Você sabe de onde vem a idéia de tecnologia?

Escrito por adv on 7 de fevereiro de 2008 – 17:24 -



tecnologia

A maioria das pessoas se alegra com a idéia de possuir o que há de mais atual na tecnologia. Notebooks, iPods, iPhones, Playstations, MP3 Players, câmeras digitais… uma infinidade de objetos que até pouco tempo não existiam, se multiplicam em proporção assustadora. A tecnologia, principalmente a eletrônica, invade nosso cotidiano nos saturando com informações, serviços e entretenimento. O chamado “mundo digital” nos passa o virtual confundido com o real, lidamos mais com signos do que com significados.

Você sabe de onde vem a tão cultuada idéia de tecnologia? – Não é algo tão recente. Para compreendermos melhor, faz-se necessário que nos situemos um pouco na História, ao final, farei algumas considerações críticas.

A idéia de tecnologia tem suas origens na Filosofia Moderna, que data do século XVII a meados do século XVIII. Esse período, conhecido como o Grande Racionalismo Clássico, contesta a fé que até então estava acima da razão, sucedendo às turbulentas discussões da Igreja marcada pela Reforma e Contra-Reforma. Nesse contexto, a Filosofia Moderna é marcada por três grandes mudanças intelectuais:

1) Deus e a Natureza perdem o posto de núcleos explicativos do Universo. O homem passa a ser o sujeito do conhecimento, sendo o intelecto de natureza diferente dos demais corpos existentes, assim, questiona-se até que ponto podemos demonstrar conhecimento e como o intelecto poderia conhecer o que é diferente dele.

2) A segunda mudança parte da resposta a pergunta acima. Para os filósofos modernos as coisas só são passíveis de conhecimento se tomadas como representações, isto é, enquanto idéias ou conceitos formuladas pelo intelecto e para o conhecimento.

3) Enfim, a terceira grande mudança advêm do conceito da realidade proposto, tempos atrás, por Galileu; concebida enquanto um sistema racional com elementos físicos com estrutura que só pode ser conhecida através da matemática.

Para Galileu o mundo estava “escrito” em caracteres matemáticos e se quiséssemos entendê-lo teríamos que conhecer e avançar na matemática.

A idéia de realidade enquanto um sistema racional composto de mecanismos físicos e matemáticos deu origem à ciência clássica, onde tudo poderia ser descrito à partir das relações de causa e efeito, isto é, um conhecimento mecânico que teve em Descartes o seu principal expoente.

Assim sendo, tomando a realidade como um sistema de causalidades racionais que pode ser conhecida e transformada pelo homem, cria-se a idéia de tecnologia, isto é, um conhecimento teórico formulado racionalmente orientando ações e intervenções na prática, criando um domínio do homem sobre a Natureza e a sociedade, de modo que ambas possam ser modificadas tecnicamente.

Podemos dizer que o berço da tecnologia vem da Filosofia Moderna, seus principais representantes depositaram, como nunca antes, total confiança na razão humana enquanto esclarecedora do mundo das coisas. Além do próprio Galileu que parece ter nascido em um momento inoportuno para suas idéias, Francis Bacon, Pascal, Berkeley, Newton, Leibniz, Thomas Hobbes, Espinosa, Locke e Descartes foram os principais pensadores que deram início ao que viria se cristalizar depois na Filosofia do Iluminismo em meados do século XVIII, tendo como fonte quase que onipotente e onipresente, a razão humana.

Até serem questionados pelos filósofos contemporâneos que irão apagar todas as “luzes” do “século das luzes”, ou quase todas…

Epílogo

A maioria das pessoas se alegra com a idéia de possuir o que há de mais atual na tecnologia. Notebooks, iPods, iPhones, Playstations, MP3 Players, câmeras digitais… uma infinidade de objetos que até pouco tempo não existiam, se multiplicam em proporção assustadora. A tecnologia, principalmente a eletrônica, invade nosso cotidiano nos saturando com informações, serviços e entretenimento. O chamado “mundo digital” nos passa o virtual confundido com o real, lidamos mais com signos do que com significados.

A tecnologia produz em excesso; em geral suas oferendas têm desempenho mais alto do que as produzidas pela mecânica, mas são largamente inferiores no que diz respeito à duração. Veículos que usam placas finas de aço para virarem sucata na primeira colisão, eletrônicos e máquinas com chips extremamente sensíveis a qualquer alteração do ambiente ideal de funcionamento são alguns dos inúmeros exemplos.

Tudo produzido de forma a ser fisicamente deteriorado, senão for desta maneira, morre pelo tempo. Ao adquirir um produto tecnológico estamos fazendo um pacto para comprar um novo em um período relativamente curto, nem que for para mudar as cores ou as luzes; do contrário, podemos ser o neurótico que padece de um sentimento de vazio por ter ficado atrasado em relação ao novo, inferiorizado em relação à sociedade.

Bugigancas inimagináveis em embalagens apoteóticas estão por toda parte pronta para nos escravizar. – Se usarmos a farsa capitalista que garante que somos os responsáveis únicos de todas as nossas escolhas, teremos apenas duas escolhas: consumir ou morrer! Mas podemos, através de uma educação com conteúdo reflexivo das nossas próprias ações, assumir uma postura crítica diante da realidade no sentido de transformá-la. Nesse sentido, podemos contribuir para formação de sujeitos que venham a usufluir, essencialmente, do “valor de uso” de determinada mercadoria, em detrimento do conteúdo estético e sedutório que são valores irreais.

A idéia do novo é renovada antes mesmo de um produto ir à venda. As pessoas refletem no objeto seus desejos e fantasias, algo que já comentei por aqui no fetichismo da mercadoria. Tecnologia é assim, vem como uma onda lhe oferecendo o que há de melhor, quando ela abaixa, suas oferendas se tornam o refugo do amanhã. Nos países subdesenvolvidos, carinhosamente chamados de “emergentes”, fica-se com o fim da onda, ou seja, o obsoleto adquire novamente o formato do “novo” e é vendido a preço de ouro. – Um ciclo que se repete, até que a mercadoria já esteja com sua capacidade sedutória esgotada, perfazendo a movimentação do capital.

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11 Comentários em “Você sabe de onde vem a idéia de tecnologia?”

  1. Paulo Diz:

    Gostei de ler. Parabéns pelo texto.

  2. adv Diz:

    olá Paulo, obrigado. Dei uma visitada em seu blog, seus poemas são mto bons! Algo que nunca soube escrever, no entanto fico com espectador, apenas apreciando ;)

  3. anderson modesto da silva Diz:

    gostei

  4. ronys Diz:

    eu tambem gostei muito de ter lido isso cada dia eu estou pesquisando coiza nova na net quando eu encotrei isso eu mim interecei muito para ir até o final
    para bem …..

  5. Talyssa Diz:

    Olá! Adorei o artigo e gostaria de utilizar trechos para um trabalho. Porém, preciso citar nome e sobrenome do autor, será que alguém poderia me dar essa informação? Obrigada (:

  6. nubia vasconcelos Diz:

    O texto é bastante interessante e nos mostra a importância da tecnologia que desde os primórdios o homem já percebia a necessidade da tecnologia para facilitar a sua vida para o contato com outros e tantas outras finalidade enriquecimento que a mesma proporciona.

  7. Fran Diz:

    O que achei interessante,é que a tecnologia quase que nos escravisa,parece que somos obrigados a sempre ter o objeto mais novo,mais e mais,se nao conseguimos ter o mais novo,sentimos que não estamos alcançando o andar do mundo digital.

  8. Otvio dos Santos Diz:

    É um texto muito informativo,na verdade a tecnologia não só nos escravisa, como também,nos deixa submissos ha ela, tornando indispensável o seu seu.

  9. Elissandra Pinheiro de Oliveira Diz:

    É interessante pensar que a tecnologia está sempre em constantes mudanças de tempos em tempos.

  10. sandro barboza Diz:

    Esse é um texto profundo. Como é bom saber que a tecnologia faz bem para a humanidade, quando o que dela advem é para o bem. a tecnologia vem da filosofia, do pensar,planejar e executar, e assim se faz construir um mundo sofisticado.

  11. Maria josé Diz:

    Esse texto nos mostra a importância da tecnologia para nossas vidas.Estamos sempre em mudanças aprendendo mais a conviver com os objetos novos que chegam nesse meio que vivemos despertando nossos interesses, pois quanto mais há evolução mais adquirimos conhecimentos .

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