Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, $
Escrito por adv on 14 de outubro de 2007 – 21:30 -
O Homem criou os deuses à sua imagem e semelhança. Criou-os de acordo com as suas necessidades, dos desejos idealizados aos tormentos inquietantes da existência. É necessariamente na miséria humana que se encontra o berço dos deuses. – Eis Jesus, o filho de Deus, descendente da miséria humana.
As primeiras tentativas de explicação e organização dos elementos do mundo desconhecido por parte da ciência, foram queimadas nas fogueiras santas, e suas cinzas viraram exemplos aos hereges da Terra em movimento. Os próximos passos giravam em torno de tentativas frustradas de conciliar Homem e Deus, ambos de mãos dadas. Os fenômenos deveriam ser descritos até onde a natureza humana permitia, além dessa natureza que era falha, residia a força divina que ocultava aos olhos do homem as verdades inacessíveis.
Ao longo dos séculos a ciência foi destituindo do centro do Universo os deuses, os alquimistas, as bruxas e os demônios. As ciências exatas e as humanas lentamente abriram um abismo entre os dogmas e o “ainda não compreendido”.
Mas o assassinato de Deus estava previsto. Deus está morto! – Conclamou Nietzsche em 1888 na obra “O Anticristo”. O Homem, e mais precisamente, o Übermensch, o super-homem, o homem-superação, o homem como resultado de uma transvaloração de valores, este o substituto de Deus.
A metafísica passa a ser obra de ficção para tentar construir um significado à existência do Homem. O Deus cartesiano é apenas uma dimensão projetada pelo Homem para superar sua natureza perecível pelo infinito.
Em Zaratustra surgem duas alternativas. De um lado o homem-superação surge enquanto um novo ser, um novo modo de pensar, avaliar e sentir; de outro, o último-homem, aquele que Zaratustra chama de um perigo terrível, o niilista radical, ausente de subjetividade. Zaratustra teme o surgimento desse homem: “o tempo em que o homem não mais arremessará a flecha do seu anseio para além do homem e em que a corda do seu arco terá desaprendido de vibrar!”
Em contraposição, a ciência moderna não mata Deus, mas torna-o irrelevante para as suas discussões. As provas sobre a existência ou não de Deus deveriam ficar entre os radicais. Aqui o Céu e a Terra foram separados. Deus pode existir, desde que cuide somente do Céu sem interferir nos assuntos humanos na Terra.
Essa estratégia trouxe grandes avanços na ciência. Tecnologias à bem – e mal como efeito colateral - da vida humana foram criadas em inúmeras áreas. Mas também trouxe um novo modo de pensar, sentir e avaliar diferente do Übermensch.
Os grandes enigmas não foram resolvidos, foram deixados de lado. Temas como morte, amor, eternidade, valores e outros “dogmas modernos”, foram abolidos do cotidiano da sociedade do imediato.
A preocupação com o aqui-e-agora não permite tempo para refletir sobre as nossas questões existenciais que reprimidas dão lugar a muitas crises psicológicas. Para essas “dores” a modernidade agarra nos conceitos fantasiosos da liberdade e do direito individual ao contrato social, perpetrados pelo paraíso do consumo, como justificativa do “problema é seu”.
A ciência moderna não pode dar a cura para a morte, mas pode dar tratamento para doenças que poderiam ser mortais. Essa estratégia de dissolver o infinito no aqui-e-agora certamente que possibilitou muitos dos avanços que conhecemos hoje, mas, conseqüentemente, ainda não sabemos como lidar com os efeitos colaterais.
O ambiente é fluido e está em constantes mudanças. A satisfação dos desejos e sonhos só é deliciada se estes puderem ser consumidos imediatamente, do contrário, rompem em futuras doenças psicológicas.
A filosofia, a sociologia, a psicologia psicanalítica entre outras vertentes de cunho humanitário e outras ciências humanas, de nada servem se não podem produzirem resultados de imediato. Como exemplo, trago em tona novamente aquele estúpido blogueiro da Veja que diz que a área de humanidades no Brasil está cheia “desse lixo”, se referindo ao materialismo histórico-dialético.
Para estes sujeitos dilacerados de genericidade humana, desconexos do passado e do futuro, nada importa além do que pode ser consumido instantaneamente no para-si. Os resultados devem vir antes do pensar e do refletir que possibilitam a ação.
A ciência moderna trouxe benefícios de curto prazo, mas também conseqüências de longo alcance. Nunca criamos tantos meios de prolongar a vida, mas também nunca criamos tantos meios de destruição em massa. Nossa vida no planeta, embora já desse sinais de longa data, só agora é que parece que está se tornando insustentável devido aos fenômenos naturais já vistos, mas nunca com tanta intensidade destruidora.
Ainda não dá para prever as conseqüências exatas. Benignos ou malignos os sinais da modernidade em constate mutação não são mensuráveis em resultados imediatos. Resultados sem antes passar pelo crivo da reflexão seja exata ou humana, ou ambas, é tarefa da falácia dos astrólogos, santos, santas e demais amuletos da sorte e do destino.
Deus está morto! – Disse o filósofo. Hoje podemos dizer que os deuses antigos estão mortos, Nietzsche só não pôde prever que o substituto de Deus, o Homem, criou novos deuses.
O símbolo do cifrão destronou o Deus monoteísta. O Pai, o Filho e o Espírito Santo, a Santíssima Trindade, agora são o Cifrão, o Dólar e o mercado de consumo, que reinam absolutos no centro do Universo.
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outubro 14th, 2007 at 22:29
Boa fdp!
outubro 15th, 2007 at 0:14
Parabéns pelo post. Com certeza se me permitir, guardarei seu desfecho para usar como citação sempre que precisar:
“O símbolo do cifrão destronou o Deus monoteísta. O Pai, o Filho e o Espírito Santo, a Santíssima Trindade, agora são o Cifrão, o Dólar e o mercado de consumo, que reinam absolutos no centro do Universo.”
prabéns pelo texto
outubro 15th, 2007 at 10:54
Não li o texto, muito grande, sabe como é né, leitor no Brasil…
mas uma imagem vale mais que palavras para quem não gosta de ler hahaheahheaheaheeahea.
outubro 17th, 2007 at 9:33
os gregos inventaram deuses a sua maneira, e hoje os deuses continuam sendo inventados e tb, de acordo com as necessidades dos homens, mas esses deuses ainda são aqueles poderosos capazes de suprir principalmente as angústias; mas o seu desfecho foi interessantíssimo, não havia pensando nisso1!!
outubro 18th, 2007 at 10:29
se vc não acredita em Deus problema é seu, e não ficar escrevendo essas blasfêmias que ofendem diretamente a religião, acredito, de qualquer pessoa
março 21st, 2008 at 14:51
eii vcs tenha muito cuidado o que vcs falam,e tenha muito mesmo que blasfemia com deus ainda tem chance de pedir perdao,e mizericordia,mas quem blasfemia com o espirito santo e reu do inferno tenha muito cuidado o que vcs falam ai,se quizer saber so procura na biblia no novo testamento,eu to alertando pra como morre,e char ga la em cima e deus fala por que vcs falaram isso.ai vcs falaram ai meu Deus nimquem falou disso para mim.TENHA MUITO CUIDADO O QUE VCS FALAM!
abril 2nd, 2008 at 15:08
Tu sabe o que diz!
E eu concordo prenamente,
DISPARATE é o que esses dois escravos da religião postaram contra vc, meu caro escritor, iditas que dão 10% do seus salários para pastores levarem para os states, a vida é aqui deuses somos nós o que manda é o dinheiro o agora! Deus eu sei que ele existe mais aqui ele naum vêm.
um grande abraço, de seu mais novo fã.
abril 2nd, 2008 at 15:10
Mais uma essa eu naum posso deixar pra lah,
o babaca escreveu (deus) já que ele referia a Deus Senhor, com DE minusculo, kakkakakakkakakak Babaca…
abril 2nd, 2008 at 15:39
olha… eu não diria fã tão já, amanhã vc pode mudar de idéia