Masturbação: verdades e mentiras
Escrito por adv on 31 de março de 2008 – 14:39 -
Assim como o pai do garoto do post abaixo, a sociedade sobre a égide do patriarcado e do monoteísmo está repleta de mitos e crenças que, embora diferenciadas, todas têm em comum a clara intenção de repreender homens e mulheres que descobrem os prazeres sexuais.
Na Idade Média o sujeito que se masturbava era considerado herege, pervertido, possuído por demônios. Hoje os “demônios” foram expulsos, mas deixaram o sujeito aprisionado no sentimento de culpa, principalmente, os adolescentes.
Até a ciência já cometeu erros grotestos que visavam banir a masturbação. No século XVIII, médicos diziam que o esperma contribuia para defesa do organismo, sendo a ejaculação um ato que desperdiçaria o sêmen, tornando o organismo vulnerável à patologias. “Médicos higienistas” declaravam em livros e textos que a masturbação causava convulsões, palpitações, tormentos, dores de cabeça, cãimbras, etc.
Também há registros de “cintos de castidade”, muito usados nos conventos, com o intuito de não permitir a ereção dos jovens durante o sono ou a violaçao da virgindade da dama. Ainda hoje há culturas que retiram o clitóris da criança do sexo feminino. Nos homens retira-se o prepúcio (circuncisão), prática acobertada pela farsante argumentação de que é para fins de higiene, além dos motivos religiosos envolvidos.
Fato é que, no atual momento, muitos mitos e crenças sobre masturbação foram expurgados. Mas ainda há muitos outros que seguem fazendo vítimas e mais vítimas de um sistema que tem ao longo da história da sexualidade, uma história de repressão sexual.
Masturbar faz crescer pêlos nas mãos; causa impotência; faz crescer os “mamilos”; causa espinhas; faz crescer o pênis…etc. - Há dezenas de bobagens que são ditas por ai que não merecem nossa atenção.
Nesse cenário, a masturbação, principalmente entre as mulheres, ainda é uma prática cheia de mitos e crenças tidos como verdades ou “meias verdades” que visam simplesmente o controle bruto do prazer. Atualmente, no caso dos homens, alguns pais estimulam a criança a tocar o pênis desde a infância, acreditando que tornarão seus filhos mais “machões”, e acabam contribuindo ainda mais para o sustento da repressão sexual.
Os tantos absurdos que ainda permanecem velados mas efetivos no controle do prazer sexual, têm contribuido para formação de seres humanos mais repreensivos, repleto de temores e medo na hora “H”. Sujeitos que desconhecem o próprio corpo não sabem controlar as sensações para se obter o máximo prazer, apenas repetem o sexo mecanicamente implícito na ideologia patriarcal. No caso das mulheres a situação é bem mais triste que a dos homens, algumas morrem sem nunca terem atingido um orgasmo, não muito raro, muitas nem acreditam nessa possibilidade!
Como regra geral para essas breves considerações, saiba que a masturbação é uma prática fundamental e não tem idade para começar nem terminar - pelo menos até a morte -, pois permite um autoconhecimento do corpo e uma experimentação das sensações e emoções envolvidas no prazer, além de estimular o cenário lúdico dos desejos e das fantasias.
*Imagem: Mulher sentada de coxas abertas (1913) - Gustav Klimt
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