Vamos falar de amor? – parte 2

Escrito por adv on 21 de janeiro de 2008 – 11:59 -



Em busca de uma definição para o amor

<< Parte 1

“Há o calor do Amor, o rubor pulsante do Anseio, o sussuro do amante, irresistível – magia para enlouquecer o mais são dos homens” – Homero, A Ilíada

amor apaixonadoO amor romântico é um sentimento universal. Em todas as culturas o encontramos expressado na música, na arte, nos costumes, na literatura, nos sentimentos e pensamentos de homens e mulheres.

Os etólogos dizem que esse sentimento provavelmente tenha evoluido por dois motivos essenciais: 1) para proteger os homens de serem traídos e criarem o filho do outro e, 2) para proteger as mulheres de perderem para uma rival um marido em potencial para criar os filhos.

A antropóloga americana Helen Fischer, a partir de estudos com humanos apaixonados, percebeu o aumento dos níveis de três neurotransmissores no cérebro: dopamina, norepinefrina e a serotonina. Amnbos estão ligados ao sistema de recompensas do cérebro. Por outro lado, em sujeitos que estão presenciando um momento de desilusão amorosa, as pesquisas mostraram baixos níveis dessas substâncias.

Os neurocientistas estabeleceram ainda, um tempo de duração da “magia do amor”, normalmente entre 12 e 18 meses, entretanto, esse período não deve ser levado ao extremo, uma vez que, sendo o amor instável, volátil e inconstante, ele pode se extingüir, voltar e depois desaparecer novamente, variando significativamente de acordo com as características envolvidas.

Embora seja possível através de estudos verificar as alterações físicas e orgânicas que o amor romântico ou a desilusão causada podem gerar, os grandes mistérios ficam “encobertos” aos aparelhos técnicos. Sendo o amante uma marionete controlada pelas cordas do coração da amada. Com freqüência, homens e mulheres apaixonados, ensejam muitos novos comportamentos, estilos de vida e crenças na expectativa de agradar os amados.

Como ponto de partida tomamos o amor romântico como uma experiência humana universal; um sentimento volátil e às vezes incontrolável, um torpor mental que pode trazer alegria num momento e desespero no outro.

Imagem: Love Is… by =trinity-77

Continua…

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5 Comentários em “Vamos falar de amor? – parte 2”

  1. Purgatório | LOG de MSN Diz:

    [...] Igreja Universal de Jornalismo Record O Bozo não é o palhaço do Lula E daí que você tem falo? E… Vamos falar de amor? – parte 1 Salve o planeta e se der tempo, os humanos! – O Homem está morto! Reflexões sobre o tempo: novo ano, velho ano Vida e morte – você já parou para pensar na sua despedida? O que é Filosofia e para quê serve – reflexões da reflexão Meu cartão de Natal ao Papai Noel Deus, religião e o sentimento religioso em Freud O sentido em comunicação Os heróis do capitalismo: José e o vestibular – parte 1/2 Os heróis do capitalismo: liberdade, individualidade, igualdade – parte 2/2 IURD, Universal do Reino de Deus, Edir Macedo – motim parte 2 Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, $ Brainstorming Em defesa dos animais O Fetichismo da Mercadoria Amizade, família, sonhos, trabalho… Carta a um morto Marx no divã As marteladas de Nietzsche: desconstruindo preconceitos A humanidade ainda está traumatizada pela sexualidade da criança Professor, eu gosto da instrução e não dou a mínima para suas informações O passado não pode ser jogado fora como um ticket de cinema Menestrel (Shakespeare) O trabalho dignifica o homem, hahahahaha… Skinner e Freud Fale daquilo que você não consegue. Tente! Pirataria funcionou para nós, diz presidente romeno a Bill Gates Saddam foi executado. Estamos no século XXI, a moderníssima Era Medieval Compare Preços de: Livros, MP3 Player, iPod, Celulares, Notebooks, Câmeras, Wii, PS2, PS3 Postado em Uncategorized | [...]

  2. Amor à primeira vista existe? | LOG de MSN Diz:

    [...] Escrito por adv on 23 de Fevereiro de 2008 – 17:59 – Vamos falar de amor? – parte 1 | parte 2 | parte 3 Quando te vi amei-te já muito antes: Tornei a achar-te quando te encontrei. Nasci pra ti [...]

  3. JOAQUIM CESARIO Diz:

    O amor romântico não é universal. O amor romântico, inclusive, é histórico. No ocidente, por exemplo, tem seus primórdios em torno do século XII, através dos menestréis franceses que à época cantavam e poetizavam idilicamente o amor como forma idealizada de vida. Segundo o escritor mexicano e Nobel de Literatura Octavio Paz (em seu célebre licro “A Dupla Chama: amor e erotismo”)os poetas que inventaram o amor cortês assim o fizeram porque já era uma aspiração latente de uma certa aristocracia e nobreza feudal. O amor, dessa maneira, deixa de ser entendido como um mero prazer carnal e reprodução (copulação e procriação) e passa a ser associado a um sentimento elevado.
    Mesmo que o amor cortês tenha “morrido” com o fim da poesia provençal, a mesma deixou suas marcas fecundas no ser humano ocidental. De seus cânticos, rituais e crenças, herdamos o amor como finalidade a uma felicidade indizível, resultante da combinação entre o gozo e a contemplação, entre o que no ser humano há de animal e o que há de espiritual. O legado provençal é este: as idéias sobre o amor. Encontramos seus mais evidentes resquícios na literatura moderna, nos filmes românticos e nas artes em geral. Da poesia provençal, passando por Dante, Shakespeare, Balzac, Flaubert, Stendhal e tantos outros, oito séculos transcorreram e a tradição permanece e ainda incendeia nossas almas cindidas que assim como as esferas partidas do mito da androgenia continuam a vagar pelo mundo em busca de sua tão ansiada e idealizada cara-metade. Decididamente o amor é desejo de completude, e o desejo de completude é uma necessidade profunda e intrínseca da alma humana.
    O amor idílico e galante surgido no lirismo erótico-amoroso do século XII aproximou indissoluvelmente a alma do corpo. Na Antiguidade clássica havia também, é claro, um ser humano que sentia, contudo o sentimento como tal era incômodo e estranho aos costumes da época. O que os menestréis gauleses fizeram ao “inventarem” o amor foi superlativizar o sentimento como tal.
    Na historicidade do conceito de amor encontramos, por exemplo, na Roma antiga a palavra amor, porém como sentido de passividade, ou seja, referindo a qualidade de ser amado. Enquanto para os gregos o amor tinha quatro termos: fileo (amor fraternal), agapeu (amor prazeroso), stergo (amor protetor) e erao (amor dos casais). Interessante pensar na história das palavras, pois elas revelam à visão de mundo de uma época. A etimologia, como refere Luiz Costa Júnior (in: O Menor Amor do Mundo), é a antropologia dos costumes.
    Os séculos XVIII e XIX vieram incrementar ainda mais a idéia (sim, amor romântico é uma ideologia) do amor romatizado, principalmente através da literatura romântica, assim como no século XX o cinema hollywoodiano bem se apropriou do conceito romântico sobre o amor para, inclusive, ganhar dinehiro, muito dinheiro, e assim também conquistar “corações e mentes”.
    Não, discordo categoricamente da maneira como se inicia e se conduz o texto comentado: o amor romântico não é universal. Observa-se, inclusive, uma confusão entre paixão e amor. Desse modo o texto acaba por discontribuir, talvez involuntariamente, para uma melhor percepção e distinção entre esses dois sentimentos humanos (paixão e amor). Pena, a idéia proposta pelo texto é boa, seu conteúdo apenas é frágil e vago.

  4. JOAQUIM CESARIO Diz:

    Complementado: caso alguém queira abrir uma melhor discussão sobre o assunto, ofereço meu e-mail: joaquimcesario@ig.com.br

  5. adv Diz:

    Gostei da sua contribuição Joaquim. Alguns autores que tenho lido recentemente (Regina Navarro, Flávio Gikovate…) chamam atenção para o fato de não ser um sentimento universal, mas estrito ao Ocidente, porém eles não dizem nada de como seria no Oriente. Devido a esse fato é que preciso me apoiar nas pesquisas de Hellen Fisher que são recentes e ampla sobre o assunto.

    Se você puder falar sobre como seria o sentimento de amor no Oriente seria interessante, pois me parece que os livros sobre o assunto – o que já é raro – tem deixado a deseja, deixando apenas a mensagem singela de que no Oriente não existe o “amor romântico”. – O que se tomarmos como ponto de partida o mito de Tristão e Isolda parece sensato, no entato, a idéia é pensar no “amor romântico” enquanto sentimento que vem reinando até os dias de hoje, embora já tenhamos tantas formas diferentes de relacionamentos ‘amorosos’, sendo a historicidade apenas um elemento para ajudar e não determinar.

    Quanto à distinção entre paixão e amor, este não é o meu foco, assim como não é – e tenho dúvidas quanto alguém que consiga isso – esgotar o assunto. A forma de abordar será ao longo de várias continuações, este é apenas 1 parte isolada ok; a idéia é que uma forma bem resumida de tratar sobre o assunto dará um total de 8 partes, por enquanto há apenas 4.

    Abraço

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