Resposta ao Estadão
Escrito por adv on 12 de agosto de 2007 – 21:40 -Está rolando na web, em especial nos blogs, um grande descontentamento quanto a uma publicidade veiculada pelo jornal O Estado de São Paulo – Estadão. Trata-se de uma crítica aos blogs, quanto a sua qualidade de conteúdo. Para o Estadão, é uma maneira bem-humorada de alertar sobre os riscos de consultas a sites na internet.
Só agora pouco que vi a publicidade no YouTube (ver abaixo), estou surpreso! O que vi é bem diferente do que diz ser o Estadão, tudo bem, o que se segue, também é uma maneira bem-humorada de alertar sobre os riscos de ler o Estadão.
A publicidade não se trata apenas de um alerta “bem-humorado”. É uma crítica onde figura o conteúdo dos blogs como questão, mas vai muito além, é um marketing chamando você leitor, de burro e ignorante. Na medida em que deixa claro, que não somos capacitados para distingüir aquilo que lemos enquanto algo bom ou ruim ou simplesmente porque queremos ler, do contrário, conteúdo bom é aquele selecionado por profissionais. – Os profissionais do Estadão!
Me pergunto, quem é o Estadão para dizer o que devo ler ou não? – Será que dígnos de boa leitura, são aquelas porcarias de livros que estão entre os mais vendidos, que eles listam nos exemplares? Ou são as colunas de fofocas que mantém o leitor informado sobre o nome do filho da atriz sensacional da novela das oito que ficou preso pela cabeça na hora do parto, a dieta que a Gisele Bündchen usa para manter o esqueleto às vistas, ou o novo cabelo da Hebe “Amarga”? Quem sabe ainda, interessante seria ler o horóscopo “científico” elaborado pelos competentíssimos profissionais do Estadão para saber se você vai conseguir sucesso profissional, amoroso ou quem sabe ganhar na mega-sena?
Concordo que há milhares de blogs estúpidos, exemplo, aqueles que falam das coisas que os gringos lançam, bugigancas que sequer existem no Brasil para vender. É o caso do iPhone, quando lançou, muitos blogs ficaram pelo menos 1 mês falando sobre suas cores, as letras que tinham no teclado, falaram até que ele servia como celular, incrível! – Mas quem somos para dizer o que deve ser lido ou não? Quem sou eu para dizer sobre a importância do iPhone na vida da Humanidade? – Isso me lembra censura, o Estadão, me lembra ditadura, assim como a Globo e toda sua corja.
Particularmente, não leio jornais, nunca tive esse costume, odeio jornais! Odeio não só pelo conteúdo, mas principalmente porque cheira mal, me dá uma sensação de gastura nas mãos, e é algo completamente desconfortável para se manusear e ler. Sempre que quero saber sobre alguma informação inútil sobre um fato que está acontecendo, eu procuro a notícia online. É muito mais prático. Resumindo: jornal impresso na minha opinião, não cumpre nem a função para limpar a bunda. Se alguém já tentou fazer isso com a página de política, provavelmente saiu com a cara do Lula estampada na bunda…
Quanto a procedência do conteúdo ser de boa ou má fé, sou eu mesmo que verifico, se desconfio, procuro outra fonte, se discordo ou concordo, não importa, eu guardo o que me é útil, o que gosto, o que não gosto, jogo fora. Ser alfabetizado não é apenas saber decodificar e codificar uma linguagem, esse sentido restrito, é coisa dos nossos governantes que se revelam incompententes para sustentar um sistema educacional capacitado, dessa forma, capacitam o sujeito que sabe pronunciar do A até o Z como alfabetizado.
Senhores, aponto que, se vocês quiserem desenvolver um repertório crítico de conhecimento e almejar uma formação humana consciente, não seja burro que só sabe ler e multiplicar, não leia qualquer conteúdo. Não leia o Estadão.
Desconfiem, os melhores conteúdos não são comerciais. As mais sábias palavras costumam em sua época, ser soterradas, taxadas de escândalos e absurdos. Assim foi, de Galileu à Nietzsche, e ainda mais recentemente, Freud, que ainda nos dias de hoje, encontra seus críticos fundamentados em preconceitos. Schopenhauer já alertava:
Uma grande quantidade de maus escritores vive unicamente da estultice do público, que só quer ler o que foi impresso no mesmo dia: os jornalistas. A sua designação vem mesmo a calhar, no entanto deveriam chamar-se “diaristas”. O exagero de toda a espécie é para eles tão essencial quanto para a arte dramática: com efeito, trata-se de extrair o máximo possível de todo o incidente. Devido à profissão, todos os jornalistas são também alarmistas: este é o seu modo de se tornarem interessantes. No entanto, mediante tal expediente acabam por se igualar aos cãezinhos que, tão logo percebem algum movimento, põem-se a latir fortemente. Sendo assim, é preciso dar aos seus sinais de alerta apenas a atenção necessária para não prejudicar a própria digestão.
(Arthur Schopenhauer in “A Arte de Insultar”)
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agosto 12th, 2007 at 23:56
tô contigo brother, o Estadão falou merda, belo post, flw
agosto 13th, 2007 at 9:24
Você nao achou ruim quando o Estadão te contratou para fazer a propaganda. Né, seu macaco!
agosto 13th, 2007 at 12:02
hahahahahahahaha, pau no cu do Estadão, isso ae, vou indicar esse post!!!
agosto 15th, 2007 at 10:44
tb acho que o Estadão chamou todo leitor de burro, independente de ser blog ou não
agosto 15th, 2007 at 17:45
AGORA QUE VOCÊ JÁ LEU A VERSÃO DO GENERAL CUSTER,
LEIA A DOS ÍNDIOS.
Nos ultimos dias, vimos reverberar na blogosfera ataques e defesas à nova
campanha do Estadão, feita pela Talent. Tudo começou nos blogs de publicidade e nos pegou
totalmente de surpresa, principalmente por que o subtexto que foi espalhado
por aí, de que o Estadão é contra os Blogs, não foi colocado em nenhuma das
peças da campanha. Isso seria extremamente incoerente, já que o Estadão sabe
que os blogs não só fazem parte da sociedade como do próprio Grupo Estado.
Sendo assim, vamos analisar a questão mais de perto pra saber se houve alguma
falha na comunicação da campanha.
Os filmes começam com uma vinheta , World Wierd Web, que já identificam o propósito
de fazer humor com a parte estranha, sem noção, da web.
No filme em que o rapaz lê o blog de economia do Bruno, o cientista diz que o
macaquinho já está copiando e colando textos pela web. É impressionante, mas a
reação que esperávamos dos blogueiros é exatamente contrária ao que aconteceu.
Quantas vezes, você blogueiro já não encontrou seu texto por aí, fora de
contexto, faltando partes e sem os créditos? No outro filme da campanha, dois
ruivos colocam informações mentirosas na internet pra sair ganhando alguma
coisa. As meninas que são enganadas pelo hoax nunca falam que encontraram
essas informações num blog e, do outro lado, um dos ruivos diz apenas “pronto,
tá na net”. Nesse caso, nada de blogs. Na mídia impressa acontece algo
parecido, apenas um do três anúncios diz abertamente “Blog”, os outros dois
usam os termos “página” e “site”.
Desta forma , nós posicionamos o estadao.com em linha com a proposta de
credibilidade, conteúdo de qualidade e compromisso do Grupo Estado. Os sites,
blogs, veículos e pessoas que frequentam o lado “luz” da internet , obviamente
, não devem se sentir atingidos por uma crítica ao lado “escuro” do ambiente
virtual, da mesma forma que um bom jogador de futebol não deve se sentir
desvalorizado por ter um colega perna-de-pau ou quebrador de joelhos. Ou será
que os publicitários que primeiro criticaram nosso trabalho consideraram
uma campanha difamatória aos publicitários o fato
de um dono de agência ganhar as manchetes por servir de intermediário na
distribuição de fortunas em verbas públicas?
Alguém em sã consciência pode defender incondicionalmente todo o conteúdo da
internet , com seus hoaxes , pegadinhas, pornografias, ideologias escondidas,
baixarias, falsos gurus, falsários, tomadores de dinheiro e tempo, Maranhão do
Sul na wikipedia, alterações da história e interesses privados disfarçados de
clamor do internauta?
No seminário da Microsoft este ano, em Cannes, os dados apresentados levaram
a uma inconteste conclusão: a de que a internet, como as
regiões de uma cidade, vai se dividir em duas. Uma útil, crível ,
inteligente, prestadora de serviço, informativa e confiável. Outra que é como
uma rua escura e sem policiamento: vai quem quer, sob seu próprio risco. Vamos
sempre promover o estadão.com como parte da primeira metade.
Separar o joio do trigo na internet deveria ser do interesse de qualquer
cidadão de bem.
João Livi
Diretor de Criação- Talent
joaolivi@talent.com.br
agosto 15th, 2007 at 21:58
que isso agora, será prenúncia de que o Estadão se arrependeu? hahahahahaha, só faltava essa, criticam os blogs e qualquer site que não tenha etiqueta de profissionalismo e agora “não, não criticamos ninguém, magina, só queríamos promover o debate construtivo das opiniões”
agosto 16th, 2007 at 17:10
RE: João Livi
Certamente que a “primeira metade” sempre foi a de práxis, práxis daqueles que reinvindicam os significados e significantes como lhes convêm, aqueles que constróem um conceito de “normalidade” a serviço dos próprios interesses. Práxis do Estadão, da rede Globo, e da grande mídia em geral, que prioriza o capital como grande força motriz de suas idéias.
Dizer que uma campanha publicitária deveria ter sido aceita em um sentido X e não Y, nem Z nem… é querer adequá-la a uma restrição de pensamento. E nesse caso, talvez o pensamento de engrandecer o Estadão frente aos outros meios, principalmente aqueles que não tem “pedigree” reconhecido, ou retirando-se as máscaras: caro leitor, compre o Estadão porque só aqui você encontra o que é bom.
Acho que os publicitários por detrás da campanha de nada tem a se sentirem ofendidos, afinal, a publicidade entendida aqui, foi um serviço pago pelo Estadão que expressa as idéias do contratante e não dos publicitários, ou será que também são as da Talent?
É assim a forma como eu vejo e esse blog vê, de nada tendo contra os publicitários que realizaram o trabalho mas sim, expressam críticas ou como bem entenderem, ao Estadão, que já temendo um futuro próximo onde a mídia impressa perderá em grande parte, uma parcela do mercado.
Qualquer cidadão que vê além daquilo que a realiade aparenta ser, sabe que é o Estadão que está brincando de General Custer, mas desta vez, usando trajes de índio.
novembro 8th, 2007 at 16:03
”Joao Livi diz,
Agosto 15, 2007 @ 17:45
AGORA QUE VOCÊ JÁ LEU A VERSÃO DO GENERAL CUSTER,
LEIA A DOS ÍNDIOS.”
COITADOS DOS ÍNDIOS BRASILEIROS NEM NESTE MOMENTO SÃO RESPEITADOS.
Se o comentarista cita um general americano(EUA) os índios também só podem ser de lá.
Os brancos daqui massacraram os índios de todas as maneiras possíveis.Agora cita o própio
índio quando querem se fazer de vítimas.
QUE FALTA DE RSPEITO.
novembro 9th, 2007 at 13:57
“COITADOS DOS ÍNDIOS BRASILEIROS NEM NESTE MOMENTO SÃO RESPEITADOS.”
haeuaheaueaheuaeaheaueauiehaiehia, mto boa!!!
março 30th, 2008 at 2:18
Olha eu aqui de novo, adv. e usuários do Log do MSN:
Peguei uma carona, por acaso, nessa matéria porque acho que essa discussão tem de ser aprofundada, vista por vários ângulos (pena que tanto o meu tempo como o espaço é curto). Vou tentar resumir:
1) Primeiramente, uma puxadinha de saco e um puxãozinho de orelha no adv. A puxadinha: Caso raro, ver um jovem de 24 anos (é isso?)tão brilhante e com uma visão tão profunda do mundo e dos seus problemas sociais. Normalmente, pessoas dessa idade não estão nem aí para problemas sociais, ambientais, assuntos políticos, filósóficos, religiosos, etc. Ele se preocupa, vai aos pontos e, o que é melhor: escrevendo bem (coisa rara entre os blogueiros, infelizmente); o puxãozinho de orelha: o RADICALISMO com que, em alguns casos, defende os seus pontos-de-vista, mas sempre com argumentos bem colocados.
2) Quanto à reportagem do Estadão: em princípio, concordo com a sua posição, adv. A reportagem foi infeliz, até porque os blogs vieram para ficar e são um fenômeno de nossos dias, gostem as elites intelectuais e os meios de comunicação ou não. E por que a aceitação? Porque são democráticos e espontâneos, a verdadeira voz do povo na blogosfera. Falam muito besteira e usam um péssimo vocabulário e erros de ortografia que nos fazem corar de vergonha? Sim (e nesse ponto o Estadão está certo). Mas isso não invalida a utilidade dos blogs, porque há uma minoria séria, que informa e comenta, correta e quase instantaneamente, tudo o que interessa ou seria uma potencial notícia, antes mesmo que vire notícia. Em alguns casos, os blogs “fazem a notícia”, agilmente, com graça, seriedade ou humor, usando vários tipos de recursos cibernéticos. Isto incomoda e causa inveja e preocupação aos jornais e jornalistas, que passam a ver os blogs como seus concorrentes. A nível empresarial (lucro dos jornais) ou profissional, os blogs são uma ameaça à manutenção dos empregos dos jornalistas porque vários blogueiros viraram também jornalistas. Sacou o “X” da questão?
3) Complementando, finalmente, o puxãozinho de orelha vai para a recomendação de achar desnecessário os jornais e dizer que não servem nem para “limpar a bunda”. Aí houve um radicalismo e um exagero. Eles, como os livros (que não vão desaparecer com a internet), continuarão tendo a sua utilidade, pois têm equipes de apoio para as reportagens mais sérias e isto não pode ser desprezado. Já as colunas sociais, os horóscopos e outras baboseiras… bem, aí tenho de concordar com você. Outra coisa: para limpar a bunda, numa situação emergencial, servem sim – é só usá-los bem amassadinhos, evitando os cadernos coloridos e as páginas que têm manchetes com letras muito grandes e negritadas. Melhor usar as folhas dos comerciais, que têm letrinhas bem pequenininhas.
março 30th, 2008 at 18:12
Olá Ivo, obrigado pelas considerações; concordo com seu ‘puxão de orelha’. Às vezes eu me cobro por isso, mas foram tantos anos com leituras e releituras de Nit e Schopenhauer que peguei esse “vício” . Apenas de uns tempos pra cá ando tomando um pouco de cuidado nas escritas e adotando uma forma de pensar mais “presa” a preceitos éticos e morais; embora, em se tratando de líderes religiosos, acabo assumindo uma forma mais desprendida.