A neutralidade e a objetividade do positivismo - piadas de mau gosto ou ciência?

Escrito por adv on 19 de abril de 2008 – 0:05 -



platao aristotelesO positivismo, corrente de pensamento que surgiu no fim do século XIX, com seu principal expoente, Auguste Comte, diz que o homem tem 3 níveis de compreensão. O teológico, primeiro nível, na qual as explicações são buscadas apelando ao sobrenatural; o metafísico que embora faça muitas questões existenciais que irão ganhar corpo, sobretudo, no existencialismo, faz também um apelo ao absoluto, portanto, entendo como uma busca pelo místico; por fim, o último nível, o positivo, é onde o homem adotaria uma posição neutra e objetiva diante da realidade para compreender o mundo.

E é justamente o nível positivo, isto é, a fortíssima idéia de neutralidade, que é ainda tão presente, principalmente, nas ciências naturais. Muitos têm a idéia de que a ciência é neutra e objetiva, ou pelo menos imaginam que deva ser. A idéia de neutralidade do homem na compreensão do mundo físico e até mesmo no subjetivismo parece mais uma piada de mau gosto.

Qual ser humano consegue olhar para algo adotando uma posição neutra em relação ao objeto? - A própria escolha do objeto de estudo já deixa de ser neutra. O cientista não pesquisa algo que antes não passou pelo seu pensamento, sofrendo uma série de impressões humanas de acordo com o seu conhecimento já acumulado.

A objetividade, outro elemento que tem forte conotação positivista, supõe que a dimensão subjetiva deve ser suspensa. O que importa é o físico, o empírico, o resto deve ser descartado se quisermos descobrir as “leis” naturais. - Algum homem consegue olhar para a realidade sem pensar, sem sentir mais interesse por “A” ou por “B” ou omitir os próprios aspectos perceptivos? A própria linguagem do homem sofre impressões pessoais, podemos expressar idéias que assumem um sentido semelhante, mas nunca exatamente igual nas mesmas palavras e modos de compreensão.

Nesse sentido, o olhar lançado à realidade jamais se pretendeu neutro e sua interpretação também não será neutra. Isso não significa que a compreensão deixará de ser séria ou científica, significa apenas assumir que somos seres biológicos, sociais e culturais. Não há um mundo, há o meu mundo, o seu, o dele, etc. O mundo está completamente “influenciado” pelas impressões humanas. Como nos ensina Nietzsche, somos “humanos, demasiadamente humanos”.

Para a objetividade em sentido positivista, podemos trocá-la por fidedignidade, ou um esforço de se chegar o mais próximo possível de uma compreensão da realidade. No caso da neutralidade, talvez seja mais sensato deixá-la adormecida no túmulo de Comte.

*Imagem: Platão e Aristóteles, da esquerda para direita (Wikipédia). Aristóteles, considerado o “pai” da metafísica, não descartava a idéia de algo absoluto na explicação das coisas.

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