Cuidado com política apocalíptica dos religiosos tirânicos

Escrito por adv on 29 de abril de 2008 – 13:13 -



Está em trâmite no Senado o projeto da Lei 122/2006 de autoria da ex-deputada Iara Bernardi (PT) que dispõe sobre penalidades a crimes de discriminação de sexual contra orientações homossexuais e transexuais, coibindo ainda, a discriminação racista.

O assunto tem causado furor no meio religioso que vê a lei enquanto uma política de Sodoma e Gomorra. Entre os líderes religiosos que não aceitam a igualdade entre as pessoas de orientações sexuais diferentes da heterossexual, o que tem maior destaque é o pastor Silas Malafaia na qual já foi apresentado nesse blog e continuarei apresentando sempre que possível.

A prática homossexual encontra forte resistência imposto pelo modelo de família nuclear, advindo do patriarcalismo e historicamente resguardada pelo Cristianismo. A família correta é papai, mamãe e filhinhos, de preferência, loirinhos ou branquinhos.

Qualquer configuração diferente da família nuclear é posto como um desvio, uma anormalidade. Crianças de pais separados são taxadas como “problemáticas” e uma série de julgamentos de valor infundados.

A união conjugal entre duas pessoas do mesmo sexo com a possibilidade de adoção de filhos é um câncer para uma sociedade que remonta de alicerces autoritários, machistas e um veneno sacrossanto atendido pelo nome de Cristianismo.

O que garante que uma família nos moldes tradicionais é o “bom”? Quantos casamentos ocorrem sem amor ou harmonia? Quantas crianças são abandonadas ou mortas brutalmente, filhas de famílias constituídas sob o manto sagrado da instituição Casamento?

Em meio a milhares de templos erguidos à custa de uma prática de arrecadação de dinheiro sem precedentes, em meio a milhares de líderes religiosos sibilosos interessados em julgar o que é o “normal” e o “anormal”, em meio a uma crescente religiosidade que se confunde com tirania, faz-se necessário, urgentemente, fazermos frente não apenas pelos direitos dos homossexuais, mas pelo direito à IGUALDADE.

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9 Comentários em “Cuidado com política apocalíptica dos religiosos tirânicos”

  1. aureo luiz assumpção marins Diz:

    Prezado ADV: No meu modo de entender, acho que homossexual é uma anomalia. Se todos daqui pra frente nascessem homossexuais, homem gostando de homem e mulher gostando de mulher, o ser humano desapareceria. Agora, ser contra uma pessoa homossexual, só mesmo quem enxerga não mais do que um palmo diante do nariz. Ninguém escolhe ser homossexual, a pessoa já nasce com esta tendência e fim de papo. Entretanto, ser pastor e usar a bíblia na mão como uma arma fosse, isso sim é uma escolha. O pastor Malafaia, que usa e abusa da bíblia, só lê os trechos que lhe interessa. Na bíblia diz que Deus, sabia, sabe e sempre saberá de tudo. Portanto, quando ele fez o homem, sabia dos efeitos colaterais, secundários e reações adversas que a sua obra prima causaria ao mundo. Se o fabricante coloca um produto no mercado com algum defeito, ele é o responsável. Quanto ao livre arbítrio, não passa de uma válvula de escape.Finalizo parabenizando-lhe pelo belo artigo com que você nos brinda. Salve o Bispo Macedo , salve o missionário R.R.Soares, salve o soft pastor Malafaia, salve-se quem puder. Para quem acredita neles, Amém, para quem não acredita, ALELUIA.

  2. adv Diz:

    Obrigado pelas colocações e o belíssimo trecho abaixo. No entanto, discordo que o homossexualismo seja uma doença inata. Me parece que não da pra falar de orientação sexual desconsiderando os efeitos culturais e sociais sobre a escolha. Além do fato de existirem homossexuais que já foram heterossexuais.

    “Portanto, quando ele fez o homem, sabia dos efeitos colaterais, secundários e reações adversas que a sua obra prima causaria ao mundo. Se o fabricante coloca um produto no mercado com algum defeito, ele é o responsável. Quanto ao livre arbítrio, não passa de uma válvula de escape.”

  3. aureo luiz assumpção marins Diz:

    Prezado ADV: Obrigado pelas palavras elogiosas, mas veja o que diz a HBIGDA.
    Segundo a HBIGDA (Associação internacional Harry Benjamin de disforia de gênero), os dados coletados em alguns países podem demostrar segundo estimativas conservadoras que existem no mundo cerca de 100 milhões de pessoas caracterizadas como portadoras de intersexualidade do tipo 1, geradas por alterações de cariótipo (dependendo das estimativas e levantamento de dados, este numero pode dobrar). Cariótipos de intersexo humano

    Dentre as ANOMALIAS que geram a condição de intersexualismo, existem algumas clássicas segundo Thompson:
    1- a síndrome de Tuner (cariótipo )
    2- a síndrome de Klinefelter (cariótipo )

    Nessas duas, o corpo apresenta características secundárias que não são típicas nem de um macho (46, xy) nem de uma fêmea (46, xx), e em quase todos os casos, apresentam esterilidade e má formação das gônadas.
    entre estes casos, aproximadamente 4 porcento são tidos como casos de intersexualidade do tipo 2, ou transexualidade.

  4. adv Diz:

    Estou certo de que há fontes que colocam o homossexualismo enquanto algo inato, recentemente, um jornalista americano escreveu um livro com a mesma idéia, na qual não me lembro o nome. Da mesma forma como há fontes que vão sustentar a idéia de que a orientação sexual depende do espaço sociocultural.

    Vamos imaginar o homem primitivo, sem desenvolver a linguagem e convivendo em pequenos grupos. Será que eles não seriam como a grande maioria dos animais, isto é, bissexuais? – (In)Felizmente não temos como fazer tal experimento.

    As más formações genéticas quanto à sexualidade me parece que são coisas bem diferentes das orientações sexuais. Casos não muito raros acontecem com hermafroditas que ao nascer são dados com determinado sexo e gênero mas formam uma identidade sexual oposta a que foi dada.

    Recentemente falei algo a respeito das diferenças de sexo e gênero, embora seja pouca coisa a respeito, talvez lhe sirva em algo: http://www.logdemsn.com/2008/04/20/
    homem-e-mulher-diferencas-ou-invencoes-humanas/

    Caso você goste da área, tem um livro recente chamado “Cama na Varanda”, possível de ser encontrado em ebook para download, de uma psicanalista chamada Regina Lins. Tenho algumas divergências em relação ao ponto de vista dela, no entanto, é uma leitura gostosa e interessante, sobretudo porque aponta algo bem visível na sociedade, que se referese às mudanças entre os vínculos entre as pessoas.

    Não desconsidero que a genética possa ter alguma responsabilidade, fica difícil predizer o que é da genética e o que não é. Mas a idéia determinista, isto é, de que A sempre causará B, parece ser superável.

  5. aureo luiz assumpção marins Diz:

    Prezado ADV: Longe de querer polemizar, quando fiz meu primeiro comentário no seu artigo, usei a palavra ACHO. Não tenho conhecimento de causa para afirmar nada, apenas gosto de ler pessoas habilitas no assunto e já vi que você é uma delas. O que posso afirmar com certeza, é que estou gostando muito das coisas que você escreve. Um grande abraço com um profundo respeito.

  6. aureo luiz assumpção marins Diz:

    Prezado ADV:Longe de querer polemizar, quando fiz meu primeiro comentário no seu artigo, usei a palavra ACHO. Não tenho conhecimento de causa para afirmar nada, apenas gosto de ler pessoas habilitadas no assunto e já percebo que você é uma delas.O que posso afirmar com certeza, é que estou gostando muito das coisas que você escreve. Um grande abraço com um profundo respeito.

  7. adv Diz:

    Olá Áureo, eu tb não tive a intenção na réplica, desculpe se causou outra impressão. Admiro seus comentários, são inteligentes e não impõe autoridade como muitos fazem. Não me considero habilitado mais que ninguém, no final das contas, todos nós sabemos uma ínfima parcela daquilo que chamamos de “realidade” e ainda poderemos estarmos enganados, mas precisamos de construir conhecimento para caminhar, nem que seja para no futuro refutá-los e modificá-los ;)

  8. Isaac Alves Diz:

    Prezado ADV: Apesar de não ser religioso, tenho respeito por todas as religiões, posso te garantir que sou evangélico porque li a Bíblia Sagrada e me converti; descobri que Jesus Cristo nunca foi religioso e se fosse não seria Católico, Testemunha de Jeová, e tantas outras mais, que se dizem Cristã. Jesus Cristo por ser Israelita certamente sua religião seria o Judaísmo, criado por Moises, tão logo tirou o povo do Egito. Pois bem, Jesus Cristo não perdeu tempo com a religião e nem tirou de lá nenhum beato, ninguém para acompanhá-lo. Seus discípulos foram pessoas da rua; simples, alguns pouco letrados pescadores, médicos, etc. sem compromisso religioso. Na realidade Ele não nos ensinou religião. Como Filho de Deus, Ele nos ofereceu uma nova modalidade de vida, o Seu Evangelho Santo. Baseado no amor, no perdão, na tolerância e na justiça. Para que o homem perdoado por Ele e de forma livre pudesse ter sua vida respaldada por seus ensinamentos pudesse viver feliz e bem seguro. Deus não obriga a ninguém segui-lo, o sujeito é livre para pensar, dizer, escrever, agir; em fim usar do seu livre arbítrio; uma doação de Deus ao homem dentro de um espaço; e de um tempo, chamado de vida. A gora Ele cobra responsabilidade. O sujeito vai colher com fartura tudo aquilo que ele semeou. Quem planta corrupção, prostituição, pedofilia, homossexualismo etc. …não pode colher outra coisa. Normalmente por desconhecimento de causa o homem quer responsabilizar Deus. Veja o que diz a Bíblia a Palavra de Deus: (Romanos 1:27) E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. Mateus 5:32 32 Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério, e qualquer que casar com a repudiada comete adultério. Mateus 15:19 Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. Na realidade todo homem natural sem o conhecimento da Palavra está perdido. Do que pensa ou escreve pouco se aproveita; logo tudo passa, e uma nova geração se levanta pior do que a primeira. Discordo em parte do que você escreveu, quando se refere a pregadores ilustres e respeitados ungidos para pregar 24 horas do dia, alertando a humanidade para o perigo de termos cada vez mais um mundo muito pior. Veja o que diz a Bíblia em II Timóteo 3:1 SABE, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. Que você e eu não estejamos no meio dessa multidão; com certeza não vamos encontrar neste meio o Sr. Edir Macedo, Silas Malafaia, RR Soares, o Papa – São pessoa eleitas por Deus para modificar o homem decadente dos últimos dias. – Com todo respeito a eles e você – um grande abraço – Isaac.

  9. Eliezer Diz:

    Verdades e Mentiras sobre o PLC 122/06 (A Lei contra Homofobia)

    Desde que começou a ser debatido no Senado, o projeto de lei da Câmara 122/2006, que define os crimes resultantes de preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero tem sido alvo de pesadas críticas de alguns setores religiosos fundamentalistas (notadamente católicos e evangélicos).

    Essas críticas, em sua maioria, não têm base laica ou objetiva. São fruto de uma tentativa equivocada de transpor para a esfera secular e para o espaço público argumentos religiosos, principalmente bíblicos. Não discutem o mérito do projeto, sua adequação ou não do ponto de vista dos direitos humanos ou do ordenamento legal. Apenas repisam preconceitos com base em particulares interpretações religiosas.

    Contudo, algumas críticas tentam desqualificar o projeto alegando inconsistências técnicas, jurídicas e até sua inconstitucionalidade. São críticas inconsistentes, mas, pelo menos, fundamentadas pelo aspecto jurídico. Por respeito a esses argumentos laicos, refutamos, abaixo, as principais objeções colocadas:

    1. É verdade que o PLC 122/2006 restringe a liberdade de expressão?

    Não, é mentira. O projeto de lei apenas pune condutas e discursos preconceituosos. É o que já acontece hoje no caso do racismo, por exemplo. Se substituirmos a expressão cidadão homossexual por negro ou judeu no projeto, veremos que não há nada de diferente do que já é hoje praticado.

    É preciso considerar também que a liberdade de expressão não é absoluta ou ilimitada – ou seja, ela não pode servir de escudo para abrigar crimes, difamação, propaganda odiosa, ataques à honra ou outras condutas ilícitas. Esse entendimento é da melhor tradição constitucionalista e também do Supremo Tribunal Federal.

    2. É verdade que o PLC 122/2006 ataca a liberdade religiosa?

    Não, é mentira. O projeto de lei não interfere na liberdade de culto ou de pregação religiosa. O que o projeto visa coibir são manifestações notadamente discriminatórias, ofensivas ou de desprezo. Particularmente as que incitem a violência contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.

    Ser homossexual não é crime. E não é distúrbio nem doença, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Portanto, religiões podem manifestar livremente juízos de valor teológicos (como considerar a homossexualidade “pecado”). Mas não podem propagar inverdades científicas, fortalecendo estigmas contra segmentos da população.

    Nenhuma pessoa ou instituição está acima da Constituição e do ordenamento legal do Brasil, que veda qualquer tipo de discriminação.

    Concessões públicas (como rádios ou TV’s), manifestações públicas ou outros meios não podem ser usados para incitar ódio ou divulgar manifestações discriminatórias – seja contra mulheres, negros, índios, pessoas com deficiência ou homossexuais. A liberdade de culto não pode servir de escudo para ataques a honra ou a dignidade de qualquer pessoa ou grupo social.

    3. É verdade que os termos orientação sexual e identidade de gênero são imprecisos e não definidos no PLC 122, e, portanto, o projeto é tecnicamente inconsistente?

    Não, é mentira. Orientação sexual e identidade de gênero são termos consolidados cientificamente, em várias áreas do saber humano, principalmente psicologia, sociologia, estudos culturais, entre outras. Ademais, a legislação penal está repleta de exemplos de definições que não são detalhadas no corpo da lei.

    Cabe ao juiz, a cada caso concreto, interpretar se houve ou não preconceito em virtude dos termos descritos na lei.

    Fonte: Projeto Aliadas/ABGLT

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