Mãe de Isabela Nardoni não chora morte da filha
Escrito por adv on 9 de abril de 2008 – 20:57 -Entre as diversas opiniões, uma delas se destaca: acusam a mãe biológica de culpada por ser “fria”. - Essa opinião talvez seja devido ao fato da mãe não ter demonstrado a tristeza na qual as pessoas esperam diante das circunstâncias, isto é, o assassinato da filha.
Desconsiderando o mérido da questão, não cabendo discutir aqui quem cometeu o crime, acho válido fazer algumas considerações.
A mãe biológica da menina tem declarado em público que não chora porque a filha não gostava de ver pessoas tristes. Muitos têm ficado espantado com a atitude da mãe, esperam que diante de situações frustrantes e doloridas, as pessoas sejam inundadas de lágrimas e soluços.
Ora pois, o sentimento é individual e não universal. Podemos dizer que seres humanos experienciam alegrias e tristezas, mas a forma como cada um sente alegria e tristeza é individual. O que é alegre para mim pode muitas vezes não ser alegre para o outro.
O fato de experienciarmos uma tragédia não significa que temos que ter todos as mesmas reações. O nascimento de um filho causa risos para alguns e choro para outros, não necessariamente porque experimentaram alegria e tristeza respectivamente.
Raiva, amor, alegria, tristeza, desespero… entre tantos outros sentimentos, são experiências próprias nas quais reagimos de acordo com nossa história prévia; as percepções e as reações psicofisiológicas envolvidas variam muito entre os indivíduos. Se digo que estou com raiva é porque aprendi a chamar de raiva determinadas sensações em dadas circunstâncias.
Não é raro as pessoas assumirem uma posição de “normalidade” diante de situações que mudam drasticamente o ambiente - perda de um membro da família, perda física, doenças graves, etc. Seres humanos são facilmente condicionados à padronizações e hábitos, quando o ambiente muda de forma considerável, muitos são tomados por insegurança e apreensão, podendo reagir de diferentes maneiras. Posso apresentar uma série de reações emocionais consideradas “desequilibradas” ou posso reagir de forma mais amena, é a idéia de que “a ficha ainda não caiu”.
O enfrentamento da morte para as pessoas também é uma experiência única. Não significa que quem chora diante da perda de alguém está sofrendo e que a ausência do choro significa que “tudo está muito bem”.
É comum - mas não uma lei de causa e efeito - que em situações de luto o sujeito evite o choro e posteriormente pode desenvolver grave quadro clínico de depressão. O choro certamente que é uma reação fisiológica de grande importância para seres humanos, após o choro costumamos nos sentir aliviados, mesmo que momentaneamente.
Reiterando, não cabe discutir aqui o mérito da culpa, mas tais apontamentos tem em vista emitir um alerta de que a ausência do choro da mãe biológica de Isabella Nardoni não tem consistência no sentido de culpabilizá-la.
O fato de lembrar que a filha não gostava de ver pessoas tristes pode estar servindo para ela como uma mecanismo de defesa legítimo para enfrentar a situação.
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