uma série de intercorrências e acabei perdendo o contato com o filho da puta que não sei porque diabos ficou com medo de comparecer pessoalmente depois que discutimos sobre os gastos que eu estava tendo com táxi, que eu iria querer receber passivamente ou por meio da Justiça, claro.

Por se tratar de uma causa que não ultrapassa 5 salários mínimos, acredito que não é viável solicitar os serviços de um advogado, ora, adoro aventuras. Passei algumas noites revirando o Códido Civil, degustando dicionários jurídicos, pesquisando jurisprudência e lendo petições que envolvem reparações de danos de veículos. Brinquei de Sherlock Holmes e juntei provas até demais (fotografias, laudos, notas…), em um texto que tentei dar um “toque de inocência” (bem longo, 9 páginas), embora não pareça porque contém formatação jurídica, termos em latim e jurídicos. Resultado: gostei da atividade, terminando meu curso de dramaturgia, ops, Psicologia, pensarei em realizar Direito, quero realizar maremotos em copo d´agua, isso é ótimo, descobri que é um excelente psicotrópico ao meu cérebro.

“(…) liguei e insisti com o Sr. xxxxxx, exaltado e impaciente respondeu: “EU NÃO VOU, NÃO VOU JÁ DISSE, PARA DE ME LIGAR QUE VOCÊ JÁ ME ENCHEU O SACO DEMAIS” (SIC). – Ao dizer isso, entendo que o Sr. xxxxxx e o funileiro responsável, só podiam estar de alguma forma, em conluio agindo contra meus direitos de ver restabelecido in totum o status quo ante de meu único e estimado bem, ou seja, meu veículo, que até aquele fatídico dia se encontrava em perfeitas condições de uso. (…)”

Excelência, entendeu bem? – É meu único e estimado bem, e não está no meu nome porque já tem gente querendo tomar ;-)

Acredito que não vai ser muito difícil ter um resultado positivo, pelas provas dispostas na peça, mas do contrário, estou disposto a recorrer em última instância, descer as escadarias do inferno e puxar o chifre do capeta. Além de reaver meus prejuízos, gostaria de ter licença para dar umas porradas legalizadas nesse filho da puta, que acabou com minhas férias e muitos dos meus neurônios.

Ainda volto com novos desarrolares sobre isso, é rapidinho, afinal a Justiça nesse país demora só alguns meses, ou alguns anos :-)

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