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	<title>LOG de MSN &#187; Psicanálise</title>
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	<description>Música, Filosofia, Humor, Psicologia, Política, Futebol, Psicanálise e Logs do MSN</description>
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		<title>Amor à primeira vista existe?</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Feb 2008 20:59:17 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Filosofando]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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		<description><![CDATA[Vamos falar de amor? &#8211; parte 1 &#124; parte 2 &#124; parte 3 Quando te vi amei-te já muito antes: Tornei a achar-te quando te encontrei. Nasci pra ti antes de haver o mundo. (Fernando Pessoa) Prólogo: De repente, quando menos esperamos, nossos olhares são atraídos para alguém que nunca tínhamos visto antes, mas pensamos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="right"><em><u>Vamos falar de amor?</u></em> &#8211; <a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/17/vamos-falar-de-amor-parte-1/">parte 1</a> | <a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/21/vamos-falar-de-amor-parte-2/">parte 2</a> | <a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/31/vamos-falar-de-amor-parte-3/">parte 3</a></p>
<blockquote><p>Quando te vi amei-te já muito antes:<br />
Tornei a achar-te quando te encontrei.<br />
Nasci pra ti antes de haver o mundo. (Fernando Pessoa)</p></blockquote>
<p><strong>Prólogo:</strong><br />
<em>De repente, quando menos esperamos, nossos olhares são atraídos para alguém que nunca tínhamos visto antes, mas pensamos que aquela pessoa não nos parece estranha. Nessa situação experimentamos os batimentos cardíacos se acelerarem, alguns suam frio, experimentam o rubor e até perdem as palavras. Nesse momento gostaríamos que o tempo parasse para que pudéssemos fitar com um olhar mais demorado cada detalhe que está balançando o nosso coração.</em></p>
<p><a href="http://www.logdemsn.com/wp-content/uploads/2008/02/michelangelo-caravaggio.jpg"><img src="http://www.logdemsn.com/wp-content/uploads/2008/02/michelangelo-caravaggio-small.jpg" alt="Michelangelo Caravaggio" align="left" height="278" width="231" /></a>Ahhh&#8230; o amor à primeira vista. Será?</p>
<p>Agostinho, ou se preferir, Santo Agostinho, em Confissões (397-398) dizia: <em>Antes que te conhecesse eu já te amava</em>. &#8211; Agostinho estaria errado?</p>
<p>Tomando como ponto de partida um pouco do pensamento de Freud, Agostinho estava correto! Ao nascer a criança tem os pais ou quem fica a maior parte do tempo dispensando cuidados, como principais modelos de vínculos.</p>
<p>Aprendemos desde a infância as nuances de um rosto agradável ou não. Um gesto de aprovação ou repreensão. No <em>Complexo de Édipo</em>, literalmente, &#8220;apaixonamos&#8221;por um dos nossos pais &#8211; o do sexo oposto -, até que, com o defescho, estamos prontos a desbravar o mundo desconhecido. Temos uma vida pela frente, experimentando novas relações vinculares, nos deparando com aprovações e desaprovações, convivendo com pessoas diferentes e outras com alguns aspectos semelhantes.</p>
<p>Construímos nossa identidade através das relações. Dependemos do outro para nos tornar humano. Podemos nos achar o mais diferente possível dos seres humanos, mas nossas diferenças não são construídas no vazio, todas passam pela experiência dos vínculos. Mas é lá na infância que nos apaixonamos pela pessoa que um dia iremos conhecer.</p>
<p>Internalizamos dos nossos pais a maioria dos traços físicos e psicológicos que definimos como agradáveis, por mais que sejam sutis e nos pareçam ocultos, além, de carregarmos uma boa dose de herança genética das quais os etólogos definem como universais para as escolhas de parceiros sexuais.</p>
<p>Nesse sentido é que definimos quem pode nos agradar ou não. A maioria das pessoas já experimentaram uma sensação de não aceitação de uma determinada pessoa mesmo antes de conhecê-la, todos nós um dia já julgamos e fomos julgados por um simples olhar, e ainda fazemos isso. Felizmente, a educação e o conhecimento tem permitido superar as barreiras dos preconceitos primitivos que, se um dia foi útil para o homem que vivia em tribos reconhecer e dispensar energia apenas aos membros do seu grupo, hoje essa atitude já nos é nociva.</p>
<p>Mas &#8220;<em>O que amamos quando amamos alguém?</em>&#8220;, essa é a pergunta que Agostinho faz. &#8211; A resposta é frustrante e poderia colocar o fim em um romance se um dos pares responder à luz da psicanálise. Quando amamos, amamos nós mesmos refletido no outro.</p>
<p>Amamos nossos desejos e sonhos que depositamos na pessoa amada que serve como um espelho para, indiretamente, amar a mim mesmo. Rubem Alves aponta que a pergunta não tem resposta nem solução, pois &#8220;<em>quer dizer que eu estou amando você por equívoco, já que você é apenas o espelho onde uma outra coisa aparece. O que eu amo na realidade é essa outra coisa. Você, eu amo indiretamente</em>.&#8221;</p>
<p>Daí em parte, a fragilidade dos nossos relacionamentos. Se os pares não tiverem consciência de ver o outro como um humano incapaz de ser onipresente e onisciente ao que gostaria de &#8220;ver&#8221; refletido, o espelho pode partir. Estamos em constantes mudanças, nossos sonhos e desejos podem mudar e de repente o outro já não espelha o que gostaríamos.</p>
<p>Sei que o leitor que está vivenciando um caso de amor pode estar me mandando para o submundo do inferno, mas por enquanto, em singelas palavras Rubem Alves diz que &#8220;<em>Os namorados têm que se acostumar com isso</em>.&#8221;</p>
<p><font color="gray">Imagem: Narciso &#8211; Michelangelo Caravaggio (1594-1596)</font></p>
<p><font color="black"><strong>[Continua...]</strong></font></p>
Leia também:<ul><li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/31/vamos-falar-de-amor-parte-3/" rel="bookmark" title="31 de janeiro de 2008">Vamos falar de amor? &#8211; parte 3</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/08/05/rapidinhas/" rel="bookmark" title="5 de agosto de 2007">Rapidinhas</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/21/vamos-falar-de-amor-parte-2/" rel="bookmark" title="21 de janeiro de 2008">Vamos falar de amor? &#8211; parte 2</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/02/20/sexualidade-e-estetica-um-seculo-assombrado-pelo-espelho/" rel="bookmark" title="20 de fevereiro de 2008">Sexualidade e estética: um século assombrado pelo espelho</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/01/15/criana-empolga-fcil/" rel="bookmark" title="15 de janeiro de 2007">A criança empolga fácil &#8230;</a></li>
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		<title>Sexualidade e estética: um século assombrado pelo espelho</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Feb 2008 02:48:37 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Filosofando]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Freud descobriu que a repressão sexual era responsável por grande parte dos problemas psicológicos enfrentados pelas pessoas. Isso no século XIX, mas e agora que o sexo chega a ser assunto banalizado, continuamos a sofrer por repressão sexual? Vou deixar que cada um busque no íntimo uma resposta para tal questão, entretanto, Freud alertou que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.logdemsn.com/wp-content/uploads/2008/02/fruto-proibido.jpg"><img src="http://www.logdemsn.com/wp-content/uploads/2008/02/fruto-proibido-small3.jpg" alt="fruto proibido" height="200" width="454" /></a></p>
<p>Freud descobriu que a repressão sexual era responsável por grande parte dos problemas psicológicos enfrentados pelas pessoas. Isso no século XIX, mas e agora que o sexo chega a ser assunto banalizado, continuamos a sofrer por repressão sexual?</p>
<p>Vou deixar que cada um busque no íntimo uma resposta para tal questão, entretanto, Freud alertou que para todo sofrimento psíquico há uma causa sexual, por mais oculta que esteja.</p>
<p>Os conteúdos que apresentamos sobre sexo têm nos ajudado? &#8211; Essa é a pergunta que me parece ser mais oportuna frente ao crescente número de &#8220;gurus&#8221; que se autodenominam terapeutas sexuais e prometem a cura de toda apatia sexual.</p>
<p>Astrólogos, tarólogos, personagens de televisão, remédios populares, ditados chineses e populares, revistas de modas&#8230; Existe uma infinidade de coisas que se voltam para a saciação da sexualidade humana.</p>
<p>Os gurus estão todos prontos para emitir uma nova regra sexual; um novo comportamento que vai agradar o seu parceiro(a); etiquetas que prometem dominar, literalmente, o seu amor; e é claro, inúmeros derivados de ditos, crenças populares e os mais absurdos &#8220;compostos&#8221; que prometem curar a impotência sexual.</p>
<p>O infeliz que acata tais informações como diretrizes para sua vida sexual acaba ficando com o bem estar psíquico comprometido, quando não muito, compromete também as funções fisiológicas. Assim, acaba causando problemas a si mesmo e a quem estiver por perto, afinal, um ato sexual satisfatório pode ser considerado o motor pulsante da vida.</p>
<p>Sem saber o que fazer, envergonhado de si próprio e dominado por uma sensação de excluído daquela sexualidade vendida pela mídia, esse público encontra orientação com os gurus da MTV, com as receitas vendidas nas revistas ou pelas palavras do &#8220;especialista&#8221; em sexualidade humana que consulta o que as cartas e o posicionamento dos astros reservam a você, etc. Uma busca interminável que sempre deixa o tão sonhado prazer em aberto: essa dica não funcionou, mas um dia irei encontrar uma que funcione!</p>
<p>Quem não consegue acompanhar as novidades da vitrine montada pelos gurus sexuais acaba sofrendo com a própria imagem refletida no espelho. Não por incapacidade própria, mas por criar uma realidade a partir do irreal.</p>
<p>É comum e triste ver garotas jovens passando horas a se lamentar com a própria estética, que vai desde os traços físicos corporais até os apetrechos da moda. O mesmo tende a ocorrer com os garotos que, se antes não sofriam desse mal, talvez por uma cultura machista que sempre apontou como uma obrigação da mulher estar &#8220;em dia&#8221; com o espelho, agora já estão chegando à igualdade. Mulheres cobram homens e vice-versa.</p>
<p>Ambos arquitetam seus ideais de identidade na imagem digitalizada do modelo. Mas o virtual é pixerizado, tons de cores e disposições espaciais são intencionalmente colocados em perfeita harmonia mascarando o real. Quando o sujeito se depara com as contradições da realidade nada poderá restar além do que imergir na decepção.</p>
<p>Esse texto é breve e ínfimo diante da grandeza da discussão que poderia ser feita acerca da construção dos nossos ideais estéticos e, principalmente, sobre a sexualidade. Mas diante desse breve contexto, encontro a pergunta: quem sofre mais, quem na repressão conviveu com o sexo como sendo coisa demoníaca ou quem agora sofre por excesso de informações sem fundamentação?</p>
<p><font color="gray">*Imagem: O fruto proibido (1509) &#8211; Michelangelo<br />
</font></p>
Leia também:<ul><li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/03/27/uma-fabrica-de-ilusoes-chamada-big-brother-brasil/" rel="bookmark" title="27 de março de 2008">Uma fábrica de ilusões chamada Big Brother Brasil</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/04/04/humanidade-ainda-est-traumatizada-pela/" rel="bookmark" title="4 de abril de 2007">A humanidade ainda está traumatizada pela sexualidade da criança</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/09/27/igreja-universal-de-jornalismo-record/" rel="bookmark" title="27 de setembro de 2007">Igreja Universal de Jornalismo Record</a></li>

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<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/02/01/video-do-vagner-love-fazendo-sexo-com-atriz-porno/" rel="bookmark" title="1 de fevereiro de 2008">Video do Vagner Love fazendo sexo com atriz pornô</a></li>
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		<title>Vamos falar de amor? &#8211; parte 3</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Jan 2008 14:54:37 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>

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		<description><![CDATA[O amor é a coisa mais alegre, o amor é a coisa mais triste, o amor é a coisa que eu mais quero. &#8211; Adélia Prado O amor romântico na psicanálise &#60;&#60; parte 1 &#124; parte 2 Uma das coisas que me faz dar muito crédito à psicanálise é o fato de ser uma das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>O amor é a coisa mais alegre, o amor é a coisa mais triste, o amor é a coisa que eu mais quero. &#8211; Adélia Prado</p></blockquote>
<p><img style="WIDTH: 192px; HEIGHT: 302px" height="333" alt="bouguereau" src="http://www.logdemsn.com/wp-content/uploads/2008/01/bouguereau.jpg" width="235" align="left" /></p>
<p align="center"><strong>O amor romântico na psicanálise</strong></p>
<p align="right">&lt;&lt; <a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/17/vamos-falar-de-amor-parte-1/">parte 1</a> | <a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/21/vamos-falar-de-amor-parte-2/">parte 2</a></p>
<p>Uma das coisas que me faz dar muito crédito à psicanálise é o fato de ser uma das poucas vertentes psicológicas que dá credibilidade ao amor. Para Freud a civilização nasce de um ato de amor <em>(ver o mito do parricídio in Totem e Tabu).</em> Amor em psicanálise compreende <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Eros">Eros</a>, uma das facetas da vida que duela com <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tanatos">Tânatos</a>, a outra.</p>
<p>Eros, enquanto a representação das pulsões sexuais direcionadas a constituição e criação da vida (reprodução, união, vínculos) e Tânatos enquanto a representação das pulsões de morte que tendem ao retorno ao inanimado, à morte (degradação do corpo humano, agressividade, destruição).</p>
<p>Esses deuses gregos representam duas forças antagônicas <u>figuradas</u> por Freud e compreendem a constituição do indivíduo que tem suas ações e motivações decorrentes dos impulsos dos desejos individuais buscando o prazer e, ao mesmo tempo, lutando contra as regras e proibições impostas pela civilização e pelo outro que na maioria das vezes são conflitantes com os nossos desejos.</p>
<p>Amor em psicanálise está presente em toda relação que envolve afeto, Freud não tratou especificamente do amor romântico, embora tenha dito que este é considerado o momento máximo de êxtase do ser humano; aqui duas pessoas se bastam uma para outra, não necessitando de mais nada no mundo; é a realização plena dos desejos. Mas essa condição em Freud é fantasia, é irreal, quando muito pode existir apenas por alguns instantes, pois, o que amamos na realidade, não é a pessoa. &#8211; Assunto que falarei posteriormente.</p>
<p>Para o pobre, o dinheiro representa a felicidade. Para o bêbado em potencial, o álcool é o suficiente. Os enfermos vêem na saúde a felicidade. Os ricos preferem a boa visibilidade do status social e a fama. Já em grande parte dos seres humanos a felicidade é encontrada no desejo daquela figura feminina ou masculina que o satisfará por completo, representando o fim de todo tédio e angústias; aquela pessoa que nos vai salvar de toda apatia e suprir todas nossas carências. &#8211; Sonhamos com um amor incondicional, pleno, acima de todas as coisas.</p>
<p>De repente, quando menos esperamos, nossos olhares são atraídos para alguém que nunca tínhamos visto antes, mas pensamos que aquela pessoa não nos parece estranha. Nessa situação experimentamos os batimentos cardíacos se acelerarem, alguns suam frio, experimentam o rubor e até perdem as palavras. Nesse momento gostaríamos que o tempo parasse para que pudéssemos fitar com um olhar mais demorado cada detalhe que está causando o balançar do coração.</p>
<p>Ahhh&#8230; o amor à primeira vista. Será?</p>
<p><font color="gray"><em>* Imagem de Bouguereau &#8211; Jovem se defendendo de Eros</em></font></p>
<p><strong>[Continua...]</strong></p>
Leia também:<ul><li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/02/23/amor-a-primeira-vista-existe/" rel="bookmark" title="23 de fevereiro de 2008">Amor à primeira vista existe?</a></li>

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<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/09/06/fale-daquilo-que-voce-nao-consegue-tente/" rel="bookmark" title="6 de setembro de 2007">Fale daquilo que você não consegue. Tente!</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/17/vamos-falar-de-amor-parte-1/" rel="bookmark" title="17 de janeiro de 2008">Vamos falar de amor? &#8211; parte 1</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/08/27/dia-do-psicologo/" rel="bookmark" title="27 de agosto de 2007">Dia do Psicólogo</a></li>
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		<title>Vamos falar de amor? &#8211; parte 1</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Jan 2008 23:18:37 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Introdução O amor assume inúmeros significados e expressões ao longo da história da humanidade. Para Freud o amor está presente em toda motivação humana; para Nietzsche o amor se faz no &#8220;eterno retorno&#8220;, todo prazer retorna à dor; para Shakespeare todo amor termina em tragédia; para Chaplin o amor é uma das mais belas frustrações&#8230; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://i20.photobucket.com/albums/b224/Maxell2004/Love_by_Gabatinie.jpg"><img src="http://i20.photobucket.com/albums/b224/Maxell2004/Love_by_Gabatinie.jpg" align="left" height="285" width="193" /></a><br />
<strong>Introdução</strong></p>
<p>O amor assume inúmeros significados e expressões ao longo da história da humanidade. Para Freud o amor está presente em toda motivação humana; para Nietzsche o amor se faz no &#8220;<em>eterno retorno</em>&#8220;, todo prazer retorna à dor; para Shakespeare todo amor termina em tragédia; para Chaplin o amor é uma das mais belas frustrações&#8230; Você deve conhecer pelo menos uma definição de amor que, seja na voz do poeta ou do filósofo, é retratado nos duelos do amor e do ódio, gladiadores que coexistem de mãos dadas, restando à indiferença o oposto do amor.</p>
<p>Quem nunca se apaixonou ainda irá. Quem já se apaixonou já sentiu dor e desespero que pareciam infindáveis. Outros ainda estão felizes, mas o amanhã é o <em>eterno retorno</em>. Alguns se rebelam contra o amor, revelam o ódio sem saber que este é amor em estado mais intenso. Ainda, tem os que acham que não sofrerão novamente por amor&#8230; até o próximo encantamento. Amor que pode expressar alegria e tristeza, dor e prazer, bem e mal, vida e morte. Seja na arte, na música, na literatura, na dança, etc.</p>
<p>O amor é assunto oculto na sociedade das massas apressadas e vazias. No <em>mundo líquido*</em> nossas relações podem ser medidas em poucos dias, quando não muito em horas. Nos divertimos, saímos com amigos eufóricos e barulhentos, bebemos e freqüentamos festas, nos apresentamos sorridentes e felizes, as vezes saímos à dois, e não muito difícil, na cama dos desejos, uma irrealidade e um sentimento de vazio se instalam. A vida líquida escorre em sentimentos fantasmagóricos, mas entre a apatia e a satisfação acabamos por esquecer, dormimos, amanhã é um novo dia, o <em>eterno retorno</em>.</p>
<p>Mas se o amor pode tornar-se dor será que devo evitá-lo? Só podemos ser felizes se encontrarmos a outra &#8220;cara-metade&#8221;? Como se recuperar de um amor não correspondido? Amor incondicional existe? &#8211; Não irei responder, mas é sobre isso que pretendo falar&#8230; Por quê?</p>
<p>Penso que temos muita magia, poesia e encantamento para tratar o assunto, mas poucas tentativas foram feitas no sentido de levar o assunto à sério. Tentamos passar nossos pensamentos, imagens e sentimentos em forma de palavras mas não temos palavras para isso, apenas realizamos uma falsificação da realidade.</p>
<p>Por outro lado, na história são inúmeros os casos de homicídios e suicídios tendo como cenário o amor romântico. Atualmente também é comum as práticas de assassinatos, suicídios, seqüestros, agressões físicas graves entre outras formas desequilibradas de homens e mulheres expressarem dor e egoísmo gerados pelo amor não correspondido. Mudam os cenários, os personagens e o enredo, mas as tragédias shakesperiana permacerão ao longo dos séculos. &#8211; Penso que devemos levar mais à sério o amor romântico, do contrário, estaremos contribuindo para a formação de seres humanos neuróticos além do natural.</p>
<p><strong>Continua&#8230;</strong></p>
<p><font color="#c0c0c0"><em>*Conceito de </em></font><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Zygmunt_Bauman"><font color="#c0c0c0"><em>Zygmunt Bauman</em></font></a><br />
<font color="#c0c0c0"><em>Imagem by </em></font><a href="http://gabatinie.deviantart.com/art/Love-22189965"><font color="#c0c0c0"><em>Gabatinie</em></font></a></p>
Leia também:<ul><li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/04/15/caso-isabela-nardoni-desvendado-serao-eles-culpados/" rel="bookmark" title="15 de abril de 2008">Caso Isabela Nardoni desvendado, serão &#8220;eles&#8221; culpados?</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/21/vamos-falar-de-amor-parte-2/" rel="bookmark" title="21 de janeiro de 2008">Vamos falar de amor? &#8211; parte 2</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/31/vamos-falar-de-amor-parte-3/" rel="bookmark" title="31 de janeiro de 2008">Vamos falar de amor? &#8211; parte 3</a></li>

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<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/08/05/rapidinhas/" rel="bookmark" title="5 de agosto de 2007">Rapidinhas</a></li>
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		<title>Reflex&#245;es sobre o tempo: novo ano, velho ano</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Dec 2007 20:35:05 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>

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		<description><![CDATA[1 ano é um período de tempo importante para a maioria das espécies, principalmente nós, seres humanos. Para nós é um pouco a mais do tempo de nascer uma nova vida. É mais um passo em direção à morte! É período suficiente para lágrimas e sorrisos, mais lágrimas para alguns, mais sorrisos para outros, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://farm3.static.flickr.com/2242/2152106537_5b11e54e80_o.jpg"><img align="left" width="232" src="http://farm3.static.flickr.com/2242/2152106537_5b11e54e80_o.jpg" height="174" /></a> 1 ano é um período de tempo importante para a maioria das espécies, principalmente nós, seres humanos.</p>
<p>Para nós é um pouco a mais do tempo de nascer uma nova vida. É mais um passo em direção à morte! É período suficiente para lágrimas e sorrisos, mais lágrimas para alguns, mais sorrisos para outros, mas nunca uma coisa só.</p>
<p>O que é o tempo? &#8211; Momento de tanta saudade, de tanto querer, de dor da existência. Quem resiste à profundidade do tempo atravessando a película da vida?</p>
<p>O que você aprendeu com ano que passou? O que pretende no próximo? &#8211; Alguns sonham com a infância perdida, com o amor que nunca vem, ter alguém de volta&#8230; Homens e mulheres, todos são sacudidos pela vida. Algum relance basta para imergí-los nas profundesas dos desejos da juventude, da proteção, do significado, do amor eterno&#8230;</p>
<p>Em um ano muitos ciclos se repetem, outros parecem sentir o ano como dia. O ciclo da vida em todas as suas diferenças se repete. O nascer e o morrer se alternam. Mas se olharmos um pouco mais atento percebemos que o sorriso de ontem é diferente do de hoje, e a crueldade de ontem também é diferente da de hoje.</p>
<p>Mas também não deixam de ser sorrisos e crueldades. Homens e mulheres, não deixam de ser homens e mulheres. Vida e morte também não deixarão de existir. &#8211; Constatamos que as diferenças se convergem em ciclos que se repetem.</p>
<p>Um amor não correspondido pode ser o suficiente para matar uma vida de culpa, de fracasso, de incapacidade, de sonhos; mas também pode mostrar o amor que você desconhecia, os gestos que você é capaz de fazer e o seu potencial para sonhar e desejar. &#8211; Talvez você tem aquilo que gostaria de ter e o outro te faz acreditar que não tem. O que você prefere ver? Aquilo que tem ou o que os outros não têm?</p>
<p>Quando não vemos as estrelas não significa que elas deixaram de brilhar. Significa muito mais que deixamos de ver. Quando acreditamos que a vida é repetitiva, talvez seja porque deixamos de vê-la em seus detalhes.</p>
<p>Eu gostaria que nos fins de ano, as pessoas se reunissem para contar os sonhos sonhados no fim do ano passado. Os realizados e os que terão que aguardar, ou já deixaram de existir. Aprender com os erros e os acertos. Refletir sobre a vida no período que passou e só depois, é que deveriam parar para sonhar e prometer novamente. &#8211; Mas todo ano é a mesma coisa, as pessoas se atropelam de promessas. Passada a euforia descobrem que não irão conseguir pagá-las, e já começam o ano fracassando.</p>
<p>Na psicanálise os sonhos têm grande importância, pois permite a realização de desejos pela fantasia. Podem nunca se tornarem realidade, mas o contrário também é verdadeiro. Viver os sonhos em fantasias pode nos ensinar a viver melhor, a se relacionar melhor. Aos que pararam de sonhar, continue. Por mais que a vida lhe pareça árdua não deixe de sonhar.</p>
<p>Sonhe não por sonhar, mas para tentar captar formas de tornar as utopias em realidades. Sonhe para transformar os sonhos em vida. Só não deixe que sonhos irrealizáveis dominem a sua vida, transformando a vida em sonho.</p>
<p>Em 2008 eu gostaria que as pessoas se atentassem mais para o planeta e todas as formas de vida. Senhores, estamos nos matando! E não é lentamente, é em proporções gigantescas.</p>
<p>Os atos de crueldade contra à natureza e os animais aumentam a cada dia. Queimadas, facadas, tiros, redes, máquinas, tecnologia&#8230; inúmeros instrumentos de matar estão sendo empregados contra à Natureza. Conseqüentemente em nós mesmos.</p>
<p>Todo ano sonhamos com paz, amor e saúde. Mas estamos nos matando às custas de trocados. Todos querem um amor, mas poucos se permitem conhecer o outro, o medo nos domina, não nos casamos nem nos relacionamos sem antes ter a certeza de que isso poderá ser desfeito.</p>
<p>Acreditamos estar dando passos gigantescos com as novas tecnologias no sentido de interação e união entre as pessoas, mas os resultados têm sido uma solidão desenfreada. Falamos muito em qualidade de vida, mas sabemos poquíssimo sobre ela. Inventamos curas em cima das formas letais que nós mesmos criamos. Estamos curando às custas da morte.</p>
<p>Senhores, estamos extingüindo o planeta, e não é pessimismo de alguém influenciado por Schopenhauer, Nietzsche e Freud.</p>
<blockquote><p>&#8220;Aqui tem muita gente, mas eu só encontro solidão, ódio, mentira, ambição (&#8230;) a Terra é um planeta em extinção.&#8221; &#8211; Gabriel Pensador</p></blockquote>
<p>* arte de Salvador Dali: &#8220;A persistência da memória&#8221;</p>
Leia também:<ul><li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/24/salve-o-planeta-e-se-der-tempo-os-humanos-o-homem-est-morto/" rel="bookmark" title="24 de janeiro de 2008">Salve o planeta e se der tempo, os humanos! &#8211; O Homem est&aacute; morto!</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/08/27/in-pensamentos-sobre-o-amante/" rel="bookmark" title="27 de agosto de 2007">in Pensamentos &#8211; sobre o amante</a></li>

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<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/17/vamos-falar-de-amor-parte-1/" rel="bookmark" title="17 de janeiro de 2008">Vamos falar de amor? &#8211; parte 1</a></li>
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		<title>Vida e morte &#8211; voc&#234; j&#225; parou para pensar na sua despedida?</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Dec 2007 17:12:12 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Filosofando]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Que seja assim &#8212; a marcha do mundo &#233; tal;/ Que me aconte&#231;a como a tantos outros./ Eles partem, seu bote se despeda&#231;a,/ E ningu&#233;m pode mostrar o ponto do sumi&#231;o./ Adeus, adeus! O sino do barco chama,/ E como demoro, o barqueiro me apressa./ E agora, ousado, parto atrav&#233;s de vagas, tempestades e recifes!/ [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i><img height="268" src="http://farm3.static.flickr.com/2262/2128444863_4812496d1f_o.jpg" width="208" align="left" /> Que seja assim </i>&#8212; <i>a marcha do mundo &#233; tal;/ Que me aconte&#231;a como a tantos outros./ Eles partem, seu bote se despeda&#231;a,/ E ningu&#233;m pode mostrar o ponto do sumi&#231;o./ Adeus, adeus! O sino do barco chama,/ E como demoro, o barqueiro me apressa./ E agora, ousado, parto atrav&#233;s de vagas, tempestades e recifes!/ Adeus! Adeus!&#8230;</i></p>
<p><em>(Nietzsche, 1844 &#8211; 1900)</em></p>
<p>Qual o seu pensamento sobre a morte? &#8211; Essa pergunta implica em respostas divergentes quando n&#227;o muito raro um sil&#234;ncio profundo.</p>
<p>Entre as v&#225;rias respostas, talvez, podemos destacar um ponto em comum: refletir sobre a morte dos outros e, principalmente, a nossa, &#233; algo que gera ang&#250;stias, portanto, devemos silenciar sobre o assunto. Morte que para uns &#233; fim, para outros &#233; in&#237;cio. Do mais c&#233;tico ao mais religioso, todos n&#243;s em algum momento j&#225; sentimos os calafrios da finitude. </p>
<p>Os religiosos cr&#234;em que ap&#243;s a morte ter&#227;o seu destino sentenciado ao inferno ou aos c&#233;us; outros acreditam que voltaram novamente para Terra encarnado em um outro personagem que vai variar de acordo com os seus feitos na vida; outros ainda, pensam que morreram e j&#225; est&#227;o encarnados em outra pessoa. Os ateus v&#234;em a morte enquanto um retorno as cadeias de carbono na Natureza &#8211; este &#233; o meu pensamento. Os c&#233;ticos preferem n&#227;o opinar&#8230; &#8211; Fato &#233; que se perguntarmos quem quer ser o pr&#243;ximo a deixar essa vida, por mais conflituosa que seja, todos querem ser os &#250;ltimos da fila, evidenciando, o que Freud dizia ser uma das fontes de sofrimento do homem: a dissolu&#231;&#227;o e destrui&#231;&#227;o do corpo, da vida.</p>
<p>&#201; f&#225;cil verificar que todos n&#243;s achamos que seremos os &#250;ltimos. Cremos que a fatalidade nunca estar&#225; onde estivermos. Admitimos que vamos morrer, mas de uma forma que n&#227;o iremos saber. <a href="http://www.logdemsn.com/2007/09/04/carta-a-um-morto/">Um dos meus textos</a> escritos com a finalidade de apresenta&#231;&#227;o na disciplina Psicologia da Morte, logo nos prim&#243;rdios do meu curso, esbravejei contra a nossa ousadia de falar sobre o tema. &#8211; Eu estava errado. </p>
<p>Hoje, penso que aprender a viver com os mortos nos ensina a viver com os vivos e, que para aprender a viver com os mortos &#233; necess&#225;rio aprender a viver no mundo dos vivos. </p>
<p>Nos meus 8 ou 9 anos de idade, minha primeira experi&#234;ncia com a morte n&#227;o passou de um relato verbal dos meus pais avisando sobre uma tia que fora v&#237;tima de c&#226;ncer. Quase n&#227;o t&#237;nhamos contato, ela era de outra cidade. Logo depois, perdi meu coelho de estima&#231;&#227;o, o que me levou a longos meses de tristeza.</p>
<p>Nesse processo de luto, me culpei a todo instante achando que n&#227;o havia dado o melhor para o &quot;orelhudo&quot;, al&#233;m de blasfemar contra o Deus onipotente e onipresente que eu acreditava na &#233;poca. O Deus cruel do mundo crist&#227;o. Por que ele permitiu essa trag&#233;dia? </p>
<p>Aprendi tr&#234;s coisas com a morte da minha tia e do meu coelho, que viria a descobrir mais tarde no mundo acad&#234;mico, como sendo tr&#234;s dos principais elementos presentes no processo de luto: quando perdemos algu&#233;m o sentimento de culpa pode nos acompanhar para o resto da vida; a morte adquire significados de acordo com os nossos v&#237;nculos com o objeto da perda, a morte de um filho, de um dos c&#244;njuge e de um amigo, tende a ser as mais dolorosas al&#233;m de destruir a nossa ilus&#227;o de invulnerabilidade &#8211; nos deparamos com a morte de in&#250;meras pessoas nos notici&#225;rios, mas n&#227;o nos causa sofrimento, quando muito espanto pela forma como foi a fatalidade. E por fim, os enlutados ir&#227;o encontrar alguma forma de praguejar contra a injusti&#231;a, na maioria dos casos, Deus ou o destino. </p>
<p><span id="more-421"></span></p>
<p>O principal trabalho do terapeuta frente ao paciente enlutado &#233; propiciar que ele passe pelas fases do luto que s&#227;o comuns a muitas esp&#233;cies. Luto aqui n&#227;o &#233; apenas diante da morte, mas sim, de qualquer perda. A morte dos pais, a separa&#231;&#227;o pela dist&#226;ncia, a perda de um bicho de estima&#231;&#227;o e at&#233; mesmo objeto de valor sentimental, etc. Em geral, as fases s&#227;o marcadas por momentos de intensa raiva, n&#227;o aceita&#231;&#227;o da pr&#243;pria vida, culpabiliza&#231;&#227;o de si mesmo e dos outros at&#233; a conformidade, quando o paciente aceita a morte enquanto uma passagem natural do ciclo vital.</p>
<p>No mundo moderno as fases naturais percorridas no luto tendem a ser sufocadas pelo indiv&#237;duo imerso numa cultura onde a morte n&#227;o deve estar presente, salvo nos lugares onde se vende a &quot;morte&quot;. Morrer custa caro! Os que t&#234;m o cora&#231;&#227;o tocado pela perda de algu&#233;m, tamb&#233;m tem seus bolsos tocados pelas l&#225;pides, caix&#245;es, ornamentos, flores, santos e deuses, rituais, etc. Os mortos vistos acima da terra possuem classe social.</p>
<p>Antigamente os moribundos morriam em casa na companhia dos familiares e amigos, a sua presen&#231;a n&#227;o incomodava os adultos, idosos e crian&#231;as que partilhavam daquele momento juntos. Hoje os moribundos devem ser escondidos o mais r&#225;pido poss&#237;vel dos vivos. Seria considerado neglig&#234;ncia deix&#225;-los morrer em casa. Devem morrer em leitos solit&#225;rios, acompanhados somente de aparelhos sofisticados que implicam na esperan&#231;a de voltar &#224; vida.</p>
<p>Quanto mais comercial for um hospital maior ser&#227;o as esperan&#231;as do moribundo romper com &#224; morte. Quando isso falha &#8211; o que ocorre na maioria das vezes &#8211; os m&#233;dicos e as enfermeiras s&#227;o acusados de insens&#237;veis por n&#227;o dar os devidos cuidados ao doente terminal. </p>
<p>Estarei eu sendo pretensioso, querendo voltar a um passado distante? &#8211; N&#227;o &#233; essa minha pretens&#227;o, aponto que atualmente, talvez, n&#227;o saibamos morrer. N&#227;o sabemos morrer porque n&#227;o sabemos viver, e n&#227;o sabemos viver porque n&#227;o sabemos morrer. Muitas vezes pensamos tanto no futuro que deixamos de viver o presente e, atordoados por passado e presente, abandonamos o futuro. </p>
<p>Mas n&#227;o somos os &#250;nicos respons&#225;veis pelo &quot;mal-estar na civiliza&#231;&#227;o&quot;. Os processos globalizantes e a forma como se configura o modo de produ&#231;&#227;o capitalista, acaba tornando-nos mercadorias em prateleiras enquanto produzimos e temos beleza, t&#227;o logo deixamos de produzir e Afrodite* nos abandona, somos descartados &#224; refugo. </p>
<p>Diante das nossas ilus&#245;es &#8211; pelo menos at&#233; a crise da meia-idade &#8211; de que a morte n&#227;o nos conhece e das nossas cren&#231;as em uma exist&#234;ncia duradoura e repleta de vigor, o que faremos? &#8211; Nos agarramos nos consolos da vida eterna oferecida pelos deuses? Ou procuramos companhia naqueles que ousaram falar sobre a morte? </p>
<p>Epicuro nos diz que tememos a morte sem raz&#227;o, uma vez que quando estamos vivos ela n&#227;o est&#225; presente, e quando ela chegar n&#227;o estaremos vivos. Nit aponta que o &#250;nico consolo diante da morte &#233; que morremos uma &#250;nica vez. Dito por Schopenhauer, ao nascermos j&#225; pertencemos &#224; morte que durante a nossa vida n&#227;o faz nada al&#233;m de brincar com a presa antes de a devorar. Na f&#250;nebre can&#231;&#227;o de Raul Seixas** a morte carrega o mist&#233;rio, podendo ser o segredo da vida. &#8211; Entre in&#250;meros outros pensadores que vendo o desconforto diante da morte, acabaram por confortar-se diante dela. </p>
<p>Retomando uma das premissas que me fez escrever este texto, s&#243; posso apontar que para viver bem &#233; necess&#225;rio morrer, e para morrer bem &#233; necess&#225;rio saber viver. A vida n&#227;o pode ser vivida se ela n&#227;o pode ser morrida. Nesse sentido, pergunto a voc&#234; leitor: j&#225; ousou verificar o que ronda o seu pensamento sobre a vida daqui a 20 anos? 30 anos? 50 anos? Ou &#8211; sendo mais ousado &#8211; consegue at&#233; mesmo imaginar como voc&#234; estar&#225; diante da visita tr&#225;gica da morte? </p>
<p>&quot;N&#243;s modernos, n&#243;s semib&#225;rbaros. N&#243;s s&#243; atingimos nossa bem-aventura&#231;a quando estamos realmente em perigo. O &#250;nico est&#237;mulo que efetivamente nos comove &#233; o infinito, o incomensur&#225;vel.&quot; &#8211; Nietzsche</p>
<p><em><font face="Verdana" size="1">*deusa da beleza para os gregos; conhecida tamb&#233;m como V&#234;nus entre os romanos       <br />** Canto para minha morte &#8211; Raul Seixas        <br />Imagem: &quot;O dia da morte&quot;, pintura de William Adolphe (1825-1905)</font></em></p>
Leia também:<ul><li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/09/04/carta-a-um-morto/" rel="bookmark" title="4 de setembro de 2007">Carta a um morto</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/04/09/mae-de-isabela-nardoni-nao-chora-morte-da-filha/" rel="bookmark" title="9 de abril de 2008">Mãe de Isabela Nardoni não chora morte da filha</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/10/06/brainstorming/" rel="bookmark" title="6 de outubro de 2007">Brainstorming</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/08/14/o-grande-ditador-charles-chaplin/" rel="bookmark" title="14 de agosto de 2007">O Grande Ditador &#8211; Charles Chaplin</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/03/19/questoes-existenciais-pequeno-dialogo/" rel="bookmark" title="19 de março de 2008">Questões existenciais: pequeno diálogo</a></li>
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		<title>Deus, religi&#227;o e o sentimento religioso em Freud</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Nov 2007 18:05:54 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Há muito tempo atrás, ele [o homem] formou uma concepção ideal de onipotência e onisciência que corporificou em seus deuses. A estes, atribuía tudo que parecia inatingível aos seus desejos ou lhe era proibido. Pode-se dizer, portanto, que esses deuses constituíam ideais culturais. &#8211; Freud (1929) A religiosidade perpassa ao longo do processo de desenvolvimento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://farm3.static.flickr.com/2365/1969495096_b172b49704_o.jpg"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2365/1969495096_b172b49704_o.jpg" height="150" width="343" /></a></p>
<p></center></p>
<blockquote><p>Há muito tempo atrás, ele [o homem] formou uma concepção ideal de onipotência e onisciência que corporificou em seus deuses. A estes, atribuía tudo que parecia inatingível aos seus desejos ou lhe era proibido. Pode-se dizer, portanto, que esses deuses constituíam ideais culturais. &#8211; Freud (1929)</p></blockquote>
<p>A religiosidade perpassa ao longo do processo de desenvolvimento das civilizações. Todas as religiões passam por diversas fases e conflitos, nem todas as perguntas têm em si as respostas imediatas, entretanto, tais idéias são difundidas pela civilização como um bem precioso.</p>
<p>Suas idéias são altamente valorizadas ao longo do tempo enquanto condição para o mais alto grau do bem-estar. A &#8220;Palavra de Deus&#8221; carrega em si, para o religioso, as condições para a conquista de riquezas, dos proventos, da cura para as doenças e os males, dentre outros desejos que a civilização não pode satisfazer.</p>
<p>A explicação que Freud dá ao sentimento religioso decorre do desamparo na qual o indivíduo é dotado ao nascer em um mundo que lhe parece estranho, hostil e cheio de enigmas, da existência à própria morte. O desamparo infantil decorre dos conflitos e dúvidas quanto as garantias sobre o existir e o futuro. Em Freud, tal desamparo também é o motor da civilização, uma vez que esta nasce na tentativa de diminuir o desamparo do homem diante das forças da natureza, dos enigmas da vida e da própria morte.</p>
<p>Decorre daí que o indivíduo tem um sentimento quanto à proteção, uma necessidade de um pai protetor que lhe trará um apazigüamento do temor, buscando indicar as soluções para dominar o desconhecido. A esse sentimento que estaria ligado à gênese do ideal de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ego">Eu</a>, Freud denominou de &#8220;sentimento oceânico&#8221;, isto é, a relação do ser humano com um ser infinito, absoluto e abstrato. Outra discussão se faz necessária para explicar o sentimento religioso em Freud, a questão da civilização.</p>
<p>A análise de Freud para a questão da humanidade é de longe um quadro do terror. Porém, é no meio dessas trevas que Freud estabelece as bases para explicar os conflitos humanos, o sofrimento psicológico e a constituição do indivíduo. Em Freud a vida é sofrimento e viver é sofrer, tal como em Schopenhauer.</p>
<p>Ela nos proporciona muitas decepções e tarefas difíceis de suportá-la. Há 3 maneiras principais de experimentar o sofrimento: o advindo da decadência do nosso próprio corpo condenado à dissolução (morte); do mundo externo quando entramos em conflitos (imposições e regras culturais) e o último, advindo do nosso relacionamento com o outro. Relacionamento é desgastoso a qualquer um, traz uma série de conflitos e dissabores, no entanto, é uma faca de dois gumes, pois também é através dos relacionamentos que constituimos nossa subjetividade.</p>
<p>Apresentado o propósito da vida, a busca do prazer em detrimento do desprazer, verifica-se que o programa do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_do_prazer">princípio do prazer</a> está em desacordo com o mundo, tanto quanto ao macrocosmo como o microcosmo. A cultura é a grande vilã e a vida em sociedade só é possível com o estabelecimento de regras, o que necessariamente causará confrontos com os desejos individuais.</p>
<p>As possibilidades de felicidade já são condenadas pela nossa própria constituição. Ela é restrita e sua manifestação é passageira. A felicidade intensa e prolongada não existe em Freud, nos comportamos de modo que só podemos experimentar prazer intenso em contraste: amor &#8211; indiferença; alegria &#8211; tristeza; gostar &#8211; odiar, etc.</p>
<p>O ceticismo é fundamental na psicanálise freudiana. Coloca-se um dilema, de um lado reconhece que o estado anterior à civilização é ruim por conduzir à barbárie (lei do mais forte); de outro, a civilização nos cobra um preço elevado para tornar viável a vida em sociedade, este preço é a renúncia dos prazeres e desejos individuais por outros mais conciliatórios com a coletividade.</p>
<p>O ser humano está aprisionado, porém, Freud não é um pessimista, deixou a psicanálise para ajudar o homem a conseguir formas mais conciliatórias com as restrições impostas pela civilização. Para citar um exemplo qualquer, o amante que experimenta os dissabores de um relacionamento não correspondido, não pode imputar danos à amada, agredí-la ou puní-la, se o fizer, isso terá um custo a ser pago, poderá sofrer as sanções da Lei. Mas esse sujeito pode encontrar na arte, na música ou na escrita, uma expressão satisfatória dos seus desejos reprimidos.</p>
<p><span id="more-376"></span><strong>A gênese dos deuses e das religiões em Freud<br />
</strong>Diante do dilema da vida colocada por Freud, cada civilização construiu os deuses à sua imagem e semelhança espelhadas nos idealimos dos desejos coletivos. Coube aos deuses a tarefa de remediar os conflitos dos homens e aplicar sofrimentos àqueles que afligem o próximo e, também, prover uma recompensa para àqueles considerados &#8220;merecedores&#8221;. Nenhum deus nasce de uma religião, mas toda religião nasce de um deus, ou vários.</p>
<p>A religião tem a função de separar os que crêem em um deus em específico e criar as regras e o moralismo que irão configurar à doutrina. &#8211; Eis o nascimento de um repertório de dogmas, produto da necessidade do homem em tornar tolerável o seu sofrimento e sua fraqueza diante da Natureza. É nesse sentido que todas as religiões &#8211; independente de seus princípios &#8211; têm dois extremos comuns enquanto objetivo final e separação dos merecedores dos não merecedores: uma alternativa que traga um novo início depois do fim enquanto recompensa (vida depois da morte) e um castigo àqueles que não foram condizentes com os princípios da doutrina.</p>
<p>Certamente que as idéias religiosas passam por um longo processo de desenvolvimento em diversas fases. Em muitas das fases ocorrem conflitos de idéias que resulta na dissolução de uma religião em duas ou mais vertentes, por exemplo, o Catolicismo que na divergência de idéias acabou se dividindo em várias vertentes: os luteranos, calvinos, anglicanos&#8230;etc. No Brasil é marcante as diversas segmentações do Cristianismo através dos cristãos, assembleianos, pentecostais, evangélicos&#8230;etc. No entanto, as idéias religiosas transmitidas ao longo das civilizações adquirem um valor altamente precioso nas sociedades formadas.</p>
<p>Toda doutrina religiosa é incapaz de provas, ou você acata as idéias enquanto verdadeiras e acredita, ou não acredita. Para Freud, quando indagamos a autencidade de um dogma, nos deparamos com três respostas possíveis: 1) os ensinamentos merecem à crença porque os antepassados já acreditavam; 2) levanta-se &#8220;provas&#8221; de tais ensinamentos transmitidos pelos antepassados &#8211; obviamente que a prova é aquela baseada na fé ou no criacionismo; 3) é totalmente proibido questionar a autencidade da prova. Nesse último, reside a mais alta sustentação da religião.</p>
<p>Freud explica a questão da manutenção dos dogmas pela internalização desde a infância, dos ensinamentos e dogmas religiosos. A criança em sua constituição aprende desde cedo que questionar a existência de um deus é extremamente punitivo.</p>
<p>Trazendo a discussão para o mundo ocidental, tomando o Cristianismo como exemplo, se a criança pergunta aos pais onde está Deus ela irá receber várias respostas: &#8220;está no seu coração&#8221;; &#8220;na sua alma&#8221;; &#8220;no seu espírito&#8221;; &#8220;está no céu olhando todos nós&#8221;. Em uma pergunta surgem várias outras dúvidas, nenhuma delas satisfará enquanto prova autêntica para a compreensão da realidade pela criança.</p>
<p>Na medida em que tais questionamentos irão sendo prolongados quando a criança se depara com os conflitos gerados pelo encontro dos seus ideias de mundo com a realidade, serão duramente reprimidos pelos pais e pela cultura, uma vez que esta estabelece que ter uma religião é uma condição normal, anormal é quem não tem.</p>
<p>Em épocas passadas os exemplos de como eram punidos tais presunções são violentos, hoje, com muito otimismo podemos dizer que a civilização olha com desconfiança para quem coloca uma idéia religiosa em dúvida.</p>
<p><strong>Considerações finais:</strong><br />
Este breve exposto não teve as pretensões de esgotar o assunto, tais considerações são antes de tudo uma possível explicação através do pensamento social de Freud para à existência do sentimento religioso do que uma concepção hermética do assunto.</p>
<p>Felizmente as chamas das fogueiras da Inquisição há muito tempo se apagaram. Os ateus e os céticos conseguiram destruir muitas mordaças. Entendo que apontar o dedo para um religioso e tentar criticá-lo por apelar ao sobrenatural não é direito nosso, assim como o oposto também não é. O próprio Freud admite que é insensato tentar eliminar a religião pela força, por um só golpe.</p>
<p>Tal presunção é irrealizável e se fosse, seria crueldade. Apontado por Freud, <em>&#8220;Um homem que passou dezenas de anos tomando pílulas soporíferas, evidentemente fica incapaz de dormir se lhe tiram sua pílula. Que o efeito das consolações religiosas pode ser assemelhado ao de um narcótico (&#8230;)&#8221;</em>, porque concetraríamos nossas forças em acusações aos religiosos? &#8211; Façamos diferente.</p>
<p>Questões como para onde vamos, de onde viemos, como foi criado o mundo entre outros enigmas, ainda resistem às explicações do criacionismo. Entendo que tais questões não ajudam a avançar e jamais terão explicações empíricas, quando muito modelos mais próximos da realidade &#8211; <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Big_bang">teoria do Big Bang</a> &#8211; do que a lenda de Adão e Eva.</p>
<p>O Velho Mundo ficou na história, muitos deuses e demônios já foram enterrados, outros foram criados e ainda outros ressuscitados, mas ainda há muito mais trevas. A Ciência já expulsou muita escuridão, mas ainda é uma luz de vela que nos traz um pouco de sentido diante do desconhecido. Lutemos para que tais luzes sejam ampliadas e não se apaguem.</p>
<p>À partir das bases filosóficas e científicas apontemos a espada na face dos deuses perversos e seus demônios, seus métodos de punição e principalmente, nos pregadores &#8211; empresários de deus na Terra &#8211; e nas religiões, instituições estas que criam condições de alienação e conformismo, aprisionando a existência no pernicioso moralismo. Façamos nossa parte, pois do outro lado os escritos sagrados estarão lutando para arrebatar cada vez mais vidas e trancafiá-las nos calabouços do absoluto, condenando os estéreis de fé a se estribarem no tridente de satanáz.</p>
<p><em>*Imagem de Michelangelo &#8211; O fruto proibido</em></p>
<p><strong>Bibliografia básica:</strong><br />
O futuro de uma ilusão &#8211; Freud (1927)<br />
O mal-estar na civilização &#8211; Freud (1929)</p>
<p><strong>Textos recomendados de outros blogs:</strong><br />
<a href="http://www.heldersanches.com/2007/06/19/o-definhar-da-religiao/">O definhar da religião</a><br />
<a href="http://www.ateismo.net/diario/2007/11/os-catlicos-e-moral.php">Os católicos e a moral</a></p>
Leia também:<ul><li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/09/10/deus-um-delirio-dawkins/" rel="bookmark" title="10 de setembro de 2007">Deus, um Delírio &#8211; Dawkins</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/31/vamos-falar-de-amor-parte-3/" rel="bookmark" title="31 de janeiro de 2008">Vamos falar de amor? &#8211; parte 3</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/10/24/iurd-universal-do-reino-de-deus-edir-macedo-motim-parte-2/" rel="bookmark" title="24 de outubro de 2007">IURD, Universal do Reino de Deus, Edir Macedo &#8211; motim parte 2</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/13/manual-do-sexo-cristo-pecado-ou-no/" rel="bookmark" title="13 de janeiro de 2008">Manual do sexo crist&atilde;o &#8211; &eacute; pecado ou n&atilde;o?</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/06/27/comprovado-religiao-e-coisa-de-burro/" rel="bookmark" title="27 de junho de 2008">Comprovado: Religião é coisa de burro</a></li>
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		<title>Skinner e Freud</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Sep 2007 23:23:02 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Skinner e Freud sem dúvidas são os dois maiores ícones da Psicologia, o primeiro conhecido pela filosofia do Behaviorismo que sustenta a Análise Comportamental, e o segundo, o pai da Psicanálise. Ambos defendem pressupostos teóricos bem antagônicos. Para Skinner, as causas do comportamento estão sempre no ambiente, aqui não existe mente nem qualquer entidade interna [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Skinner e Freud sem dúvidas são os dois maiores ícones da Psicologia, o primeiro conhecido pela filosofia do Behaviorismo que sustenta a Análise Comportamental, e o segundo, o pai da Psicanálise.</p>
<p>Ambos defendem pressupostos teóricos bem antagônicos. Para Skinner, as causas do comportamento estão sempre no ambiente, aqui não existe mente nem qualquer entidade interna presente no indivíduo &#8211; nenhum apelo ao mentalismo se faz necessário para explicar o comportamento; já Freud, construiu sua teoria apoiada em conceitos mentalistas, aqui se faz presente o dinamismo psíquico das pulsões entre as instâncias mentais do indivíduo &#8211; consciente, pré-consciente, inconsciente &#8211; que irão determinar o comportamento.</p>
<p>É comum dentro da Psicologia, alunos e até mesmo professores, defendendo seus pontos de vista baseado em puro radicalismo. Buscam elementos de um que não tem no outro e criam em torno disso uma série de conflitos que de nada adiantam. Sinto pena desses &#8220;religiosos&#8221; do comportamento.</p>
<p>Particulamente vejo nestas abordagens, não escopos teóricos excludentes, mas sim, instrumentos que possibilitam estudar o comportamento. Uma tem a ensinar para a outra e ambas não dão conta de tudo, como nenhuma outra teoria. São representações e não verdades, assim como é o mundo que Schopenhauer descreveu. Sábio o psicólogo que vê em ambas, possibilidades de exercer o seu trabalho, ou ao menos, que não faça o papel de advogado do diabo.</p>
<p>A ilustração abaixo é apenas um modo de mostrar um pouco das diferenças entre esses dois pensadores que admiro muito.</p>
<p style="text-align: center"><a href="http://farm2.static.flickr.com/1219/1460845114_3a58dbf526_o.jpg"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1219/1460845114_3a58dbf526_o.jpg" height="395" width="474" /></a></p>
Leia também:<ul><li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/08/27/dia-do-psicologo/" rel="bookmark" title="27 de agosto de 2007">Dia do Psicólogo</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/31/vamos-falar-de-amor-parte-3/" rel="bookmark" title="31 de janeiro de 2008">Vamos falar de amor? &#8211; parte 3</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/04/15/psicologia-no-ensino-medio/" rel="bookmark" title="15 de abril de 2008">Psicologia no ensino médio</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/04/24/curso-de-analise-tecnica-video-aulas-do-youtube/" rel="bookmark" title="24 de abril de 2008">Curso de análise técnica &#8211; vídeo aulas do Youtube</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/04/11/criticas-criticas-e-aparicoes-ridiculas-do-santoro/" rel="bookmark" title="11 de abril de 2007">Críticas, críticas e aparições ridículas do Santoro</a></li>
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		<title>O Fetichismo da Mercadoria</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Sep 2007 01:51:21 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Filosofando]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>

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		<description><![CDATA[Um amigo meu, certa vez em sala de aula, disse a seguinte frase: “necessidade é água, desejo é Coca-cola”. Achei brilhante o conteúdo, pois traz em tona, uma discussão complexa acerca do caráter sensual da mercadoria à luz da psicanálise e também, do materialismo histórico-dialético, concepção filosófica desenvolvida por Marx e Engels. Inevitavelmente esse post [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://farm2.static.flickr.com/1020/1407934524_396950c471_o.jpg"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1020/1407934524_396950c471_o.jpg" style="width: 335px; height: 293px" align="left" /></a>Um amigo meu, certa vez em sala de aula, disse a seguinte frase: “necessidade é água, desejo é Coca-cola”. Achei brilhante o conteúdo, pois traz em tona, uma discussão complexa acerca do caráter sensual da mercadoria à luz da psicanálise e também, do materialismo histórico-dialético, concepção filosófica desenvolvida por Marx e Engels.</p>
<p>Inevitavelmente esse post será extenso, &#8211; mesmo assim será apenas uma pincelada sobre o assunto &#8211; mas tudo bem, esse blog não tem nenhum interesse de atrair massas e pouco se importa com leitor <span style="font-style: italic">“pop”</span>; pelo contrário, esse post se destina àquele leitor mais ambicioso, que desconfia do que a realidade aparenta ser. Também, pode ser que eu frustre suas expectativas, principalmente pelo que de início isso parecerá ser, mas não será. São apenas considerações para se resguardar daqueles que são cego-visuais, fãs do Pedro Bial.</p>
<p>Antes de iniciar, faz-se necessário apontar que, infelizmente, é comum o Marx ser visto como uma besta socialista, aquele diabo barbudo que escreveu “O Manifesto Comunista”. Sem dúvidas que aqui reside um conceito de pessoas que conhecem Marx porque ouviram falar na televisão ou porque ouviu algum estulto <span style="font-style: italic">“Justus”</span>, dizer que ele é o pai dos regimes autoritários. Tais premissas são infundadas, na medida em que não levam em consideração, toda construção filosófica que Marx desenvolveu para uma compreensão do indivíduo em sua totalidade <span style="font-style: italic">bio-psíquica-social</span>;  no marxismo o ser humano é social, se relaciona, transforma e é transformado pelo meio e pela natureza.</p>
<p>Tais preconceitos apontados, talvez se respaldam, pela atribuição de regimes totalitários, classificados pela mídia como Socialismo e Comunismo; a extinta URSS, outros países já desintegrados da Europa Oriental e atualmente, Cuba. Experiências socialistas com muito mais contradições do que semelhanças com o socialismo que Marx anunciava enquanto pré-condição para se atingir um regime Comunista. Caíram as <span style="font-style: italic">cortinas de ferro</span> e ergueu-se um caldeirão de dogmas que espalha suas mentiras por toda parte: o PT é marxista; partidos de esquerda são marxistas; a ditadura é marxista (sic); autoritarismo e tortura são coisas de governos socialistas e comunistas; os socialistas querem apropriar do que você conseguiu com muito esforço; os comunistas incitam a violência; etc.</p>
<p>O Capitalismo é especialista em criar dogmas. Em defesa, acorrentados entre o tempo e a configuração econômica, o cego, livre para ver o sol, se agarra em conceitos de liberdade, igualdade e justiça. Liberdade de fechar um contrato e de fazer escolhas; igualdade, pois todos têm a mesma liberdade e se não tem é o próprio culpado. – Aqui, igualdade se mede em dinheiro e, justiça, significa o produto entre o dado e o recebido.</p>
<p>Definitivamente, esse texto, não se destina aos que classificam “O Capital” da mesma forma que o Diabo classificou a Bíblia. Esses estúpidos que, se antes soubessem o aporte teórico que Marx deixou para a compreensão do indivíduo em sua totalidade e que, jamais se constitui – como nada se constituirá &#8211; enquanto esgotamento compreensivo, não escreveriam estultices como o que se percebe no texto, &#8211; que por sinal muito mal redigido &#8211; escrito por um blogueiro <span style="font-style: italic">“pop”</span> da revista Veja. &#8211; (<a href="http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2006/10/ai-esse-tar-de-materialismo-histrico_25.html">clique para ver a anedota</a>)</p>
<p>Esse sujeito tem a proeza de dizer que “<span style="font-style: italic">a área de humanidades no Brasil está tomada por esse lixo</span>” (o materialismo histórico-dialético). – O Brasil é que está tomado de bípedes que vestem a carapuça do <span style="font-style: italic">tio Sam</span>, e conseguem, literalmente, abstrair lixo de seus pensamentos. Esses estúpidos, compradores de diplomas, são esterilizados de pensamentos e reflexões que antecedem suas ações, mas são dotados de incrível capacidade de reproduzir exatamente o que dizem os manuais técnicos. Essas bestas, cospem para cima e acreditam estar atingindo o próximo.</p>
<p>Schopenhauer nos chama atenção para esse tipo de “escritor”, dizia ele: <span style="font-style: italic">“Uma grande quantidade de escritores ruins vive unicamente da estultice do público </span>(os jornalistas) (&#8230;) <span style="font-style: italic">são também alarmistas: este é o seu modo de se tornarem interessantes. No entanto, mediante tal expediente acabam por se igualar aos cãezinhos que, tão logo percebem algum movimento, põem-se a latir fortemente. Sendo assim, é preciso dar aos seus sinais de alerta apenas a atenção necessária para não prejudicar a própria digestão.”</span> – Assim sendo, para não causar indigestão e antes que eu perca controle com as palavras atentando ainda mais contra a natureza de marionete do tal <span style="font-style: italic">blogueiro pop, <span style="font-style: italic"></span></span>darei início, finalmente, ao que pretendo&#8230;</p>
<p><span id="more-322"></span>Um conceito fundamental em Marx, quando nos atentamos para a mercadoria, principalmente em tempos de verdadeiros bombardeios de publicidade e propaganda, é o fetichismo da mercadoria. A palavra fetiche vem de “feitiço”, algo que exerce um poder sobrenatural sobre alguém. Na Psicanálise freudiana, fetiche pode ser entendido como o substituto de um objeto do desejo.</p>
<p>Logo, o que Marx quer dizer com fetichismo da mercadoria, é o fato do produto exercer um controle – sobrenatural até &#8211; sobre o comprador. Muito além daquele do valor de uso, ou seja, a finalidade a que se destina o produto. O sujeito pode comprar uma calça jeans <span style="font-style: italic">Fórum</span> não pela simples necessidade de vestir o corpo, mas muito mais, enquanto uma possibilidade de satisfazer seus desejos refletidos através do significado da calça Fórum. Muito mais que cobrir o corpo nu, o comprador vê a calça enquanto um meio para satisfação dos seus desejos de atração, de identidade, de sensualidade, de ascensão social, etc. Esse é apenas um exemplo de uma lista que pode ser extensamente indefinida.</p>
<p>Mas a calça jeans Fórum de nada significa para o sujeito se não houvesse por trás, toda propaganda do fabricante que transmite seus horizontes aos destinatários. Tais horizontes transmitem de um lado, os sucessos na carreira profissional no mercado de trabalho, de outro, a reputação geral, sobretudo do sucesso amoroso.</p>
<p>Tais técnicas, a do apelo pela imagem, pela música e pela embalagem, fazem parte da estética da mercadoria; um tema muito bem desenvolvido por um alemão chamado <span style="font-style: italic">Wolfgang Fritz Haug</span>, em <span style="font-style: italic">“Crítica da Estética da Mercadoria”</span> (1971). Para Haug, a estética mercadológica consiste em oferecer as mercadorias enquanto meios para que o próprio sujeito se torne “vendável”. O significado por trás do valor de uso da mercadoria, isto é, a embalagem, é construída à imagem e semelhança da sensualidade humana; um elemento e atrativo sedutor, que promete o bem-estar e sucesso geral do indivíduo.</p>
<p>Subvertem-se os valores, isto é, o valor de uso passa a ser mero opcional, e o valor abstrato, aquilo que a mercadoria promete, mas não pode cumprir, torna-se fundamental para criar comportamentos padrões em grupos potenciais de consumo. Assim se realiza o fetichismo da mercadoria, ou seja, o poder “sobrenatural” criado pelo produtor para que seu produto exerça domínio sobre o sujeito.</p>
<p>Psicanaliticamente falando, o que se verifica é uma incorporação na embalagem e na publicidade, na mercadoria em si, dos desejos e das fantasias do sujeito. Tais desejos e fantasias, sejam eles sexuais ou agressivos, &#8211; em sua grande maioria reprimidos pela Cultura &#8211; são refletidos enquanto possibilidades de satisfação pela mercadoria. Ocorre aí também, uma subversão de valores, isto é, o produto torna em si, um substituto do objeto de desejo (um fetiche). Mas na medida em que a sedução do produto substitui não apenas um desejo, mas sim, reflete a possibilidade de suprir vários desejos, apelando aos instintos mais vitais, – em essencial a sexualidade &#8211; o Capital faz do desejo do sujeito uma necessidade. Faz com que o sujeito sedento troque a água pela Coca-cola.</p>
<p>Algo recente onde se verifica claramente a perversidade do fetiche da mercadoria, acontece com produtos do gênero de embelezamento, os cosméticos, voltados para o público masculino – sabemos que para o público feminino isso vem de longa data. Na procura de novas possibilidades de investimentos e lucros exorbitantes, o capital subverte os valores daquele homem que até então “dava conta do recado”. Este homem, já não é mais aquele que raramente corta as unhas e apara a barba, mas sim, aquele que está constantemente se cuidando e se atualizando com as novidades da moda, da beleza, dos automóveis, das tecnologias, etc. Uma compra deve acarretar outras.</p>
<p>Assim, quando até pouco tempo atrás, o “verdadeiro” homem podia lavar os cabelos com água quando muito um sabonete ou xampu, hoje já está até realizando cirurgias plásticas com função de melhorar seus níveis de beleza. Tal mudança se deve principalmente, aos constantes apelos publicitários e as estratégias da estética da mercadoria que vêm criando tal necessidade nos homens.</p>
<p>Usa-se a imagem da mulher linda que não mais escolhe o sujeito simpático em formato de pêra, mas opta pelos <span style="font-style: italic">minotauros</span> dotados de corpo atlético e cabeça de besta <span style="font-style: italic">(nada contra a musculação, eu a amo =)</span>; não basta mais o homem estar limpo, é necessário que ele esteja cheirando aos mais requisitados perfumes franceses; homem que consegue a bela mulher da embalagem é aquele bronzeado, sem nenhuma mancha no rosto e de sorriso com dentes impecáveis em brancura. O Capital descobriu que apelar à masculinidade significa aumentar significativamente os lucros.</p>
<p>Nesse sentindo, o produtor transforma sua marca enquanto necessidade de consumo, após muitos slogans e propagandas ostentando pessoas que são bem-sucedidas profissionalmente, pessoalmente e principalmente amorosamente por optarem em usar determinado produto e/ou marca.</p>
<p>O jovem que vai conseguir beijar na boca da bela mocinha por tomar um guaraná <span style="font-style: italic">X</span>; o executivo em sua mansão atendendo a um telefonema de uma linda mulher através do seu celular <span style="font-style: italic">Y</span>; o complexo vitamínico que promete juventude à senilidade; o rapaz comum que passou o perfume <span style="font-style: italic">Z</span> nas axilas e agora está rodeado por belas moças&#8230; etc.</p>
<p>Quando tais comportamentos exibidos na embalagem da mercadoria são cristalizados no grupo, ela enfim, adquire a plenitude do status fetichista. Nenhum grupo sai ileso, todas as classes sociais são atingidas. O rico vê na mercadoria a personificação do glamour, da classe alta e da ascensão. O pobre vê na mercadoria, a possibilidade, principalmente, da ascensão profissional e pessoal; ele não pode ter um carro de luxo, mas pode ter aquela motocicleta que o artista <span style="text-decoration: line-through">Sandy &amp; Júnior</span> usa para se ver liberto de “todos os males”.</p>
<p>Adultos, homens, mulheres, adolescentes, religiosos, crianças, hippies, emos, metaleiros, etc. Nem mesmo os rebeldes que se dizem não ir pela opinião da maioria saem ilesos. Estes, se não são sensibilizados pelos comportamentos padrões, são sensibilizados por comportamentos considerados únicos. Recentemente surgiram duas propagandas de automóveis que visam especificamente enaltecer a singularidade do sujeito que se diz não ir pela opinião dos outros. Esse é um aspecto que tende a ser explorado pelos produtores, que começam a perceber nos grupos diferenciados, um potencial de consumo fiel. Os homossexuais, por exemplo, são um público alvo de fácil “domesticabilidade” nesse quesito.<br />
Nem mesmo os velhos que são considerados inválidos para a sociedade capitalista são poupados. De um lado são invalidados por não representarem capacidade de produção, por outro, são validados enquanto grupo de consumo especial, vítimas, sobretudo, de produtos que prometem trazer a juventude perdida.</p>
<p>Os grupos se distinguem para o capital, apenas enquanto maior ou menor potencial de consumo; o objetivo é sempre a criação de desejos transfigurados em necessidades; uma compra leva a outra em um emaranhado de fetiches sem fim.</p>
<p>Eis a lógica da mercadoria perpassada pela estética e pelos fetiches, pelos apelos à sensualidade, à juventude, à masculinidade, ao sucesso profissional e geral, sobretudo, o amoroso; eis a oferenda da aparência abstrata, a hipocrisia. <span style="font-style: italic">“Quem compra tais mercadorias anunciadas como se estivessem anunciando o próprio corpo terá sua aparência prostituída por elas, vestirá suas particularidades sexuais com a embalagem da comprabilidade, fazendo que elas se ofereçam a todos que as virem.”</span> (Wolfgang Haug)</p>
<p><span style="font-weight: bold">Epílogo<br />
</span><br />
Uma pergunta se faz: há possibilidades de não ser “enfeitiçado” pelo produto? – Talvez não seja possível responder, e a resposta pode não trazer nenhum avanço. Melhor seria perguntar, o que eu posso fazer para não reproduzir as relações alienantes do Capital? – Acredito que conhecer o modo de funcionamento de uma sociedade de classes, seu respectivo modo de produção e configuração econômica, podem trazer grandes vantagens.</p>
<p>A solução não é você deixar de consumir, todos nós temos necessidades. O materialismo histórico-dialético não ostenta uma vida de pobreza, pelo contrário, opõe-se a ela. A concepção filosófica e política de Marx, não priva homem algum de possuir os produtos criados pela sociedade, mas sim, abomina qualquer poder de subjugar o trabalhador do que ele próprio produziu, isto é, a apropriação indevida a partir da exploração dos que não têm os meios de produção.</p>
<p>O que se coloca, é uma superação das relações alienantes a qual o homem está imerso. O radicalismo e o fanatismo podem morar na justificativa de que não se deve comprar nenhum produto. O Capital, mais que interessado no seu dinheiro em específico, &#8211; o dinheiro é apenas o efeito colateral &#8211; depende do seu comportamento a favor dele para se ostentar e alastrar sua perversidade. A resposta está nas suas ações, se contribuem para manutenção ou na superação da realidade que está posta.</p>
<p>Não foi objetivo do texto, levantar uma bandeira com os dizeres “Socialismo já!”. Um modelo de sociedade previsto por Marx é uma utopia a ser considerada, como a sociedade do futuro elaborada por Skinner em <span style="font-style: italic">Walden Two</span>, e muitos outros modelos de sociedades “adaptadas”. As utopias são diferentes dos dogmas, precisamos delas para sobreviver: a utopia de alcançar a felicidade plena, o amor que idealizamos, a saúde absoluta, a vida eterna&#8230; – Utopias permitem transformar o microcosmo quando começamos a pensar o que podemos fazer para melhorar nossas próprias ações, o que necessariamente afeta todas as relações, o macrocosmo. O movimento das nossas ações, níveis de conscientização e humanização, ditaram o futuro, e este não é previsível como são nas falsas palavras do tecnicismo. O futuro, Marx não nos deixou descrito em manual, no máximo, algumas previsões que naturalmente não são imunes aos erros.</p>
<p>Se vivemos numa sociedade capitalista, não sejamos parte do monstro que anuncia que quem não devora é devorado. Esse monstro também é embalagem, o que se esconde por trás de suas oferendas são os mandos e os desmandos, as relações de dominação e exclusão que atinge a todos. Se não atinge pela fome e miséria, domina o corpo e o “espírito”; fazendo dos braços e pernas, ferramentas úteis para aumentar a produção e o consumo, além de trancar os sonhos entre os porões guardados pelo tempo.</p>
<p>Esse monstro, apela à liberdade. Diz que todos nós temos liberdade para escolher e ser como queremos. Mas, a liberdade (&#8230;) <span style="font-style: italic">não se encontra na ilusão do “posso tudo”, nem no conformismo do “nada posso”. Encontra-se na disposição para interpretar e decifrar os vetores do campo presente como possibilidades objetivas, isto é, como abertura de novas direções e de novos sentidos a partir do que está dado. (Chauí, 1999)<br />
</span><br />
Sejamos críticos e conscientes no sentido de transformar a realidade social contraditória e coercitiva, por menor que seja a transformação. Nosso inimigo em comum não é o Capitalismo em si, mas os monstros que fazem deste, algo tão perverso quanto o Deus do Antigo Testamento; monstros que agem e fazem com que você incorpore, legitimando cada ação de exclusão, dominação e alienação; tal como àquele blogueiro da <span style="font-style: italic">Veja</span> que dança e rebola quando vê o símbolo do cifrão, profana contra à vida porque já se perdeu da sua identidade e natureza humana, mas cumpre sua perversa e única função, a de prostituição: vender uma aparência e se vender como tal.</p>
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		<title>Fale daquilo que você não consegue. Tente!</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Sep 2007 19:40:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adv</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>

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		<description><![CDATA[Vi no MySpace de um amigo o seguinte trecho de algo escrito pelo Dráuzio Varela: Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vi no <a href="http://alexandrecubajr.spaces.live.com/blog/cns!DA66ED2C6B085251!186.entry">MySpace</a> de um amigo o seguinte trecho de algo escrito pelo Dráuzio Varela:</p>
<blockquote><p>Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças  como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados. O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia..</p></blockquote>
<p>Ele está certo, deve ter se baseado na psicanálise para dizer isso. Freud começou sendo médico mas descobriu que as pessoas que não colocam seus sentimentos, desejos, sonhos e fantasias para fora, acabam ficando doente. Doente do psiquismo que por sua vez é quem comanda cada movimento dos músculos. Logo, o que é reprimido se transforma em sintomas, dos mais variados, da simples dor de cabeça a um câncer fatal.</p>
<p>Cada sofrimento que não tem dor física, seu organismo, ou melhor, sua &#8220;máquina de sobrevivência&#8221; (in Dawkins), tem que trabalhar em excesso para manter o metabolismo ideal, o que signifca que isso será descontado do tempo de vida.</p>
<p>Você pode se indagar, mas como assim dizer tudo o que penso? falar é fácil, difícil é falar! &#8211; Sim, é difícil, por vários motivos que dependem da sua história de vida e da cultura. Não foi atoa que Freud criou a associação livre como método fundamental da psicanálise, que consiste basicamente em permitir que o sujeito coloque para fora aquilo que foi censurado em algum momento, tendo em vista uma descarga de afeto adeqüada para o conteúdo recalcado (ab-reação).</p>
<p>Quanto maior a quantidade de afeto envolvida no comportamento, tanto mais embaraçoso, difícil ou conflituoso pode ser o diálogo. Mas não pense que você é anormal, saiba que a Cultura quem deveria estar no divã, não está. Mesmo que difícil, tente, saiba que psicanaliticamente falando, você é feito de sonhos, fantasias e desejos. O outro também. Saiba que, independente de classe social, e acima das particularidades e preferências determinadas pela Cultura, todos nós compartilhamos de um processo de seleção natural, o que determina em muitos pontos em comum, o nosso comportamento.</p>
<p>Tente! Será que vai ser tão pior do que ficar se lamentando daquilo que você tanto queria dizer e deixou escapar? Não importa se o objetivo foi ou não atingido, seu organismo agradece e te devolve em vida cada conteúdo que até então, você achava que devia morar no mundo dos &#8220;loucos&#8221;.</p>
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