Salve o planeta e se der tempo, os humanos! - O Homem está morto!

Escrito por adv on 24 de janeiro de 2008 – 21:57 -



Prezada Sra. Marina Silva, ministra do meio-ambiente no Brasil, talvez você nunca lerá esse post, mas isso é um desabafo em poucas palavras de um Homo sapiens sapiens que a cada ato de crueldade contra à NATUREZA se sente mais emudecido e envergonhado. - Por favor, compreendam como sendo NATUREZA, em maiúsculas, todo e qualquer ser vivo, dos protozoários aos mamíferos.

Eu sei que existem pessoas boas. Podem utilizar quais adjetivos ou descrições quiserem para resguardar esses seres. Mas de longe, eu tenho nojo e vergonha de pertencer a uma espécie de bípedes que se autodenominaram racionais e se colocaram acima de todas as outras formas de vida. - Criamos um mundo de acordo com o que gostaríamos, não como ele é.

Nunca saberemos como ele é. - Não precisamos. Poderíamos viver muito bem aceitando nossa misteriosa existência em um Universo também misterioso. Mas para tudo que não sabemos nos sentimos inquietos. Damos nomes e significados as coisas. A ciência explica de uma determinada forma porque ainda não encontrou outra.

Muitos dirão que nossa linguagem e muito do que construímos é para facilitar nossa existência. Como assim, facilitar? - Dizemos que é para facilitar porque não conhecemos outras formas. Chamamos o momento atual que estamos vivendo de modernidade. Olhamos com desdém as épocas antigas, os medievais eram bárbaros, não tinham liberdade, eram escravos, se matavam, naquela época a vida era difícil… Será que os medievais também não se achavam “modernos”? E o amanhã, o que pensarão de nós? - Nos sentimos livres para julgar as épocas passadas e achamos o nosso momento como o “melhor dos mundos possíveis”.

Quem somos nós? O que é ser racional? Os animais são irracionais e nós somos racionais ou nós criamos assim? - Quantas perguntas somos capazes de formular? Quantas ainda não formulamos? E outras tantas, lamentavelmente, formulamos e inventamos respostas que chamamos de “verdades”. - Mas, há uma coisa tão simples que podemos perceber em todas espécies de seres vivos, com exceção da nossa. Elas não se matam mutuamente. Alguns dirão que algumas espécies se comem, literalmente. Peço a licença de utilizar uma representação que damos para isso: canibalismo; é diferente, não tem significado de destruição da espécie como o que fazemos.

Estamos nos matando! Talvez acreditamos que alguma tecnologia vai nos salvar. - Sei lá! Talvez criamos uma bolha gigantesca, inflável e totalmente impermeável, criamos um novo “Novo Mundo”, deixa que as geleiras se explodam! Se a temperatura subir demais, criamos algum tipo de proteção gigantesca para ela não nos atingir. - Nossa imaginação é fértil demais, basta revirar um pouco os históricos dos deuses que criamos.

Essas ainda não são as palavras que gostaria de dedicar à questão do meio ambiente. É bem provável que eu nunca as encontre. Pois como disse, a cada notícia que ouço sobre as novas barbáries da espécie da qual eu e você pertencemos, contra à Natureza, mais eu fico emudecido. Mais distante me sinto de ser aquilo que chamamos de sociável. Mais conflitos existenciais e centenas de novas dúvidas.

Minha cara Sra. Marina Silva, depois de toda essa inquietação, espero que você ainda esteja me ouvindo, assim como eu te ouvi. Foram várias vezes, mas guardei tudo o que tem dito nesse tempo. Para dizer a verdade, foram poucas coisas para não dizer a única. Quando você se pronuncia me sinto com poderes sobrenaturais - o de prever -, sei que você irá dizer que as causas da desmatação é o avanço da soja, da carne, das plantações… Isto é óbvio, não precisa dizer. Qualquer sujeito desses denominados “racionais” sabe que estamos matando em nome do dinheiro! - Ou não?!

Sei que não é a salvadora do planeta, mas como representante dos brasileiros na defesa do meio ambiente deveria ser a que despertasse o agir em prol da Natureza nos cidadãos e nos nossos governantes. Mas o que você tem feito para coibir os tais “avanços”? É isso que, mais do que ouvir, gostaria de constatar. Mas pelo que tem feito, penso que a senhora seja aquela dita por Rubem Alves, que corta um pé de Ipê porque vê as folhas caídas na calçada como sujeira. Gostaria que você olhasse mais atenta a beleza das nossas matas, rios e animais e, à partir dessa constatação, implementar com urgência meios de evitar os tais “avanços”, pois é o que não queremos ver.

Do contrário, irei enlouquecer como Nietzsche. Não direi que “Deus está morto!” - O homem o matou. Direi que “o Homem está morto!”. - Os homens se mataram.

Não sou pessimista. Talvez com a extinção do planeta Terra uma nova gênese formaria uma espécie bem melhor do que nós nunca fomos, ou na impossibilidade, deixamos o novo planeta para as matas, os animais e os rios, pois, dentro do significado de “civilização” que criamos - não o de Freud -, os outros seres vivos estão bem mais próximos.

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