O Brasil do “futebol”

Written by adv on 5 de julho de 2008 – 20:02 -

Há vários posts sobre futebol aqui no Log de MSN, todos descompromissados, resguardados nas devidas proporções do cotidiano. Na verdade são mais conteúdos que se enquadram nas diretrizes daquilo conhecimento como “blogosfera”. Recentemente fiz uma montagem bem simples mas que o resultado final deixou-me um pouco surpreso. Rapidamente, aproveitei e tentei colocar as inquietações em palavras. Abaixo a imagem e um pouco do conteúdo.

Com os pincéis ideológicos do Estado, dos capitalistas, da mídia e de uma população mais vítima do que culpada, o quadro do terror de um país onde reina com prosperidade a arcaica política do “pão e circo” em sua versão moderna conhecida apenas como “circo”, dá lugar a uma vida que pintamos em um fictício paraíso tropical marcado pela violência e pelas desigualdades sociais, onde repressores, ditadores, craques de bolas, religiosos e apresentadores de auditório desfilam juntos recebendo os aplausos de uma platéia de fanáticos. Fonte: Eterno Retorno


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Fragmentos e destroços advindos do existencial

Written by adv on 17 de junho de 2008 – 16:34 -

Como de rotina, quando meus rins páram de funcionar, submeto-me a longos e tediosos dias em um leito de hospital. – Saúde é uma excelente mercadoria ao capital, pelo menos enquanto o doente não morre, pois é preferível que ele fique sofrendo por vários dias. Custeado pela empresa, tive direito a um quarto e banheiro individual, frigobar – embora eu não pudesse usar uma vez que um doente renal crônico na minha situação não podia beber nada -, TV a cabo, ar condicionado, telefone, além de 4 boas refeições diárias. Só esqueçaram que para um doente tudo aquilo não tinha valor algum.

Parece o paraíso se pensarmos no oposto que ocorre na saúde pública no Brasil. – Mas não é! Sinto-me como um morto que ressuscitou novamente. Não pela graça de Deus. Mas pelo progresso científico que tem possibilitado os avanços médicos em tantas áreas, podendo aliviar o “sofrimento” de muitos.

Sofrimento entre aspas pois não são todos que gostam de passar dias no hospital e se recuperar. – No meu caso, preferia dispensar todo mal-estar e voltar a ser cadeias de carbono na natureza. Não foi a primeira, e nem será a última vez que tive que ficar paralisado num lugar que cheira à morte agonizante. Mas são poucos que têm a sorte de ter uma morte instantânea em um dia belo onde os pensamentos saltam em elementos positivos.

A juventude me ajuda. Um metabolismo altamente poderoso conquistado com muito exercício físico me dá o direito de ter uma recuperação rápida. Mas e o amanhã? – Sei que um dia meu corpo já não responderá tão bem, entre as potencialidades que temos em aberto, carregamos a certeza do envelhecimento, embora a indústria da beleza faz de tudo para escondê-la.

Vejo o amanhã através do eterno retorno. Muito exercício físico, muita massa muscular, uma dieta impecável, sem fumar, sem beber e por fim, usar tudo isso como moeda de troca na próxima recaída, adiando a morte ou pelo menos recuperar-se rapidamente.

Recupera-se o sistema fisiológico, mas a tarefa mais difícil é (re)construir novos sentidos, novas (res)significações, (re)pensar os pensamentos, voltar a caminhar tendo em vista um objetivo a ser percorrido, qualquer que seja.

Parece-me que cada vez que ficamos entre a vida e a morte e retornamos para a vida desvendamos mais um “mistério” da vida – mistério pelo fato de fecharmos os olhos e usar imaginação fértil para construir os sentidos. No final das contas o rei, a rainha e o peão irão todos para o mesmo lugar. Há vários recordes para se cumprir essa trajetória, mas não há troféu no final.

Quando a indústria da beleza, da moda, das dietas e uma parafernalha completa que afaga a idéia de uma vida saudável por um longo tempo te bater à porta, pense em beber e comer mais aquilo que você gosta. Fume mais, cheire mais. Seres humanos são capazes de colocar relação entre tempo de vida de um fumante e um não fumante, de um obeso e um malhado, acreditam que comendo frutas e legumes serão mais saudáveis do que se comerem frituras.

Ninguém é capaz de desvendar a totalidade das relações minuciosas que ocorrem na fisiologia do corpo como um todo. O câncer está para os vegetarianos, os carnívoros, os onívoros. Deixar de fumar não significa que você irá viver melhor e mais saudável. Comer aquilo que é agradável ao paladar ou aquilo que é potencialmente bom para o seu organismo não te dá o direito de viver mais ou menos. São todas potencialidades em aberto, mas você tem apenas uma vida para testar e sem direito a saber o resultado.

Cuidado com as hipóteses que a indústria do “bem-estar” oferece arbitrariamente, todas elas poderão não se concretizar no seu organismo.

Gostaria de corticóides para recuperar meus pensamentos, meus sentidos, meus planos, minhas metas. Mas não há. Por isso me aqueço com a idéia de jamais construir sem antes pensar na desconstrução, no constante devir entre a vida e a morte.

No momento estou apenas sentado no centro, analisando o vazio, o nada, o existencial. A paisagem se molda pelas ruínas do que sobrou. Preciso recolher, espantar a poeira para encontrar as palavras, os pensamentos, a criatividade, os planos… um dia desses eu faço isso, mas por enquanto reservo-me no direito de ficar na companhia do silêncio.

Enquanto isso irei me divertir ao ficar na platéia, olhando seres humanos bem polidos civilizadamente, etiquetados, protocolados, planejando o casamento dentro dos bons costumes, o trabalho, o acúmulo, o consumo… estão todos correndo para o matadouro sem olhar para os campos ao redor, embora estejam bem crentes de que estão progredindo.


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Precisamos caminhar – uma viagem através dos pensamentos de um ateu

Written by adv on 14 de maio de 2008 – 1:44 -

coment socrates

anjos-e-demoniosOs posts “A morte de Sócrates e a importância do seu pensamento“, “O que é Filosofia e para quê serve” e “O que é o Humanismo que surgiu no Renascimento” estão repletos de comentários com o mesmo teor do modelo acima.

Os títulos que começam com “O que é…”, “Como…” e outros que dão idéia de “receituários”, vêm na contramão dos meus pensamentos. Textos que começam com essas palavras me parecem se reportar a um conhecimento que é estático, isto é, como se pudesse ser definido um fenômeno de uma determinada maneira que encerra o seu conteúdo, isso implica em ter uma “verdade” e uma “mentira”. – Vejo isso como uma pretensão imensa, por isso sempre carrego comigo, da mesma forma como os católicos carregam o terço, a humildade de que nada mais posso fazer além de representar de determinada forma a realidade, num processo de construção e desconstrução de caminhos, de modo a conseguir caminhar, sem se preocupar se algo “é” de determinada forma, prefiro dizer que no momento “está” se revelando de determinada forma ao meu modo de ver.

Dirão alguns – ou muitos – que isso é algo de pensamento “perturbado”, que não se satisfaz com nada – partirei então, dessa representação. Reporto-me às dificuldades que encontro para enquadrar determinado assunto em palavras, a cobrança que tenho comigo mesmo para precaver de passos em falso, muitas vezes em vão porque jamais daremos conta de abranger a totalidade. Essas características se devem, em parte, a Nietzsche que destruiu todos os corrimões e trincheiras onde residiam as aberrações da “verdade” e da “mentira”. Onde haviam fadas colocadas pela boa educação vinculada às ideologias positivistas e liberais, tão presentes, infelizmente, no nosso currículo educacional, sobretudo, nas escolas públicas, Nit colocou “demônios” que se debatem, criticam e questionam entre si.

Para “piorar” a situação, veio Schopenhauer e destruiu o meu mundo. Tudo que vejo, penso e comunico verbalmente e não-verbal, são representações, jamais são verdades ou mentiras, certo ou errado, ruim ou bom. Às vezes, acham que eu acredito na Ciência da mesma forma que um fiel acredita em Deus, pelo contrário, a Ciência pode ser tão perversa quanto os deuses, mas, ela é legítima, não exige que você acredite, pelo contrário, ela agradece quando você critica, questiona, cavuca e remexe ainda mais o que já parece ser o caos. – Incansável tarefa de encontrar o caos depois do caos.

Dawnkins e Sagan, dois cientistas de ótimo nível que têm me ajudado a construir meus poucos alicerces, propõem ver a alegria, as maravilhas, e tudo que há de belo em cada processo da evolução natural e elementos físicos, biológicos e químicos que harmoniosamente compõem a natureza. Para ambos, a Ciência é capaz de dar um colorido à vida mais belo do que aqueles que encontramos nas próteses e tranqüilizantes oferecidos pelo sobrenatural. – É um ponto na qual eu discordo de ambos, me parece que o conhecimento – científico e filosófico – é um forte sentinela destituído do seu cargo de guarnição, trazendo inquietações e dúvidas. Nesse sentido, eu não sei se é possível afirmar que um religioso é menos feliz do que um cientista. Não serão eles belos sonhadores que dormem sob o conforto maternal de anjos e arcanjos? Do lado oposto, não estará o conhecimento – aquele capaz de libertar das masmorras do senso comum – com a cruel tarefa de encontrar sorrisos escovando cadáveres soterrados?

Certamente que isto é mais uma representação, e não quero dizer que Sagan nem Dawnkins estão errados, mas sim, pensam diferente. Alguns dirão que eu sou pessimista, talvez eu tenha aprendido a pensar assim com Schopenhauer. Se a árvore do fruto sagrado for derrubada por desgraças naturais fica mais fácil colher os frutos. – Esse é o meu pessimismo – se assim posso chamá-lo -, buscar colher as flores que sobraram ou que ainda podem brotar sob os escombros das ruínas.

Quero acreditar que em todo ser humano há uma centelha de riso, basta saber provocá-la. Em um assassino frio que mata não por apreciar o sofrimento alheio, mas porque não aprendeu outra forma de se livrar do próprio sofrimento. Um suicida que não encontrou outra forma de fazer o último pedido de socorro: eu gostaria de viver, procurei por uma chance mas só assim encontrei uma forma para que olhassem para mim. Duas pessoas que deixaram de ser amigos ou que não puderam sentir se únicos num momento de abraço, porque não souberam e talvez ainda não saibam como comunicar no sentido de coabitar, falharam ao conviver com as barreiras do próprio ego. Assim, parece que não há pessimismo o suficiente para sepultar o mundo em uma tumba rigorosamente lacrada, por outro lado, não há otimismo o suficiente que dê conta de colorir o mundo com todas as cores que não somente aquelas que o pintor pode ver.

Enfim, gostaria de finalizar parafraseando Nit. Vamos imaginar um abismo separado por dois lados, um, representa o seu nascimento, o outro, representa a idéia de desembarque, chegar a algum lugar. Você deve construir uma ponte, cada passo representa um pedaço dessa ponte, porém, cada pedaço está em movimento como uma esteira, assim sendo, não há como parar nem voltar atrás, só há uma opção caso você queira prosseguir – construir novos pedaços e seguir em frente. Além dessa dificuldade, há algo que não conseguimos enxergar com nossos olhos acostumados a captar reduzidas dimensões, para cada pedaço de ponte construída, mais aumenta a distância para se chegar ao outro lado. É um esforço inútil, mais cedo ou mais tarde o abismo irá nos engolir.

Para quê buscamos conhecimento, para morrer mais ou viver mais? – Gostaria de retificar um dos pontos do meu pensamento, parece que é necessário representar uma “verdade”, aquela de que precisamos caminhar mesmo que não saibamos para onde estamos indo, ou a confortável idéia de que estamos caminhando para um local de desembarque que irá nos revelar novos caminhos. Na realidade, Nit não desconstruiu totalmente as verdades, do contrário teria se encerrado no niilismo, sua proposta reside, sobretudo, na transvaloração, libertar-se das algemas, ou o estar se libertando, já que a liberdade absoluta devemos deixá-la no baú dos contos fantasiosos.

Caro leitor que conseguiu suportar ler até aqui, desculpe pelas trilhas completamente diferentes que esse post seguiu quando este autor apenas pretendia brincar, através de duas colocações: 1) penso que há garotos e garotas copiando aqueles posts citados no início e entregando como trabalho pronto aos seus professores; 2) caso você queira visitas em seu blog/site use e abuse de posts que comecem com “Saiba como…”, O que é…”, “Como fazer…”, “Os 10 melhores…”, eu não irei ler, mas há muita gente em busca de receitas milagrosas para construírem a ponte, infelizmente. – Talvez um dia eu me arrependa de fazer o papel de advogado do diabo.

(…) ninguém poderá construir a ponte que você em particular terá de atravessar sobre o rio da vida – ninguém além de você mesmo. Evidentemente, existem inúmeros caminhos e pontes e semideuses prontos para transportá-lo através do rio, mas somente ao preço do seu próprio ser. Em todo o mundo, existe um único caminho que ninguém além de você poderá tomar. Para onde leva? Não pergunte, apenas siga-o. – Nietzsche

*imagem: Anjos guiando as almas no pós-vida – Hieronymus (1500-1504) - Wikipédia


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A filosofia de Nietzsche é culpada pelo Nazismo? – Não!

Written by adv on 9 de maio de 2008 – 23:34 -

nietzsche e o nazismoEntre os críticos, Nietzsche costuma ser responsabilizado por sustentar o Nazismo, mesmo que este tenha morrido 33 anos antes.

Para eles a idéia do Übermench (“super-homem”) é a idealização da eugenia alimentada por Hittler. – Tal interpretação aponta que esse homem proposto pelo filósofo é um homem imoral, absolutamente individualista e sem valores, aquele que dá ouvidos apenas aos ecos dos seu próprio ego.

Recentemente a autora Abir Taha publicou um livro intitulado “Nietzsche: o profeta do Nazismo “, que tem o objetivo de dar fim às falsas idéias que têm associado o super-homem com a ideologia nazista, esta última se alimenta sobretudo do racismo biológico, bem diferente do “novo homem” proposto por Nietzsche.

A autora ainda revela a apropriação – obviamente que errônea – que o Nazismo possivelmente fez de alguns pressupostos de Nit. Se a culpabilização de Nit pelo Nazismo for levada a sério, teríamos que culpabilizar a humanidade inteira pelos avanços tecnológicos e suas conseqüências danosas (guerras nucleares, destruições ambientais, gerras civis, etc.).

Além dessa característica básica entre Nazismo e a filosofia de Nietzsche, essa relação se torna ainda mais insustentável ao compreender que o novo homem edificado no pensamento nietzschiano não é um homem niilista, isto é, desinteressado com tudo, asséptico de valores e apático diante da vida e dos seus semelhantes, mas sim, aquele que consegue se desatar das amarras da falsa moralização e, principalmente, das convicções e verdades absolutas, indo de encontro à transformação da sua existência.

Para tanto, esse homem deve lançar um olhar dionisíaco sobre o mundo, buscando através da simplicidade e a alegria presentes na vida, encontrar os valores para si e para o bem da humanidade, destituindo aqueles que até então têm mantido o homem preso no conhecimento determinista e nas verdades absolutas, elementos que para Nietzsche têm sido entraves para a humanidade.

O novo homem é aquele que transcenderia a sua época e reinventaria os valores de até então, excluindo de si, sobretudo, os valores tirânicos do cristianismo que instalaram o sentimento de culpa e vendaram os olhos dos homens para a alegria presente na vida.

Entre os diversos aforismos de Nietzsche, sobre a vida, a política, as nações, as relações humanas, etc., transcrevo abaixo, na íntegra, o aforismo 475 de sua obra “Humano, demasiado humano – um livro para espíritos livres (1878, 1886) “. Esse aforismo ilustra bem o pensamento de Nit sobre o povo judeu – além disso, repare que Nit foi um dos primeiros a falar sobre a globalização (não usando esse termo), e uma previsão absurdamente exata do que viria a representar efetivamente o judeu para a questão da eugenia nazista:

* imagem: capa do livro mencionado da autora Abir Taha

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Responda: O que será do seu blog quando você morrer?

Written by adv on 27 de abril de 2008 – 21:41 -

A linguagem é a mais fundamental diferença entre humanos e animais. É através dela que o conhecimento caminha ao longo das gerações, do contrário, teríamos que reinventar o fogo a cada nova geração.

O conhecimento perpassa ao longo da história através dos livros, das músicas, das pinturas, das esculturas, das culturas, etc. Atualmente vivemos num contexto chamado de “Era da informação”. Nunca se produziu tanta informação e tantos meios de comunicação capaz de transcender barreiras físicas e temporais.

A Internet talvez seja o “carro chefe” dos meios de comunicação atual. No entanto, há de ressaltar que ela não é nossa salvação, de acordo com Wolton (1997)* as técnicas sem a consciência humana não são nada. Nesse sentido, é possível dizer que, embora tenhamos tantos meios de comunicação, não conseguimos nos comunicar, isto é, coabitar pacificamente com o outro.

Ao mesmo tempo que produzimos mais informação – não necessariamente conhecimento -, também criamos meios de armazenamento que serão facilmente recuperáveis pelas gerações futuras.

Dentro desse contexto, há milhares de informações diariamente sendo veiculadas em blogs. Você já parou para pensar o que será do seu blog quando você morrer? Por que não dizer, que alguns blogs se tornarão grandes obras para gerações futuras?

Para tanto, é necessário ressaltar o compromisso do conteúdo que você publica – político, cultural, social, científico, filosófico, etc. Qual o compromisso do seu blog? – Mesmo que seja uma fagulha que tenta transmitir um conteúdo comprometido com alguma transformação da realidade contraditória e conflituosa.

Talvez os blogs não irão se constituir em grandes obras para gerações futuras se a humanidade continuar colocando o dinheiro a frente do bem coletivo. – Nos mataremos antes? >>>

De qualquer forma, o que será do seu blog ou o que se espera dele quando você morrer? – Há algum plugin capaz de deixar um último post para os visitantes [:D]?

Desde já convido os interessados em responder a idéia acima. Crie um post, sinta-se à vontade para reformular a idéia e faça um trackback para compartilhar!

* Wolton, D. (1997) – Pensar a comunicação


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