Em defesa dos animais

Escrito por adv on 27 de setembro de 2007 – 11:58 -



Um leitor levantou uma questão em um dos meus posts onde falo do meu amor pelos bichos. Trata-se de uma contradição entre o meu amor pelos animais e a minha alimentação contendo carnes. Em outras palavras, será que gostar do meu poodle e comer um bife no almoço é sair em defesa dos animais?

É uma questão polêmica, que se levada ao extremo, eu, o leitor e qualquer ativista ambiental por mais radical que seja, não estaria de acordo com suas ações em defesa aos atos de crueldades praticados contra os animais.

Particularmente, admiro quem consegue ser vegetariano ao extremo. No caso do leitor Alexandre, embora não disse se é vegetariano, deu a entender que não come carnes, admiro isso.  Mas deixando de lado um pouco das emoções, tentarei trazer um pouco de luz sobre o assunto e, independente da concepção de homem, aqui considerarei o animal Homo sapiens sapiens.
Do ponto de vista evolutivo, nossos antepassados em tempos primevos – sabemos por registros de fósseis, pinturas e outros vestígios – foram grandes caçadores, se alimentavam de outros animais, tinham estratégias de caças, se protegiam do frio com peles e fogo, isto é, um ser vivo na difícil competição pela sobrevivência. Aqui vale aquela frase, um dia de caçador, outro de caça.

Certamente que também, comiam frutos e hortaliças, mas sabemos que o cardápio era, sobretudo, de carne animal e de preferência gordurosa. Esse tipo de alimento era a maior fonte energética para garantir o custo da vida. Nenhum homem sobreviveria comendo apenas derivados vegetais – tanto é que nosso organismo nem absorve a celulose.
Para manutenção dos mais aptos, não era interessante para seleção natural o sujeito que sentia pena durante a caça. Os mais aptos deveriam ter instintos agressivos para sobrevivência e conservação da espécie. Isso para não entrar em âmbito cultural centenas de anos depois, e citar a Bíblia, um verdadeiro “compêndio” contra as mulheres, os animais e a favor da escravidão.

Trazendo essa discussão aos tempos atuais, implica que somos uma espécie muito mais carnívora que onívora, este último se modelou muito mais pela cultura. Temos presas, embora já não seja como a dos nossos ancestrais. Nosso metabolismo representa um alto custo para manutenção da temperatura corporal e formação da massa encefálica, o que conseqüentemente implica em maiores necessidades energética. Ainda fisiologicamente, somos incapazes de absorver a celulose presente nos vegetais. – Todas essas características foram evolutivamente selecionadas e  são próprias da espécie.

Independente dos movimentos vegetarianistas que não admitem a presença de carne no cardápio em hipótese alguma, somos carnívoros! Os vegetarianos também são carnívoros. Em seus ideais podem não ser, mas seus organismos foram adaptados para retirar a sobrevivência da vida de outras espécies. Tal como o leão devora a gazela, o lobo o cordeiro, a águia o coelho… e assim por diante.

Sabemos que a falta de carne no cardápio humano traz sérias complicações no desenvolvimento. O vegetariano não nasceu comendo só folhas e derivados. A vida moderna permite que hoje ele – passada a fase de crescimento – possa viver relativamente bem comendo apenas vegetais e tirando a proteína do leite, dos derivados e da tal proteína de soja, tão falada, mas muito pobre em nutrientes. Mesmo com todo avanço da medicina, uma criança que não tem acesso a uma alimentação rica em proteína animal poderá ter sérias complicações.

Agora eu pergunto, são os vegetarianos, os que não admitem comer carne em hipótese alguma, fanáticos ou radicalistas? – Cabe ai a consciência de cada um. Particularmente acho que não é por ai o caminho, até porque não podemos mudar nossa natureza orgânica.
Eu defendo os animais e como carne; os vegetarianos não admitem a carne no cardápio em hipótese alguma, mas estão vivos devido às proteínas de origem animal que um dia ingeriram; ainda mais, usam objetos que tem composição animal: pentes, perfumes, escovas, etc. – muitas vezes sem saber. E ainda, se não fossem os animais, poderíamos já estar sepultados depois de picado por um simples flebótomo. – Os medicamentos e os materiais hospitalares estão repletos de elementos orgânicos de origem animal, fora as pesquisas.

Por esses motivos é que eu acho que a discussão não é por ai, isto é, o radicalismo. Não podemos mudar nada se nossa luta em defesa aos animais for guiada por fortes emoções de querer mudar os rumos da Natureza. Entretanto, podemos analisar os elementos que temos no presente tendo em vista um futuro onde nossa luta no ideal passe a ser concreta. Podemos ajudar seja educando uma criança a ter uma postura mais responsável diante do meio ecológico, dando parte e cobrando as autoridades para providências diante de casos de maus tratos, conscientizando o vizinho que maltrata um cão, prende pássaros na gaiola, é adepto de rodeios, promova briga de galos ou pitbulls, etc. – Nesse último caso acho que eu daria umas porradas no sujeito antes e iria até as últimas conseqüências de um processo criminal =)

Acredito que lutar em defesa dos animais é sabermos que não podemos, diretamente, mudar os rumos da evolução natural e da cadeia alimentar evolutiva. Não podemos mudar nosso organismo para que ele retire energia dos vegetais e nem evitar que os leões continuem a devorar as gazelas.

Mas podemos sim, repensar nossas ações e agirmos de forma mais harmônica com a natureza, o que estaríamos contribuindo não só para o meio ecológico como para nós mesmos, pois vivemos no próprio meio. Repensar que, ao mesmo tempo em que a tecnologia pode ter sua prática no extermínio da natureza e suas formas de vida, pode também contribuir para promover e ajudar.

Assim, acredito que podemos lutar contra as pessoas que acham que precisam de um casaco de pele para sobreviver quando podemos nos aquecer sem prejudicar outras formas de vida. Lutar contra o sujeito que faz do sofrimento animal o seu divertimento. Lutar contra aqueles que praticam o abandono, a crueldade, a chacina, as torturas, o cativeiro, etc.

Na ciência podemos ter uma postura mais reflexiva diante da necessidade da pesquisa. Será mesmo necessário envolver vidas? A descoberta é significativa? Já não foram feitas pesquisas que comprovem o meu objeto de estudo? – Felizmente, em alguns países desenvolvidos como Suécia e Holanda, por exemplo, há uma ética extremamente rígida para evitar que a ciência faça de qualquer animal um mero joguete de pesquisas.
Sabemos que infelizmente, animais que têm culturalmente suas carnes consumidas, são objetos de lucro e muitas vezes são torturados em confinamentos e transportes inadequados. Chegam até, muitas vezes, a serem mortos porque não representam mais lucro, seja porque apresentam alguma deficiência genética ou contraíram alguma doença epidêmica.

Mas será que não poderíamos se alimentar da proteína animal, uma necessidade orgânica, evitando o desperdício e toda tortura “barata”? – A tecnologia já não tem vários meios para uma morte letal e sem sofrimento? – Nesse ponto o leitor levantou uma questão sobre se haveria morte sem sofrimento. Certamente que aqui teremos pontos de vista bem diferentes. A ciência nos permite saber hoje, que temos formas letais e instantâneas de morte (choque elétrico com alta voltagem, químicos injetados, etc.)

Acredito que seja essa a discussão que devemos ter em mente quando falamos de crueldade aos animais. Talvez clamar a favor do vegetarianismo seja querer lutar contra a Natureza e por mais que podemos transformá-la, também estamos subjugados a ela.
Essa discussão gera conflitos e muitas contradições, são vários os pontos de vista. Os animais sentem? Pensam? Tem consciência? – O cientista, o etólogo, o biólogo, o psicólogo ou outro sujeito que já tenha se apropriado sobre alguns elementos biológicos, irão dizer que os animais agem por instintos, isto é, são dotados de características próprias de comportamento herdadas geneticamente e, quando muito, realizam alguma tarefa simples por imitação ou condicionamento clássico. Muitos religiosos dirão que os animais estão na terra para servir o homem e nada mais. Alguns dirão que os animais pensam e sentem, amam e odeiam. E ainda, outros dirão que essa discussão é estúpida porque não temos bem estar nem para os humanos. – Essa última não dá nem para levar a sério.

Trazendo uma visão mais promissora para não dizer otimista, felizmente, a seleção natural parece estar mudando os rumos. Podemos verificar sinais simples, mas que já é um começo, como por exemplo, nossas presas que já não são tão “triturantes” como as dos nossos ancestrais; a gordura que já não é tão vantajosa para o indivíduo, pelo contrário, hoje ela é nociva devido às condições de vida atuais. A própria carne tenderá a ser uma substância não tão vantajosa ao organismo humano, mas aqui, estamos falando de seleção natural e não de coisas que acontecem com o amanhecer.

Os próprios grupos defensores dos animais que felizmente têm crescido pelo mundo, os movimentos radicais dos vegetarianos e uma melhor conscientização de que precisamos conviver harmonicamente com a natureza, – eu diria até que esse é o desafio do século – tende a possibilitar gerações mais adaptadas com a Natureza.

A comunidade verbal nos classificou como racionais, um termo tão vago que de nada serve além de esconder a nossa irracionalidade. Somos uma espécie que não sabe conviver em harmonia, ainda precisamos aprender muito…

Postado em Filosofando | 9 Comments »

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9 Responses to “Em defesa dos animais”

  1. 9
    Iris Palhas Says:

    Os não vegetarianaos tem logo a mania de atacar, muitas vezes agressivamente os vegetarianos dizendo que usam isto e akilo e tentando encontrar todos os defeitos e pontos frageis possiveis..nao percebo porke..eu kd digo k sou vegetariana nao estou a atacar ninguem, nem a dizer k sou perfeita..e esses que dizem isso nao fazem nehuma das coisas…
    Quanto ha mania de ir buscar a historia d Homem..somso um animal sim..temos uma evoluçao, nao temos d estar presos ao que fomso..nehum animal esta preso ao que foi..todos se transformam, mudam, adaptam…e nos somos seres pensantes….portanto se as condiçoes a nossa volta nos permitirem estar bem, ter os outros a nossa volta bem e nao comer animas..porque nao o fazer?..porque continuar a comer a carne baseando se na ideia de que é normal, d k o homem e um animal k come carne, etc ..etc..nao precisamos dela..podemos nao a comer…podemos raciocinar, podemos optar…

  2. 8
    Iris Palhas Says:

    É perfeutamente possivel e estar bem de saude e fazer o que todos fazem sem depender de medicamentos para isso. Existem tambem muitos vegetarianos que procuram ser coerentes e nao consumir NADA de origem animal na sua vida. No entanto achouma certa piada as pessoas virem logo c esses argumentso quando alguem se diz vegetariano. Uma pessoa pode ser vegetariana poruqe considera que pode estar viva, comer, ter prazer a comer e fazer tudo sem se alimentar de animais e isso é bom:)Pode claro , no resto da sua vida, nas outras areas usar algumas coisas porque nao tem possibilidade p ja p isso..ninguem diz k é perfeito..mas pelo menos ja faz algo, alguma escolha correcta e que pode fazer, numa area d sua vida :)

  3. 7
    Iris Palhas Says:

    Estive a ler tudo..E ese tipo de discurso ja é muito conhecido …é normal pessoas nao vegetarianas dizerem TUDO isso com essas mesmas palavras e com eses mesmos argumentos..Mas narealidade e nao querendo ofender ninguem, não estão nem correctos nem completos. Penso que devia pesquizar melhor e informar-se melhor. Todos somos livres de ter a nossa opinião, mas penso que devemos saber admitir qando somos ignorantes sobre algo e estudar e melhorar nos e compreender porque os outros dizem o que dizem..procurar saber mais..
    Traduzindo, uma pessoa pode ser vegetariana desde nascença e nunca ter consumido proteina animal.

  4. 6
    Luis Says:

    Quanta merda no seu texto em! Eder Jofre foi o maior pugilista que o Brasil, já teve, foi bi-campeão mundial e lutou numa época em que não era conhecido nem anabolizante e nem suplemente alimentar. Nenhum boxeador brasileiro, ganhou mais titulos do que ele. Durante toda sua carreira foi vegetariano, ou seja há mais de 50 anos e hoje com 71 anos ainda é vegetariano. Isso ai é um mero pretexto para você não tirar a carne do seu prato, conta outra. Xuxa, Alicia Silvertone, Tobey Maguira, Brad Pitt, Andre 300, Pamela Anderson, Joaquin Phoenix, Fernanda Lima, Ellen Jabour, Cid Moreira, Alec Baldwin, Kim Basiger, Richard Gere, Dustim Hoffman, Danny Devito e muitos outros famosos são vegetarianos e fazem tudo o que vc faz, inclusive eu, que sou vegetariano há 5 anos. Quanta merda tem no seu texto, quanta ignorância! Da onde você tirou essas merdas todas a escrever? Deveria checar melhor suas fontes

  5. 5
    adv Says:

    Olá Silviane, entendo, sou consciente desse paradigma, mas penso que o caminho não é por aí. Nem os vegetarianos mais radicais vivem sem ter por trás a morte de um animal, ele pode não comer o churrasco, o frango assado, etc., mas ele em algum momento já precisou tomar remédios que têm algum componente animal, usam objetos que podem ter composição animal, já precisou utilizar a medicina que usa animais…

    Eu gostaria que os leões não comessem gazelas indefesas, que crocodilos não enficassem suas presas ao mesmo tempo que afoga lentamente um gnu… mas está fora do alcance humano.

    A questão não é defender uns animais em detrimento de outros, o problema é que querendo ou não somos também animais, e a regra biológica geral é ser vivo comendo ser vivo.

    Penso que crueldade é diferente de uma morte sem sofrimento, levando em consideração os matadouros “sérios” que cumprem a legislação legal. Se levarmos ao radicalismo extremo dos que não admitem refeições compostas de carne animal, na qual entendo como fanáticos e não defensores do meio ambiente, não iremos conseguir mudar muita coisa. Seres humanos não podem simplesmente desconsiderar e jogar fora a história filogenética.

    Não vejo fundamentação em dizer que quem come carne não pode se preocupar com os animais e com o meio ambiente. O mesmo poderia ser aplicado aos vegetarianos, porque eles não consideram os vegetais seres vivos? Ou então, ao comer vegetal, necessariamente e indiretamente, você também está contribuindo para a morte dos animais; plantações exigem a destruição de matas e florestas, e conseqüentemente a dos animais.

    Penso que o caminho não é pelo radicalismo…

    Obrigado pela sua contribuição

  6. 4
    silviane Says:

    só gostaria de saber como é na pratica ser defensor dos animais e contribuir com a aberração do sofrimento dos animais nos matadouros comprando carne para comer? Como você consegui tornar isso possível? Ou os animais de matadouros merecem menos que os outros animais?

  7. 3
    teste Says:

    teste plugin…

  8. 2
    domelhor.net Says:

    Em defesa dos animais…

    uma explicao evolucionista sobre o comportamento cruel dos homens em relao aos animais e o que podemos fazer para melhorar…

  9. 1
    Anônimo Says:

    Em defesa dos animais…

    uma explicação evolucionista sobre o comportamento cruel dos homens em relação aos animais e o que podemos fazer para melhorar…

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