Uma fábrica de ilusões chamada Big Brother Brasil

Written by adv on 27 de março de 2008 – 11:19 -

Segundo a Globo a final do BBB 8 contou com mais de 76 milhões de voyeurs votantes, o que representa um número altíssimo se eliminarmos os que de alguma forma são “excluídos” da orgástica “Era da informação”.

Mas o que leva tantas pessoas a consumirem o produto Big Brother Brasil? - E quando digo consumir o BBB 8 estou falando não apenas dos telespectadores, mas de todos que de alguma forma pagam e sustentam um dos maiores caixas da Globo; dos que pagam para votar até o sujeito que compra ringtones, papéis de paredes e outros “brindes”.

Os consumidores em potenciais do BBB apresentam inúmeros sintomas que os afetam psicologicamente, socialmente e fisicamente. Mas todos são encobertos pelo manto da “normalidade”. Apenas quem não se enquadra na normalidade da sociedade é considerado doente, o problema é que, conforme apontado por Freud em “O mal-estar na civilização”, as civilizações podem ser patológicas.

A ideologia da normalidade nos aponta que quem assiste BBB é um sujeito “descolado” que aprende a conviver com os outros na medida em que visualiza as vivências daqueles participantes.

Aprende a competir? A trapacear? A naturalizar as diferenças sociais? A inventar causas e efeitos para comportamentos e sair psicologizando bobagens? A reduzir a vida apenas à competição desenfreada por status e dinheiro? A distorcer a própria imagem corporal em detrimento da imagem do outro apresentada na tv? …

Uma receita de sucesso do Capitalismo é manejar seres humanos através do manejo dos objetos. Melhor ainda quando os seres humanos são os próprios objetos, ou, 14 objetos expostos em uma fantástica casa que vende de tudo. Uma vitrine reluzente que oferece desde bens materiais a padrões subjetivos, espera-se que homens e mulheres ajustem suas condutas às representadas pelos objetos humanos ou “quase humanos”.

O ideal dessa lógica é transformar você em objeto, com data de expiração iminente para que o descontentamento seja constante, de modo que - até que a morte os separe -, os seus desejos estejam sincronizados ao curto tempo de sobrevivência dos desejos ideológicos.

Pedro Bial, Rafinha, Gyselle, Zeca, Paulo Roberto Amorim, Daniela Cicarelli, Gugu, Faustão, Gasparetto, Emílio Zurita… difícil é dizer quem consegue mutilar mais ideais de vida humana pelos ideais do lucro.

“(…) há uma cacofonia de vozes e nenhuma canção será cantada em uníssono, mas não se preocupe: nenhuma canção é necessariamente melhor que a próxima, e, se fosse, não haveria maneira de sabê-lo — por isso fique à vontade para cantar (compor se puder) sua própria canção (de qualquer maneira, você não aumentará a cacofonia; ela já é ensurdecedora e uma canção a mais não fará diferença).” - Zygmunt Bauman


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Questões existenciais: pequeno diálogo

Written by adv on 19 de março de 2008 – 14:20 -

Daniele Geralda de Souza escreveu:
tenho duvidas sobre minha missão aqui, talvez tenha completada, acredito que com o espiritismo venha a saber mais.

Qual o sentido da vida? Temos uma missão? Há algum propósito reservado para nós? - Com certeza todos nós já nos perguntamos sobre essa questão que implica em várias respostas, depende da formação subjetiva de cada sujeito. Há tempo venho tentando escrever algo sobre o sentido da vida, a dificuldade reside justamente porque não há em primeira instância um sentido definido, não há resposta que satisfaça essa pergunta. Um dia dou um jeito de organizar algumas palavras e tentar dar uma “resposta sem resposta” para o sentido da vida.

Penso que perguntas como essas, entre tantas outras, tais como se Deus existe ou não, se há vida pós-morte, etc.; todos nós em algum momento já se perguntou, mas não vejo que elas nos ajudam avançar em alguma coisa. Entre todas as respostas possíveis uma parece ser a mais relevante quando levamos em consideração o bom senso: não há nenhuma resposta mas possui todas que você quiser.

Para apontar um caminho para a nossa querida páraquedista Daniele, usarei de Sartre, penso que não seria a resposta que ela gostaria, mas são palavras que ficarão jogadas por aqui para um dia desses fazer uma viagem existencial mais prolongada pelo sentido da vida.

Em Sartre o ser (homem) do nada vem, se constitui com outros humanos em um projeto humano, num constante movimento do vir-a-ser: “somos aquilo que ainda não somos”, pois, nunca estaremos completos. O ser não foi nem será, ele é, ele está acontecendo; passado, presente e futuro coexistem juntos, o que importa é o aqui-e-agora. Nosso projeto humano, isto é, nossa existência, jamais irá se concretizar pois a finitude dará fim ao ser que retornará ao nada. “Do nada viemos ao nada retornaremos”.


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O que é patriarcalismo e quais suas influências nos dias atuais

Written by adv on 18 de março de 2008 – 21:56 -

priapoO patriarcalismo é um modo de estruturação e organização da vida coletiva baseado no poder de um “pai”, isto é, prevalece as relações masculinas sobre as femininas; e o poder dos homens mais fortes sobre outros.

Didaticamente podemos dizer que a sociedade patriarcal teve início na Grécia Antiga, onde a mulher basicamente era objeto de satisfação masculina e terminou com a Revolução Francesa objetivada na igualdade entre todos.

Mas a realidade nos mostra que o patriarcalismo ainda impera mesmo que inconscientemente nas sociedades. Suas raízes estão fincadas desde a era primitiva quando o homem descobriu que o seu sêmen poderia gerar a vida, sendo a mulher simplesmente um “depositário” para receber e desenvolver o nascimento da criança.

A partir daí uma série de elementos sociais e culturais vão se estruturando e colocando cada vez mais o homem acima da mulher. Nem lembramos que nas eras primitivas homens não sobrepujavam as mulheres, pelo contrário, as mulheres que se constituíam enquanto núcleos de organização.

A ideologia patriarcal não atingi apenas o relacionamento entre homens e mulheres, mas recai sobre toda história da humanidade. A idéia de um líder ou uma figura centralizadora afeta os valores, o desempenho dos papéis e as formas de organização das instituições.

Desde que o homem descobriu que seu pênis libera o sêmen que irá germinar na mulher, o símbolo do poder ficou para o homem, mais precisamente ao seu “falo” (pênis). A cultuação do órgão masculino é universal. A representação sexual do homem imortalizou no deus grego Priapo, ostentando seu avantajado órgão que seduzia todas mulheres.

O custo ao homem de ser representante patriarcal também é custoso. Ainda hoje o “falo” de Priapo assombra muitos homens que estão descontente com seu desempenho e “tamanho”. A idéia ocultada é que quanto mais próximo do tamanho do órgão de Priapo mais homem o sujeito será. Sob o jugo patriarcal, homens não podem falhar jamais.

Um dos pilares de sustentação do patriarcalismo no mundo ocidental fica evidente na religião judaico-cristã. As passagens bíblicas que submete a mulher ao homem são inúmeras. Se inicia com o mito de Adão e Eva no jardim do Éden onde Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, mas a mulher foi feita do homem. Nesse sentido, a mulher não provém do divino. Aqui fica claro qual a função da mulher, ou seja, subjugada pelo homem e pelo marido, aquela que só existiu à partir do homem.

Para piorar a situação da mulher, a expulsão do “paraíso” foi devido a Eva que comeu o fruto proibido e “seduziu” Adão a experimentar; daí em diante o mundo se divide em lado “bom” e “mau”, devendo a mulher carregar o fardo da culpa por ter expulsado toda humanidade do paraíso. Claro que há outras interpretações de Adão e Eva, mas todas elas destinará à desgraça unicamente a Eva que irá selar o destino da mulher na religiosidade cristã: dar à luz de forma dolorosa.

Se não houvesse Jesus Cristo quem poderia estar pregado na cruz poderia muito bem ser o “falo” - o sacrifício do homem pela mulher. No livro de Deuteronômio (23:1) o homem que tiver os testículos feridos ou for desgraçado de ficar sem o pênis, será chutado para fora do manto divino.

Hoje poucos sabem o que é patriarcalismo e quais suas conseqüências. De fato, ele deixou de ser explícito, mas está presente silenciosamente em todas nossas relações.

Todos têm uma diversidade de antagonismos - decorrentes de crenças e mitos - entre homens e mulheres para contar, em sua maioria o homem levando vantagem sobre a mulher. No casamento a mulher coloca o sobrenome do marido em detrimento do seu, torna-se uma posse do homem, mas parece não fazer muito a diferença, poucas pensarão nessa idéia e realizarão com orgulho a mudança do nome.

Embora a configuração social seja diferente, com a representação da família tradicional tornando-se cada vez mais desmantelada, as mulheres passando a dividir a tarefa de suprir a casa e os filhos, além de outras modificações significativas, os “fantasmas” do patriarcalismo ainda ronda as nossas relações.

As conseqüências podemos vislumbrar nas organizações e instituições, nas relações trabalhistas, na desconfiança entre homens e mulheres, no idioma, nas religiões, nas crenças, nos ritos, na sexualidade, etc. - Muitas dessas relações onde prevalece os mandos e os desmandos, ainda são naturalmente aceitas e justificadas.

* Imagem: Priapo, deus da fertilidade na mitologia grega; foto publicada no Wikipédia


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O que é o Humanismo que surgiu no Renascimento

Written by adv on 16 de março de 2008 – 14:10 -

leonardo davinciO Humanismo é um movimento filosófico surgido no século XV dentro das transformações culturais, sociais, políticas, religiosas e econômicas desencadeadas pelo Renascimento.

Com a idéia renascentista de “dignidade do homem”, isto é, o homem está acima da Natureza, o Humanismo coloca o homem no centro do universo e seu estudo merece algumas considerações particulares.

Chegando ao século XVIII, na Filosofia Moderna, o homem é concebido como um ser ativo que domina a Natureza e com isso a sociedade. Embora não haja separação entre Natureza e homem dentro do movimento humanista, o homem é diferenciado dos demais manifestando suas diferenças na racionalidade, na moralidade, na ética, na técnica, nas artes, etc.

No Humanismo o homem, como ser dominante, está em sempre se aperfeiçoando através do desenvolvimento proporcionado pela sua racionalidade.

Mesmo datado de longa data, o Humanismo tem influência em várias áreas das ciências humanas. Sua importância reside na fundamental ruptura entre Igreja e Ciência, carregando consigo uma visão diferenciada do homem em relação aos demais elementos naturais.

Crítica:

É difícil conceber Humanismo devido às várias formas em que ele foi tomado pelas ciências humanas e pelas religiões, vindo a ser “humanismos” com características diferentes. Podemos falar de humanismo religioso, humanismo marxista, humanismo existencialista, etc. No senso comum o termo “humanista” freqüentemente é usado para caracterizar as pessoas que se preocupam com as causas sociais e com a caridade.

Sem dúvidas que o Humanismo foi um dos principais movimentos filosóficos que mudaram os rumos do conhecimento. Mas sua idéia principal e original foi pretenciosa demais.

A idéia de colocar o homem acima de todas as coisas e acreditar que ele é capaz progredir cada vez mais na temporalidade, soa um tanto quanto otimista demais. Daí decorre as dissidências do Humanismo original entre as ciências humanas.

Sartre, filósofo existencialista francês, em sua obra “Existencialismo é um Humanismo”, ironizando o fato do homem atribuir um valor de superioridade a si mesmo, questiona o Humanismo clássico: “Tal humanismo é um absurdo, pois só o cachorro ou o cavalo poderiam emitir um juízo de conjunto sobre o homem e declarar que o homem é admirável.”

Nesse sentido, tomar os pressupostos do Humanismo enquanto verdade seria como dar uma definição a nós mesmos da forma como queremos. A história tem mostrado que nem sempre progredimos; que a razão nem sempre está com a “razão”; e que racionalidade não significa a nossa salvação.

Obs.: o humanismo existencialista se distanciava do humanismo clássico na medida em que o homem não supera sua existência e sua condição se voltar apenas para si mesmo (o centro de todas as coisas), mas sim, procurando o devir sempre no fora de si. E é humanismo porque coloca que o homem é o único responsável de si.

* O homem de Vitrúvio - Leonardo da Vinci (1485-1490)


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Como se dar bem na vida

Written by doc on 13 de março de 2008 – 9:00 -

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Não existe segredo para se dar bem na vida. Alias isso pode variar de pessoa para pessoa. Alguns dizem que o segredo está relacionado a dinheiro. Outros acham que está relacionado à fama, ao “estrelato”. Podemos citar milhares de motivos para uma pessoa se dar bem na vida. Mas tudo isto está completamente ligado a segurança. Seja por dinheiro, seja por fama ou qualquer outro motivo, as pessoas necessitam ter segurança na vida e em tudo que fazem. Por tanto, não tente achar a fórmula mágica para sua felicidade. Basta fazer as coisas com a segurança, pois no fim, tudo dará certo…


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