Vamos falar de amor? - parte 1
Escrito por adv on 17 de janeiro de 2008 – 20:18 -O amor assume inúmeros significados e expressões ao longo da história da humanidade. Para Freud o amor está presente em toda motivação humana; para Nietzsche o amor se faz no “eterno retorno“, todo prazer retorna à dor; para Shakespeare todo amor termina em tragédia; para Chaplin o amor é uma das mais belas frustrações… Você deve conhecer pelo menos uma definição de amor que, seja na voz do poeta ou do filósofo, é retratado nos duelos do amor e do ódio, gladiadores que coexistem de mãos dadas, restando à indiferença o oposto do amor.
Quem nunca se apaixonou ainda irá. Quem já se apaixonou já sentiu dor e desespero que pareciam infindáveis. Outros ainda estão felizes, mas o amanhã é o eterno retorno. Alguns se rebelam contra o amor, revelam o ódio sem saber que este é amor em estado mais intenso. Ainda, tem os que acham que não sofrerão novamente por amor… até o próximo encantamento. Amor que pode expressar alegria e tristeza, dor e prazer, bem e mal, vida e morte. Seja na arte, na música, na literatura, na dança, etc.
O amor é assunto oculto na sociedade das massas apressadas e vazias. No mundo líquido* nossas relações podem ser medidas em poucos dias, quando não muito em horas. Nos divertimos, saímos com amigos eufóricos e barulhentos, bebemos e freqüentamos festas, nos apresentamos sorridentes e felizes, as vezes saímos à dois, e não muito difícil, na cama dos desejos, uma irrealidade e um sentimento de vazio se instalam. A vida líquida escorre em sentimentos fantasmagóricos, mas entre a apatia e a satisfação acabamos por esquecer, dormimos, amanhã é um novo dia, o eterno retorno.
Mas se o amor pode tornar-se dor será que devo evitá-lo? Só podemos ser felizes se encontrarmos a outra “cara-metade”? Como se recuperar de um amor não correspondido? Amor incondicional existe? - Não irei responder, mas é sobre isso que pretendo falar… Por quê?
Penso que temos muita magia, poesia e encantamento para tratar o assunto, mas poucas tentativas foram feitas no sentido de levar o assunto à sério. Tentamos passar nossos pensamentos, imagens e sentimentos em forma de palavras mas não temos palavras para isso, apenas realizamos uma falsificação da realidade.
Por outro lado, na história são inúmeros os casos de homicídios e suicídios tendo como cenário o amor romântico. Atualmente também é comum as práticas de assassinatos, suicídios, seqüestros, agressões físicas graves entre outras formas desequilibradas de homens e mulheres expressarem dor e egoísmo gerados pelo amor não correspondido. Mudam os cenários, os personagens e o enredo, mas as tragédias shakesperiana permacerão ao longo dos séculos. - Penso que devemos levar mais à sério o amor romântico, do contrário, estaremos contribuindo para a formação de seres humanos neuróticos além do natural.
Continua…
*Conceito de Zygmunt Bauman
Imagem by Gabatinie
Leia também:
- Caso Isabela Nardoni desvendado, serão “eles” culpados?
- Vamos falar de amor? - parte 2
- Vamos falar de amor? - parte 3
- Google atualiza a pontuação do Pagerank - confira a sua
- Rapidinhas
















janeiro 20th, 2008 at 14:53
Interessante suas colocações, também penso que a gente tem muita poesia sobre o amor, nossas músicas todas falam de amor, mas falar seriamente do assunto é difícil, vou aguardar a continuação ansiosa, paranbéns!
janeiro 21st, 2008 at 13:00
[...] << Parte 1 “Há o calor do Amor, o rubor pulsante do Anseio, o sussuro do amante, irresistível - magia para enlouquecer o mais são dos homens” - Homero, A Ilíada [...]
janeiro 31st, 2008 at 11:55
[...] parte 1 | parte [...]
fevereiro 23rd, 2008 at 17:59
[...] existe? Escrito por adv on 23 de Fevereiro de 2008 – 17:59 - Vamos falar de amor? - parte 1 | parte 2 | parte 3 Quando te vi amei-te já muito antes: Tornei a achar-te quando te encontrei. [...]