Professor, eu gosto da instrução e não dou a mínima para suas informações

Escrito por adv on 25 de fevereiro de 2007 – 18:34 -




Quem vê as inúmeras e variadas instituições destinadas ao ensino e ao aprendizado, além da grande multidão de alunos e mestres, poderá acreditar que para o gênero humano a compreensão e a verdade são de extrema relevância. Todavia também nesse caso as aparências enganam. Os mestres ensinam para ganhar dinheiro e não visam à sabedoria, mas aparecer e receber o crédito de seus semelhantes; e os alunos não estudam para adquirir conhecimento e compreensão, mas para poderem falar e atribuir-se prestígio.

Schopenhauer

Irão começar as aulas. Irei surtar, irritar, xingar, brigar, explodir… enlouquecer. Os acadêmicos me enojam. A vida que vivo é como a de Caeiro, “sempre que olho para as coisas e penso no que os homens pensam delas, / Rio como um regato que soa fresco numa pedra.” O discurso de ordem e progresso é uma desordem ao meu pensamento. Pessoas pensando em sucesso profissional, perguntando o que você pretende seguir, se interessando por formalismo, discutindo regras de teorias e métodos, digerindo por fim, tudo que o professor fala. Da maneira suína, dita pelo profeta de Nit.

Os acadêmicos, alunos e professores, são acostumados a realizar pesquisas e mais pesquisas centralizadas em um grupinho diferente do Zé e da Maria. São desconhecedores profundos da vida simples como ela é. As rixas e as discussões filosóficas entre os doutores muito bem remunerados pelo Estado, e a maioria de seus fiéis alunos, não interessam ao Zé e a Maria.

O Zé e a Maria quando procuram ajuda de um doutor, não estão preocupados em saber quem detêm o maior repertório ético, moral, filosófico, científico. Querem mesmo é a praticidade capaz de resolver os seus problemas. O Zé e a Maria querem o que faz sentido na vida deles.

Schopenhauer, um gênio por prazer e não por dinheiro, sábio que não mofou nos cânones acadêmicos, nos diz que a lei da simplicidade e da ingenuidade, já que essas qualidades combinam com o que há de mais sublime, vale para todas as belas artes. Mas os acadêmicos deveriam estar ocupados demais em pesquisar sobre o benefício do relaxamento para um grupo de jovens proeminentes em testes de QI aplicados em uma perspectiva fenomenológica. Não aprenderam.

Senhores, se um cartesiano andar por 10 minutos na periferia de São Paulo, saberá perfeitamente a diferença entre o seu “eu” e o seu “não-eu”.

Há um pântano lodoso imenso que separa as produções acadêmicas da vida real, do Zé e da Maria. Os métodos de cartilha para serem seguidos, toda a regra oficial e burocrática, ostentada em valores éticos e morais inventados pela aristocracia, não tem feito nada por esse país, a não ser atrasá-lo. Nossa sociedade desconhece e não tem dinheiro para usufruir dos novos benefícios que os acadêmicos descobriram, não sabem como cobrar nossos governantes e são massacrados por informação todos os dias, em detrimento da instrução.

Schopenhauer indagava se os homens conhecedores de todos os fatos, de todas as pedras, ou plantas, ou batalhas, ou experimentos, ou de todos os livros, tinham falta de pensamentos próprios e então era preciso um afluxo contínuo de pensamentos alheios. Ninguém melhor que os doutores universitários para responderem, afinal, seguem a risca cada instrução, cada regra e cada conceito.

Das dezenas dos professores que já me deram aula em meu curso, apenas um, solitário doutor, jogou fora todas as regras e deixou que os alunos colocassem no papel os próprios pensamentos. No entanto, estava lidando com alunos “inteligentes” estúpidos, daqueles que anseiam por números altos em boletins, coitado desse doutor, fora considerado um herege.

A diferença do Zé e da Maria para a maioria dos doutores desse país, é que eles embora com todas dificuldades que a vida lhes impõe, vivem a vida simples. Sentem o vento sem saber de onde ele vem, apreciam os riachos e as árvores sem saberem como são formados e admiram o céu e as estrelas sem conhecerem o Universo, já os doutores, estão condenados a ver a morte não ter cura, mesmo com toda representação que um dia acreditaram serem respostas ao Universo.

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2 Comentários em “Professor, eu gosto da instrução e não dou a mínima para suas informações”

  1. Luciana Diz:

    não é muito difícil conseguir ($$$$$) um título de doutorado hj em dia, mas enquanto na europa cientista tem que se especializar anos e anos, no Brasil basta saber ler, escrever e resolver problemas básicos para começarem a se achar!

  2. Borges Diz:

    os professores não gostam dos aprendizados do cotidiano, eles não sabem andar por conta própria, necessitam de muletas (teorias) para caminharem

Queremos saber suas idéias. Deixe um comentário =)




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