Skinner e Freud

Escrito por adv on 30 de setembro de 2007 – 20:23 -



Skinner e Freud sem dúvidas são os dois maiores ícones da Psicologia, o primeiro conhecido pela filosofia do Behaviorismo que sustenta a Análise Comportamental, e o segundo, o pai da Psicanálise.

Ambos defendem pressupostos teóricos bem antagônicos. Para Skinner, as causas do comportamento estão sempre no ambiente, aqui não existe mente nem qualquer entidade interna presente no indivíduo – nenhum apelo ao mentalismo se faz necessário para explicar o comportamento; já Freud, construiu sua teoria apoiada em conceitos mentalistas, aqui se faz presente o dinamismo psíquico das pulsões entre as instâncias mentais do indivíduo – consciente, pré-consciente, inconsciente – que irão determinar o comportamento.

É comum dentro da Psicologia, alunos e até mesmo professores, defendendo seus pontos de vista baseado em puro radicalismo. Buscam elementos de um que não tem no outro e criam em torno disso uma série de conflitos que de nada adiantam. Sinto pena desses “religiosos” do comportamento.

Particulamente vejo nestas abordagens, não escopos teóricos excludentes, mas sim, instrumentos que possibilitam estudar o comportamento. Uma tem a ensinar para a outra e ambas não dão conta de tudo, como nenhuma outra teoria. São representações e não verdades, assim como é o mundo que Schopenhauer descreveu. Sábio o psicólogo que vê em ambas, possibilidades de exercer o seu trabalho, ou ao menos, que não faça o papel de advogado do diabo.

A ilustração abaixo é apenas um modo de mostrar um pouco das diferenças entre esses dois pensadores que admiro muito.

Postado em Psicanálise, Psicologia | 6 Comments »

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6 Responses to “Skinner e Freud”

  1. 6
    Júlia Says:

    Legal seu texto, mas acho que a figura com a fala de Skinner pode aumentar uma idéia errônea de que a Análise do Comportamento sustenta a punição como técnica e método de atuação. Skinner estuda sim a punição, porém alerta para seus efeitos colaterais extremamente prejudiciais e repudia o seu uso. A Análise do Comportamento defende que a maneira mais adequada de ensinar novos comportamentos às pessoas e/ou de mudar seus comportamentos problemáticos é o uso do reforçamento positivo, não da punição. Além disso, gostaria de fazer uma pequena correção no trecho: “Para Skinner, as causas do comportamento estão sempre no ambiente, aqui não existe mente nem qualquer entidade interna presente no indivíduo”. Bem, as causas do comportamento estão na relação entre o indivíduo e o ambiente. Isso quer dizer que o comportamento é resultado da interação de fatores ontogenéticos (história individual e única de cada organismo), filogenéticos (fatores hereditários, da espécie) e culturais (ou seja, nosso ambiente social, práticas culturais, comportamento verbal ou linguagem, se você preferir). Logo, não é que a causa esteja SIMPLESMENTE no ambiente, e o próprio ambiente não é só o físico, mas também o é o próprio organismo e, no caso do ser humano, seu ambiente social (formado por outras pessoas). Por fim, Skinner não nega a existência da mente. Eu entendo que ele não enxerga como essa “entidade” poderia nos ajudar a estudar o ser humano. Enfim, concordo com a idéia principal do texto, a de não tratar cara teórico como um Deus, mas saber entender as limitações e qualidades de cada teoria. Parabéns pelo ponto de vista.

  2. 5
    adv Says:

    Olá Marcos, achei interessante o tema da sua tese e já guardei para dentro do pendrive; com certeza irei lê-la assim que sobrar um tempo ;)

  3. 4
    Marcos Congílio Jr. Says:

    Entrem em
    http://www.comportamentohumano.net/TeseArquivos.pdf
    que vai abrir diretamente em um trabalho com o seguinte tema – ANÁLISE BEHAVIORISTA RADICAL DE CONCEITOS PSICANALÍTICOS –
    Neste trabalho é mostrada interpretações skinnerianas da psicanálise freudiana, da psicologia existencial (Rollo May), réplicas behavioristas contra Noam Chomsky e até mesmo uma interpretação da filosofia de Nietzsche…

  4. 3
    Juliano Almirane Júnior Says:

    Legal, gostaria de saber um pouco mais de Skinner para leigos, obrigado.

  5. 2
    Juliana Says:

    parabéns!!!

  6. 1
    Maysa Says:

    Olá achei sua idéia genial, sou estudante de pedagogia e embora não haja conflitos, os alunos ficam meio perdidos quando mal terminam de ver uma abordagem aparece outra totalmente diferente, imagino como dev eser a psicologia…. Vai ter mais? hahahahahaha, estou aguardando! bjs

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