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	<title>LOG de MSN &#187; Psicologia</title>
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	<description>Música, Filosofia, Humor, Psicologia, Política, Futebol, Psicanálise e Logs do MSN</description>
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		<title>Liberdade e segurança: ser livre e estar conectado na internet</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Apr 2008 01:58:33 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Filosofando]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[A promoção da segurança sempre requer o sacrifício da liberdade, enquanto esta só pode ser ampliada à custa da segurança. Mas segurança sem liberdade eqüivale a escravidão (&#8230;); e a liberdade sem segurança eqüivale a estar perdido e abandonado (&#8230;) Essa circunstância provoca nos filósofos uma dor de cabeça sem cura conhecida. Ela também torna [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>A promoção da segurança sempre requer o sacrifício da liberdade, enquanto esta só pode ser ampliada à custa da segurança. Mas segurança sem liberdade eqüivale a escravidão (&#8230;); e a liberdade sem segurança eqüivale a estar perdido e abandonado (&#8230;) Essa circunstância provoca nos filósofos uma dor de cabeça sem cura conhecida. Ela também torna a vida em comum um conflito sem fim, pois a segurança sacrificada em nome da liberdade tende a ser a segurança dos outros; e a liberdade sacrificada em nome da segurança tende a ser a liberdade dos outros. &#8211; Zygmunt Bauman (Comunidade &#8211; A busca por segurança no mundo atual, 2001)</p></blockquote>
<p><img src="http://www.logdemsn.com/wp-content/uploads/2008/04/conectado-internet.jpg" alt="conectado internet" width="240" height="198" align="left" />Queremos liberdade e ao mesmo tempo estar seguros. Esse paradoxo do mundo contemporâneo está cada vez mais presente na sociedade. Não há segurança que não coloque no cárcere alguma parte da nossa liberdade.</p>
<p>Outro paradoxo tão presente nas relações contemporâneas é novamente a liberdade em contraposição com o estar conectado, seja na internet, na telefonia móvel, no rádio, na televisão e outros inúmeros meios modernos de comunicação. A liberdade implica em alguma parcela de solidão na medida em que os laços familiares e socioculturais são menos fortes que em outras épocas. O homem livre, com alguma freqüência está em solidão. A solidão é necessariamente um dos preços a se pago pela liberdade.</p>
<p>Na era digital queremos estar conectados, estar conectado é interagir, é estar junto de uma ou várias pessoas. Novamente, queremos ser livres, porém, estamos conectados, duas formas bem contraditórias que assumem importâncias significativas em nossas vidas.</p>
<p>Entramos em contato com o sujeito que nos é desconhecido facilmente através de muitos meios que a internet nos possibilita. Mas alguém ao andar pela praça aborda um desconhecido para dizer “olá, vamos conversar?”. – Será que não estaríamos invadindo a liberdade do outro? Estaríamos tomando o tempo do outro? Como disse acima, a liberdade, necessariamente, implica uma parcela de solidão.</p>
<p>Nunca houve tantos meios que possibilitasse a comunicação, entretanto, nem sempre o processo comunicativo ocorre de forma autêntica. A internet torna-se tão necessária para o vínculo porque precisamos interagir, alimentada ainda por uma solidão que se manifesta de várias maneiras na vida real, sobretudo, em suas formas inconscientes.</p>
<p>A dificuldade do relacionamento na vida real encontra na liberdade do outro a chance do sucesso ou o risco do fracasso. Ora porque o outro se esquiva impondo sua lógica, ora porque nós nos esquivamos e impomos nossa lógica.</p>
<p>Não é a minha intenção apontar a internet e os meios de comunicação contemporâneos como os vilões das nossas relações ilegítimas. Pelo contrário, essas novas possibilidades de comunicação são novos paradigmas que estão postos e que ainda precisamos caminhar muito para compreender a imensidão dos elementos culturais, sociais e subjetivos que estão sendo desencadeados na experiência do ser humano com o outro, sobretudo, com os outros no mundo virtual.</p>
<p>O conectar-se, o estar ligado com o outro, pode facilitar muito nosso processo de constituição subjetiva na medida em que nos relacionamos com um número amplo de pessoas e um vasto repertório de variações culturais e sociais. Mas nem por isso deve ser isentado de um olhar crítico, o sujeito pode estar conectado e ligado com várias pessoas no mundo virtual, ao mesmo tempo que se mostra incapaz de dizer um “obrigado”, um “bom dia” ou um gesto de compreensão ao próximo na vida real.</p>
Leia também:<ul><li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/03/13/como-se-dar-bem-na-vida/" rel="bookmark" title="13 de março de 2008">Como se dar bem na vida</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/04/27/responda-o-que-sera-do-seu-blog-quando-voce-morrer/" rel="bookmark" title="27 de abril de 2008">Responda: O que será do seu blog quando você morrer?</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/08/09/uma-tecnologia-pictorica-de-comunicacao/" rel="bookmark" title="9 de agosto de 2007">Uma tecnologia pictórica de comunicação</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/09/30/conecte-gratuitamente-sem-provedor-o-speedy-telefonica/" rel="bookmark" title="30 de setembro de 2007">Conecte gratuitamente, sem provedor, o Speedy Telefônica</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/02/09/acelere-os-videos-do-youtube-funciona/" rel="bookmark" title="9 de fevereiro de 2008">Acelere os vídeos do YouTube &#8211; Funciona!</a></li>
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		<title>Psicologia no ensino médio</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Apr 2008 03:01:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adv</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[O POL (Psicologia Online), é um dos grandes portais que reúne conteúdos e debates em foco dentro da área da Psicologia. Um desses focos é um apelo para que a psicologia seja uma matéria no currículo do ensino médio. Um psicólogo dentro da escola pode contribuir para discutir temas que contribuem no sentido de permitir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="http://www.pol.org.br/">POL</a> (Psicologia Online), é um dos grandes portais que reúne conteúdos e debates em foco dentro da área da Psicologia. Um desses focos é um apelo para que a psicologia seja uma matéria no currículo do ensino médio. Um psicólogo dentro da escola pode contribuir para discutir temas que contribuem no sentido de permitir que o sujeito se liberte, em sentido amplo. &#8211; Psicólogos não curam, libertam.</p>
<p>Além de colocar temáticas em discussão, sua atividade deve servir enquanto intermediadora entre escola, sujeito e sociedade, tendo em vista à apropriação de um conhecimento que possa servir para o sujeito transformar sua realidade.</p>
<p>Mas, infelizmente, nem todos são assim. Alguns continuam presos na psicometria, culpabilizando o sujeito pelos seus próprios fracassos, lançando mão de perversos instrumentos que têm como meta transformar o sujeito em números.</p>
<p>A Psicologia enquanto matéria curricular não é a única necessidade; poderíamos citar também, a filosofia que há muito tempo vem sendo sucateada e algumas noções básicas sobre leis e códigos vigentes na legislação nacional que ficaria por conta da área de Direito.</p>
<p>De qualquer maneira o manifesto do POL está lançado, clique abaixo para conhecer as 8 razões apontadas para que a Psicologia faça parte do currículo do ensino médio, além da possibilidade de fazer seu apelo aos senadores e deputados, bastando para isso, indicar nome e email.</p>
<p align="center"><a href="http://www.pol.org.br/main/oito_motivos.cfm"><img src="http://www.logdemsn.com/wp-content/uploads/2008/04/psicologia-ensino-medio.jpg" alt="psicologia ensino medio" width="339" height="257" /></a></p>
Leia também:<ul><li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/04/24/curso-de-analise-tecnica-video-aulas-do-youtube/" rel="bookmark" title="24 de abril de 2008">Curso de análise técnica &#8211; vídeo aulas do Youtube</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/09/30/skinner-e-freud/" rel="bookmark" title="30 de setembro de 2007">Skinner e Freud</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/11/02/o-sentido-em-comunicao/" rel="bookmark" title="2 de novembro de 2007">O sentido em comunica&ccedil;&atilde;o</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/01/dilogos-em-2008/" rel="bookmark" title="1 de janeiro de 2008">Di&aacute;logos em 2008</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/02/09/recebi-o-seguinte-e-mail-estgio-em/" rel="bookmark" title="9 de fevereiro de 2007">Eu amo meus professores; quando eles ficam de boca fechada</a></li>
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		<title>Questões existenciais: pequeno diálogo</title>
		<link>http://www.logdemsn.com/2008/03/19/questoes-existenciais-pequeno-dialogo/</link>
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		<pubDate>Wed, 19 Mar 2008 17:20:05 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Filosofando]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Daniele Geralda de Souza escreveu: tenho duvidas sobre minha missão aqui, talvez tenha completada, acredito que com o espiritismo venha a saber mais. Qual o sentido da vida? Temos uma missão? Há algum propósito reservado para nós? &#8211; Com certeza todos nós já nos perguntamos sobre essa questão que implica em várias respostas, depende da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Daniele Geralda de Souza escreveu:<br />
tenho duvidas sobre minha missão aqui, talvez tenha completada, acredito que com o espiritismo venha a saber mais.</p></blockquote>
<p>Qual o sentido da vida? Temos uma missão? Há algum propósito reservado para nós? &#8211; Com certeza todos nós já nos perguntamos sobre essa questão que implica em várias respostas, depende da formação subjetiva de cada sujeito. Há tempo venho tentando escrever algo sobre o sentido da vida, a dificuldade reside justamente porque não há em primeira instância um sentido definido, não há resposta que satisfaça essa pergunta. Um dia dou um jeito de organizar algumas palavras e tentar dar uma &#8220;resposta sem resposta&#8221; para o sentido da vida.</p>
<p>Penso que perguntas como essas, entre tantas outras, tais como se Deus existe ou não, se há vida pós-morte, etc.; todos nós em algum momento já se perguntou, mas não vejo que elas nos ajudam avançar em alguma coisa. Entre todas as respostas possíveis uma parece ser a mais relevante quando levamos em consideração o bom senso: não há nenhuma resposta mas possui todas que você quiser.</p>
<p>Para apontar um caminho para a nossa querida <del>páraquedista</del> Daniele, usarei de Sartre, penso que não seria a resposta que ela gostaria, mas são palavras que ficarão jogadas por aqui para um dia desses fazer uma viagem existencial mais prolongada pelo sentido da vida.</p>
<p>Em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sartre">Sartre</a> o ser (homem) do nada vem, se constitui com outros humanos em um projeto humano, num constante movimento do vir-a-ser: &#8220;somos aquilo que ainda não somos&#8221;, pois, nunca estaremos completos. O ser não foi nem será, ele é, ele está acontecendo; passado, presente e futuro coexistem juntos, o que importa é o aqui-e-agora. Nosso projeto humano, isto é, nossa existência, jamais irá se concretizar pois a finitude dará fim ao ser que retornará ao nada. &#8220;Do nada viemos ao nada retornaremos&#8221;.</p>
Leia também:<ul><li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/01/15/top-google-logdemsn-1/" rel="bookmark" title="15 de janeiro de 2007">TOP Google logdemsn #1</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/09/04/carta-a-um-morto/" rel="bookmark" title="4 de setembro de 2007">Carta a um morto</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/02/25/professor-eu-gosto-da-instruo-e-no-dou/" rel="bookmark" title="25 de fevereiro de 2007">Professor, eu gosto da instrução e não dou a mínima para suas informações</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/24/salve-o-planeta-e-se-der-tempo-os-humanos-o-homem-est-morto/" rel="bookmark" title="24 de janeiro de 2008">Salve o planeta e se der tempo, os humanos! &#8211; O Homem est&aacute; morto!</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/10/24/iurd-universal-do-reino-de-deus-edir-macedo-motim-parte-2/" rel="bookmark" title="24 de outubro de 2007">IURD, Universal do Reino de Deus, Edir Macedo &#8211; motim parte 2</a></li>
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		<title>O uso do computador pelos jovens, é preciso limites?</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Mar 2008 23:12:18 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Comentário referente ao post intitulado &#8220;Vínculos afetivos, trabalho e vida no mundo globalizado&#8220; Realmente o preço da insatisfação do jovem é alto, além das suas colocações e argumentos têm as da mídia sem fundo educativo, dos grupos sociais e outras pessoas que, também, de alguma forma representam alguma liderança para a formação da identidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.logdemsn.com/wp-content/uploads/2008/03/comentario.jpg" alt="comentario" height="265" width="465" /></p>
<p style="text-align: center"><em>Comentário referente ao post intitulado &#8220;<a href="http://www.logdemsn.com/2008/02/28/vinculos-afetivos-trabalho-e-vida-no-mundo-globalizado/">Vínculos afetivos, trabalho e vida no mundo globalizado</a>&#8220;</em></p>
<p>Realmente o preço da insatisfação do jovem é alto, além das suas colocações e argumentos têm as da mídia sem fundo educativo, dos grupos sociais e outras pessoas que, também, de alguma forma representam alguma liderança para a formação da identidade do jovem.</p>
<p>Adolescência ao mesmo tempo que tem seus encantos tem as dificuldades; a necessidade de ser ouvido e reconhecido, tão peculiar dessa fase da vida, muitas vezes é mais aceita pelo grupo na medida em que os integrantes são mais tolerantes e flexíveis entre si, gerando, na maioria das vezes, intensas contradições com as regras e necessidades da família, por mais bem estruturadas que elas sejam. Lidar com críticas e conflitos não é fácil para os adolescentes.</p>
<p>No que diz respeito ao mundo virtual, os computadores que hoje são usados em praticamente todas tarefas profissionais e a possibilidade cada vez mais fácil de tê-lo como um bem pessoal, ainda é uma situação recente; cheia de encantos e ao mesmo tempo armadilhas das quais estamos começando a reconhecê-las.</p>
<p>A mensagem transmitida por esse meio tecnológico, muitas vezes é a de que basta ter um computador com acesso à internet que estaremos, literalmente, inclusos em todas as áreas; que um mundo de possibilidades &#8220;fáceis&#8221; se abrirá ao nosso redor, sejam elas materiais ou afetivas. Essa idéia levada ao extremo pode significar uma série de problemas, tanto para jovens como para adultos.</p>
<p>A tão aclamada &#8220;era digital&#8221; é um paradoxo, ao mesmo tempo que nos trouxe inúmeros benefícios, também, nos exige muito mais capacidade de processamento e compreensão da informação. A vida profissional tornou-se muito mais competitiva; competimos com máquinas, robôs e humanos.</p>
<p>Cotidianamente somos obrigados a lidar com um número de informações muito grande; não damos conta pois somos humanos e a nossa evolução biológica requer muito mais tempo do que as mudanças ocorridas no contexto da globalização. Como uma das conseqüências, muitas vezes somos visitados pelo tédio, pela apatia e um sentimento de &#8220;vazio&#8221; que não sabemos definir.</p>
<p>A dificuldade da Maria de Lourdes certamente também é compartilhada por muitas outras mães preocupadas com o excesso de tempo de seus filhos frente ao computador. Não que todas essas horas signifiquem tempo perdido, mas, tudo que é em excesso é prejudicial, pois, não há apenas um item que irá satisfazer nossas necessidades para que delimitamos nossas ações e pensamentos apenas a ele.</p>
<p>Sra. Maria de Lourdes, penso que esteja no caminho correto. Impôr limites em tom argumentativo e acolhedor, evitar o &#8220;tom competitivo&#8221; do diálogo e ao mesmo tempo se mostrar aberta a aprender com o seu filho e permitir que ele possa expressar suas dificuldades e pontos de vistas sem se sentir ameaçado por uma possível punição são algumas das possibilidades válidas.</p>
<p>Estabelecer bases de confiança para que um adolescente se sinta acolhido em suas dificuldades, que são muitas &#8211; as necessidades da sexualidade, o desejo de se expressar e ser ouvido, as pressões advindas da escolha profissional, o medo do fracasso e da rejeição, etc. -, são fundamentais para atingir os objetivos. Do contrário, o grupo social (da escola, da vizinhança, etc.) poderá se apresentar mais acolhedor do que a base familiar, o que pode significar muitos problemas à vista.</p>
<p>As suas discordâncias também são fundamentais nesse processo, mas com o cuidado de não torná-las ofensivas ou nas justificativas vazias do &#8220;porque sim&#8221;, &#8220;porque não&#8221;, &#8220;porque assim é melhor&#8221;, &#8220;porque não pode&#8221;, etc. Assim como os adultos, adolescentes e crianças exigem mais. Procure discordar em tom de respeito e apresentando bons argumentos para isso, incite-o a pensar e refletir sobre.</p>
<p>As punições podem ser úteis, mas exigem um rigoroso cuidado. A idéia de muitos dos nossos avós de que educação se faz com &#8220;boas surras&#8221; não pode ser levada a sério; a dinâmica da vida atual não é a de antigamente e agressividade pode gerar mais agressividade.</p>
<p>Espero que essas breves palavras sirvam para clarificar alguma coisa; mas elas por si só não substituem o contato mais próximo com um profissional adeqüado.</p>
Leia também:<ul><li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/03/19/questoes-existenciais-pequeno-dialogo/" rel="bookmark" title="19 de março de 2008">Questões existenciais: pequeno diálogo</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/09/04/carta-a-um-morto/" rel="bookmark" title="4 de setembro de 2007">Carta a um morto</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/10/06/brainstorming/" rel="bookmark" title="6 de outubro de 2007">Brainstorming</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/12/02/o-hoje-e-o-amanh-corinthians-a-nica-certeza-do-incerto-futuro/" rel="bookmark" title="2 de dezembro de 2007">O hoje e o amanh&atilde; &eacute; e sempre ser&aacute; Corinthians</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/04/19/liberdade-e-seguranca-ser-livre-e-estar-conectado-na-internet/" rel="bookmark" title="19 de abril de 2008">Liberdade e segurança: ser livre e estar conectado na internet</a></li>
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		<title>Vínculos afetivos, trabalho e vida no mundo globalizado</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Feb 2008 23:25:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adv</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofando]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[(&#8230;) a vida líquido-moderna é uma recitação diária da transitoriedade universal. Nada no mundo se destina a permanecer, muito menos para sempre. Os objetos úteis e indispensáveis de hoje são, com pouquíssimas exceções, o refugo do amanhã. Nada é necessário de fato, nada é insubstituível. Tudo nasce com a marca da morte iminente, tudo deixa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>(&#8230;) a vida líquido-moderna é uma recitação diária da transitoriedade universal. Nada no mundo se destina a permanecer, muito menos para sempre. Os objetos úteis e indispensáveis de hoje são, com pouquíssimas exceções, o refugo do amanhã. Nada é necessário de fato, nada é insubstituível. Tudo nasce com a marca da morte iminente, tudo deixa a linha de produção com um &#8220;prazo de validade&#8221; afixado. &#8211; Zygmunt Bauman</p></blockquote>
<p><img src="http://www.logdemsn.com/wp-content/uploads/2008/02/salvador-dali.jpg" alt="salvador dali" align="left" height="188" width="231" /></p>
<p>O número de vítimas que a globalização faz a cada dia é avassalador. Este processo não é recente, Marx já antevia em sua célebre frase: <em>&#8220;Tudo o que era sólido e estável se desmancha no ar.&#8221;</em> Embora não seja recente, a velocidade com que ocorre atualmente e os &#8220;desmanches&#8221; que deixa por onde passa são em ritmo frenético.</p>
<p>Se por um lado cresce o mundo simulado dos tempos modernos, do consumo em excesso, das facilidades dos serviços e o mundo paradisíaco que as tecnologias oferecem, por outro a tácita face desse processo destitui da vida social quem não consegue acompanhar a velocidade da mudança.</p>
<p>Uma série de elementos fazem o leque de perda dos chamados, literalmente, &#8220;perdedores&#8221; no jogo do capital. Perdem o emprego, o prato de comida, o teto, a família, a dignidade e outros marcos de sustentação da vida social.</p>
<p>Tidos como os próprios culpados por não terem encontrado o estreito e difícil caminho ao paraíso, os excluídos têm agora ao redor uma infinidade de caminhos, mas todos eles levam ao inferno. Quem conseguiu pegar o bonde da globalização luta para não ser expulso do trem que parte em alta velocidade, os que já caíram dificilmente voltarão a pegar carona, estão mais próximos de se afundarem cada vez mais.</p>
<p>Porém, a globalização não implica apenas em mudanças da movimentação do passaporte de troca de bens e serviços &#8211; o dinheiro. Os seres humanos também têm que se adequarem às personalidades mercadológicas exigidas pelas mudanças.</p>
<p>As quitandas de esquina já não fazem parte da paisagem urbana e do círculo de amizades do bairro. Foram engolidas pelos grandes hipermercados que fazem o encantamento do desejo do &#8220;estar incluído&#8221;. Onde quer que haja possibilidade de vínculos afetivos a globalização passa e esteriliza, deixando um cenário com regras de sobrevivência aos mais fortes em quantidade de escrúpulos. Quanto mais escrupuloso melhor. Quanto menos pensar na existência, nas emoções e conseqüências das ações, melhor. O que importa é o &#8220;aqui-e-agora&#8221; quantificado no dinheiro.</p>
<p>Os encontros de praça já foram incinerados no forno do obsoleto. Agora são feitos através do mundo virtual, encobertos no simulacro da imagem digitalizada que serve como uma embalagem para definir se o encontro poderá a vir ocorrer na vida real. Se vier a ocorrer a embalagem pode não vir reproduzida à maneira idêntica do digital e o conteúdo tende a ser descartado antes mesmo de verificado.</p>
<p>Vivemos em multidão, porém, sozinhos. Aglomerados de casas com portões e muros que ocultam cada vestígio da existência de vida humana. As ruas estão repletas de seres humanos desconhecidos, quando muito os conhecidos recebem um breve cumprimento em distância, o que já é o bastante. &#8211; A multidão que vivemos é eminentemente estruturada em regras mecânicas de etiquetas sociais. Com base em estímulos e respostas de convivência social que nos mantém em certa distância da qual nos sentimos seguros, pois, a confiança não resiste ao modo de vida dos negócios e do dinheiro.</p>
<p>Paira no ar um sentimento de desconfiança universal. Nossos vínculos são negociáveis como mercadorias. Para que facilitar a sedimentação de vínculos duradouros se posso cair em uma armadilha, ser usado e depois descartado tal como fazemos com as mercadorias?</p>
<p>O que você quer de mim? O que você tem para me oferecer? Quais são as provas de verdade que você pode colocar na mesa? &#8211; Há inúmeras perguntas que nos mantém afastados. Insegurança e desconfiança são as únicas respostas que temos para oferecer um ao outro.</p>
<p>Todos nossos vínculos tendem a ser baseados em contratos que colocam uma condição no caso da dissolução. O casamento é realizado aos beijos e alegrias do casal, mas em oculto fica um contrato que dispõe sobre o quantificável em dinheiro caso amanhã os beijos virem tapas.</p>
<p>Os namorados fazem e refazem o contrato verbalmente de acordo com o devir. As fronteiras que definem até um ou outro pode ir são demarcadas nas relações de troca baseadas no fazer para receber.</p>
<p>As amizades são feitas na mesa do bar através dos contos que quantificam as conquistas e as perdas. &#8211; Essas últimas só são contadas se servirem para ilustrar um ganho através da perda.</p>
<p>Os contratos de empregos podem ser feitos hoje, mas desfeitos amanhã para ocupação de alguém mais &#8220;habilidoso&#8221;, que é aquele que produz mais e aceita ganhar menos. Do contrário surge uma nova tecnologia que destitui o sujeito que parou para o descanso noturno.</p>
<p>Nossos cérebros estão demasiadamente defasados em relação à velocidade do progresso. Guardamos o nome da rua, de alguns familiares e outros conceitos que precisamos na vida profissional. O que vai além está entregue às memórias eletrônicas que guardam todo sentimento de que estamos vivendo a era da informação, onde não é preciso fazer mais esforço além do sentar e girar o mundo através dos &#8220;clicks&#8221;.</p>
<p>Vida é trabalho e trabalho é vida. Não são duas coisas diferentes, é um processo único. As horas de descanso não significam que são horas livres do trabalho. O trabalho não termina ao turno das 8 horas diárias, o trabalho impregna o modo de ser, de pensar e de agir; o ambiente enclausurado das obrigações, cumprimentos e metas acompanham os pensamentos e anseios após o término do expediente. &#8211; O processo de adoecimento pelo trabalho é uma constante, exigir de alguém o esquecimento do trabalho é como exigir-lhe a morte.</p>
<p>Corremos atrás de títulos, certificados e diplomas com a idéia de garantir um bom pedaço da riqueza produzida, garantir uma vida digna, confortável e segura. Mas os desejos parecem ser eternamente adiados, os esforços de um profissional por mais renomado que seja, quando muito dá a garantia de um descanso cômodo para poder olhar outros detalhes da vida que nunca puderam ser vistos devido ao tempo dos negócios.</p>
<p>Fazer do trabalho uma fonte de prazer é algo para poucos, exige muito mais do que o dinheiro em abundância. Do contrário o tempo de vida pode não acompanhar a velocidade dos sonhos.</p>
<p>Para onde corremos tanto? Para a vida ou para a morte?</p>
<p><font color="gray">*Imagem: Explosão &#8211; Salvador Dali (1954)<br />
*Vidas desperdiçadas &#8211; Zygmunt Bauman (1995)</font></p>
Leia também:<ul><li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/03/13/como-se-dar-bem-na-vida/" rel="bookmark" title="13 de março de 2008">Como se dar bem na vida</a></li>

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		<title>Amor à primeira vista existe?</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Feb 2008 20:59:17 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Filosofando]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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		<description><![CDATA[Vamos falar de amor? &#8211; parte 1 &#124; parte 2 &#124; parte 3 Quando te vi amei-te já muito antes: Tornei a achar-te quando te encontrei. Nasci pra ti antes de haver o mundo. (Fernando Pessoa) Prólogo: De repente, quando menos esperamos, nossos olhares são atraídos para alguém que nunca tínhamos visto antes, mas pensamos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="right"><em><u>Vamos falar de amor?</u></em> &#8211; <a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/17/vamos-falar-de-amor-parte-1/">parte 1</a> | <a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/21/vamos-falar-de-amor-parte-2/">parte 2</a> | <a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/31/vamos-falar-de-amor-parte-3/">parte 3</a></p>
<blockquote><p>Quando te vi amei-te já muito antes:<br />
Tornei a achar-te quando te encontrei.<br />
Nasci pra ti antes de haver o mundo. (Fernando Pessoa)</p></blockquote>
<p><strong>Prólogo:</strong><br />
<em>De repente, quando menos esperamos, nossos olhares são atraídos para alguém que nunca tínhamos visto antes, mas pensamos que aquela pessoa não nos parece estranha. Nessa situação experimentamos os batimentos cardíacos se acelerarem, alguns suam frio, experimentam o rubor e até perdem as palavras. Nesse momento gostaríamos que o tempo parasse para que pudéssemos fitar com um olhar mais demorado cada detalhe que está balançando o nosso coração.</em></p>
<p><a href="http://www.logdemsn.com/wp-content/uploads/2008/02/michelangelo-caravaggio.jpg"><img src="http://www.logdemsn.com/wp-content/uploads/2008/02/michelangelo-caravaggio-small.jpg" alt="Michelangelo Caravaggio" align="left" height="278" width="231" /></a>Ahhh&#8230; o amor à primeira vista. Será?</p>
<p>Agostinho, ou se preferir, Santo Agostinho, em Confissões (397-398) dizia: <em>Antes que te conhecesse eu já te amava</em>. &#8211; Agostinho estaria errado?</p>
<p>Tomando como ponto de partida um pouco do pensamento de Freud, Agostinho estava correto! Ao nascer a criança tem os pais ou quem fica a maior parte do tempo dispensando cuidados, como principais modelos de vínculos.</p>
<p>Aprendemos desde a infância as nuances de um rosto agradável ou não. Um gesto de aprovação ou repreensão. No <em>Complexo de Édipo</em>, literalmente, &#8220;apaixonamos&#8221;por um dos nossos pais &#8211; o do sexo oposto -, até que, com o defescho, estamos prontos a desbravar o mundo desconhecido. Temos uma vida pela frente, experimentando novas relações vinculares, nos deparando com aprovações e desaprovações, convivendo com pessoas diferentes e outras com alguns aspectos semelhantes.</p>
<p>Construímos nossa identidade através das relações. Dependemos do outro para nos tornar humano. Podemos nos achar o mais diferente possível dos seres humanos, mas nossas diferenças não são construídas no vazio, todas passam pela experiência dos vínculos. Mas é lá na infância que nos apaixonamos pela pessoa que um dia iremos conhecer.</p>
<p>Internalizamos dos nossos pais a maioria dos traços físicos e psicológicos que definimos como agradáveis, por mais que sejam sutis e nos pareçam ocultos, além, de carregarmos uma boa dose de herança genética das quais os etólogos definem como universais para as escolhas de parceiros sexuais.</p>
<p>Nesse sentido é que definimos quem pode nos agradar ou não. A maioria das pessoas já experimentaram uma sensação de não aceitação de uma determinada pessoa mesmo antes de conhecê-la, todos nós um dia já julgamos e fomos julgados por um simples olhar, e ainda fazemos isso. Felizmente, a educação e o conhecimento tem permitido superar as barreiras dos preconceitos primitivos que, se um dia foi útil para o homem que vivia em tribos reconhecer e dispensar energia apenas aos membros do seu grupo, hoje essa atitude já nos é nociva.</p>
<p>Mas &#8220;<em>O que amamos quando amamos alguém?</em>&#8220;, essa é a pergunta que Agostinho faz. &#8211; A resposta é frustrante e poderia colocar o fim em um romance se um dos pares responder à luz da psicanálise. Quando amamos, amamos nós mesmos refletido no outro.</p>
<p>Amamos nossos desejos e sonhos que depositamos na pessoa amada que serve como um espelho para, indiretamente, amar a mim mesmo. Rubem Alves aponta que a pergunta não tem resposta nem solução, pois &#8220;<em>quer dizer que eu estou amando você por equívoco, já que você é apenas o espelho onde uma outra coisa aparece. O que eu amo na realidade é essa outra coisa. Você, eu amo indiretamente</em>.&#8221;</p>
<p>Daí em parte, a fragilidade dos nossos relacionamentos. Se os pares não tiverem consciência de ver o outro como um humano incapaz de ser onipresente e onisciente ao que gostaria de &#8220;ver&#8221; refletido, o espelho pode partir. Estamos em constantes mudanças, nossos sonhos e desejos podem mudar e de repente o outro já não espelha o que gostaríamos.</p>
<p>Sei que o leitor que está vivenciando um caso de amor pode estar me mandando para o submundo do inferno, mas por enquanto, em singelas palavras Rubem Alves diz que &#8220;<em>Os namorados têm que se acostumar com isso</em>.&#8221;</p>
<p><font color="gray">Imagem: Narciso &#8211; Michelangelo Caravaggio (1594-1596)</font></p>
<p><font color="black"><strong>[Continua...]</strong></font></p>
Leia também:<ul><li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/31/vamos-falar-de-amor-parte-3/" rel="bookmark" title="31 de janeiro de 2008">Vamos falar de amor? &#8211; parte 3</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/08/05/rapidinhas/" rel="bookmark" title="5 de agosto de 2007">Rapidinhas</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/21/vamos-falar-de-amor-parte-2/" rel="bookmark" title="21 de janeiro de 2008">Vamos falar de amor? &#8211; parte 2</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/02/20/sexualidade-e-estetica-um-seculo-assombrado-pelo-espelho/" rel="bookmark" title="20 de fevereiro de 2008">Sexualidade e estética: um século assombrado pelo espelho</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/01/15/criana-empolga-fcil/" rel="bookmark" title="15 de janeiro de 2007">A criança empolga fácil &#8230;</a></li>
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		<title>Sexualidade e estética: um século assombrado pelo espelho</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Feb 2008 02:48:37 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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		<description><![CDATA[Freud descobriu que a repressão sexual era responsável por grande parte dos problemas psicológicos enfrentados pelas pessoas. Isso no século XIX, mas e agora que o sexo chega a ser assunto banalizado, continuamos a sofrer por repressão sexual? Vou deixar que cada um busque no íntimo uma resposta para tal questão, entretanto, Freud alertou que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.logdemsn.com/wp-content/uploads/2008/02/fruto-proibido.jpg"><img src="http://www.logdemsn.com/wp-content/uploads/2008/02/fruto-proibido-small3.jpg" alt="fruto proibido" height="200" width="454" /></a></p>
<p>Freud descobriu que a repressão sexual era responsável por grande parte dos problemas psicológicos enfrentados pelas pessoas. Isso no século XIX, mas e agora que o sexo chega a ser assunto banalizado, continuamos a sofrer por repressão sexual?</p>
<p>Vou deixar que cada um busque no íntimo uma resposta para tal questão, entretanto, Freud alertou que para todo sofrimento psíquico há uma causa sexual, por mais oculta que esteja.</p>
<p>Os conteúdos que apresentamos sobre sexo têm nos ajudado? &#8211; Essa é a pergunta que me parece ser mais oportuna frente ao crescente número de &#8220;gurus&#8221; que se autodenominam terapeutas sexuais e prometem a cura de toda apatia sexual.</p>
<p>Astrólogos, tarólogos, personagens de televisão, remédios populares, ditados chineses e populares, revistas de modas&#8230; Existe uma infinidade de coisas que se voltam para a saciação da sexualidade humana.</p>
<p>Os gurus estão todos prontos para emitir uma nova regra sexual; um novo comportamento que vai agradar o seu parceiro(a); etiquetas que prometem dominar, literalmente, o seu amor; e é claro, inúmeros derivados de ditos, crenças populares e os mais absurdos &#8220;compostos&#8221; que prometem curar a impotência sexual.</p>
<p>O infeliz que acata tais informações como diretrizes para sua vida sexual acaba ficando com o bem estar psíquico comprometido, quando não muito, compromete também as funções fisiológicas. Assim, acaba causando problemas a si mesmo e a quem estiver por perto, afinal, um ato sexual satisfatório pode ser considerado o motor pulsante da vida.</p>
<p>Sem saber o que fazer, envergonhado de si próprio e dominado por uma sensação de excluído daquela sexualidade vendida pela mídia, esse público encontra orientação com os gurus da MTV, com as receitas vendidas nas revistas ou pelas palavras do &#8220;especialista&#8221; em sexualidade humana que consulta o que as cartas e o posicionamento dos astros reservam a você, etc. Uma busca interminável que sempre deixa o tão sonhado prazer em aberto: essa dica não funcionou, mas um dia irei encontrar uma que funcione!</p>
<p>Quem não consegue acompanhar as novidades da vitrine montada pelos gurus sexuais acaba sofrendo com a própria imagem refletida no espelho. Não por incapacidade própria, mas por criar uma realidade a partir do irreal.</p>
<p>É comum e triste ver garotas jovens passando horas a se lamentar com a própria estética, que vai desde os traços físicos corporais até os apetrechos da moda. O mesmo tende a ocorrer com os garotos que, se antes não sofriam desse mal, talvez por uma cultura machista que sempre apontou como uma obrigação da mulher estar &#8220;em dia&#8221; com o espelho, agora já estão chegando à igualdade. Mulheres cobram homens e vice-versa.</p>
<p>Ambos arquitetam seus ideais de identidade na imagem digitalizada do modelo. Mas o virtual é pixerizado, tons de cores e disposições espaciais são intencionalmente colocados em perfeita harmonia mascarando o real. Quando o sujeito se depara com as contradições da realidade nada poderá restar além do que imergir na decepção.</p>
<p>Esse texto é breve e ínfimo diante da grandeza da discussão que poderia ser feita acerca da construção dos nossos ideais estéticos e, principalmente, sobre a sexualidade. Mas diante desse breve contexto, encontro a pergunta: quem sofre mais, quem na repressão conviveu com o sexo como sendo coisa demoníaca ou quem agora sofre por excesso de informações sem fundamentação?</p>
<p><font color="gray">*Imagem: O fruto proibido (1509) &#8211; Michelangelo<br />
</font></p>
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		<title>Vamos falar de amor? &#8211; parte 2</title>
		<link>http://www.logdemsn.com/2008/01/21/vamos-falar-de-amor-parte-2/</link>
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		<pubDate>Mon, 21 Jan 2008 14:59:38 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Em busca de uma definição para o amor &#60;&#60; Parte 1 &#8220;Há o calor do Amor, o rubor pulsante do Anseio, o sussuro do amante, irresistível &#8211; magia para enlouquecer o mais são dos homens&#8221; &#8211; Homero, A Ilíada O amor romântico é um sentimento universal. Em todas as culturas o encontramos expressado na música, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><strong>Em busca de uma definição para o amor<br /></strong></p>
<p align="right"><a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/17/vamos-falar-de-amor-parte-1/">&lt;&lt; Parte 1</a></p>
<blockquote><p>&#8220;Há o calor do Amor, o rubor pulsante do Anseio, o sussuro do amante, irresistível &#8211; magia para enlouquecer o mais são dos homens&#8221; &#8211; Homero, <em>A Ilíada</em></p></blockquote>
<p><img height="210" alt="amor apaixonado" src="http://www.logdemsn.com/wp-content/uploads/2008/01/amor-apaixonado.jpg" width="168" align="left" />O amor romântico é um sentimento universal. Em todas as culturas o encontramos expressado na música, na arte, nos costumes, na literatura, nos sentimentos e pensamentos de homens e mulheres.</p>
<p>Os etólogos dizem que esse sentimento provavelmente tenha evoluido por dois motivos essenciais: 1) para proteger os homens de serem traídos e criarem o filho do outro e, 2) para proteger as mulheres de perderem para uma rival um marido em potencial para criar os filhos.</p>
<p>A antropóloga americana Helen Fischer, a partir de estudos com humanos apaixonados, percebeu o aumento dos níveis de três neurotransmissores no cérebro: dopamina, norepinefrina e a serotonina. Amnbos estão ligados ao sistema de recompensas do cérebro. Por outro lado, em sujeitos que estão presenciando um momento de desilusão amorosa, as pesquisas mostraram baixos níveis dessas substâncias.</p>
<p>Os neurocientistas estabeleceram ainda, um tempo de duração da &#8220;magia do amor&#8221;, normalmente entre 12 e 18 meses, entretanto, esse período não deve ser levado ao extremo, uma vez que, sendo o amor instável, volátil e inconstante, ele pode se extingüir, voltar e depois desaparecer novamente, variando significativamente de acordo com as características envolvidas.</p>
<p>Embora seja possível através de estudos verificar as alterações físicas e orgânicas que o amor romântico ou a desilusão causada podem gerar, os grandes mistérios ficam &#8220;encobertos&#8221; aos aparelhos técnicos. Sendo o amante uma marionete controlada pelas cordas do coração da amada. Com freqüência, homens e mulheres apaixonados, ensejam muitos novos comportamentos, estilos de vida e crenças na expectativa de agradar os amados.</p>
<p>Como ponto de partida tomamos o amor romântico como uma experiência humana universal; um sentimento volátil e às vezes incontrolável, um torpor mental que pode trazer alegria num momento e desespero no outro.</p>
<p><a href="http://trinity-77.deviantart.com/art/Love-Is-19123575"><font color="silver">Imagem: Love Is&#8230; by =trinity-77</font></a></p>
<p><strong>Continua&#8230;</strong></p>
Leia também:<ul><li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/17/vamos-falar-de-amor-parte-1/" rel="bookmark" title="17 de janeiro de 2008">Vamos falar de amor? &#8211; parte 1</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/04/15/caso-isabela-nardoni-desvendado-serao-eles-culpados/" rel="bookmark" title="15 de abril de 2008">Caso Isabela Nardoni desvendado, serão &#8220;eles&#8221; culpados?</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/01/31/vamos-falar-de-amor-parte-3/" rel="bookmark" title="31 de janeiro de 2008">Vamos falar de amor? &#8211; parte 3</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/08/05/rapidinhas/" rel="bookmark" title="5 de agosto de 2007">Rapidinhas</a></li>

<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/12/31/reflexes-sobre-o-tempo-novo-ano-velho-ano/" rel="bookmark" title="31 de dezembro de 2007">Reflex&otilde;es sobre o tempo: novo ano, velho ano</a></li>
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		<title>Vamos falar de amor? &#8211; parte 1</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Jan 2008 23:18:37 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Introdução O amor assume inúmeros significados e expressões ao longo da história da humanidade. Para Freud o amor está presente em toda motivação humana; para Nietzsche o amor se faz no &#8220;eterno retorno&#8220;, todo prazer retorna à dor; para Shakespeare todo amor termina em tragédia; para Chaplin o amor é uma das mais belas frustrações&#8230; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://i20.photobucket.com/albums/b224/Maxell2004/Love_by_Gabatinie.jpg"><img src="http://i20.photobucket.com/albums/b224/Maxell2004/Love_by_Gabatinie.jpg" align="left" height="285" width="193" /></a><br />
<strong>Introdução</strong></p>
<p>O amor assume inúmeros significados e expressões ao longo da história da humanidade. Para Freud o amor está presente em toda motivação humana; para Nietzsche o amor se faz no &#8220;<em>eterno retorno</em>&#8220;, todo prazer retorna à dor; para Shakespeare todo amor termina em tragédia; para Chaplin o amor é uma das mais belas frustrações&#8230; Você deve conhecer pelo menos uma definição de amor que, seja na voz do poeta ou do filósofo, é retratado nos duelos do amor e do ódio, gladiadores que coexistem de mãos dadas, restando à indiferença o oposto do amor.</p>
<p>Quem nunca se apaixonou ainda irá. Quem já se apaixonou já sentiu dor e desespero que pareciam infindáveis. Outros ainda estão felizes, mas o amanhã é o <em>eterno retorno</em>. Alguns se rebelam contra o amor, revelam o ódio sem saber que este é amor em estado mais intenso. Ainda, tem os que acham que não sofrerão novamente por amor&#8230; até o próximo encantamento. Amor que pode expressar alegria e tristeza, dor e prazer, bem e mal, vida e morte. Seja na arte, na música, na literatura, na dança, etc.</p>
<p>O amor é assunto oculto na sociedade das massas apressadas e vazias. No <em>mundo líquido*</em> nossas relações podem ser medidas em poucos dias, quando não muito em horas. Nos divertimos, saímos com amigos eufóricos e barulhentos, bebemos e freqüentamos festas, nos apresentamos sorridentes e felizes, as vezes saímos à dois, e não muito difícil, na cama dos desejos, uma irrealidade e um sentimento de vazio se instalam. A vida líquida escorre em sentimentos fantasmagóricos, mas entre a apatia e a satisfação acabamos por esquecer, dormimos, amanhã é um novo dia, o <em>eterno retorno</em>.</p>
<p>Mas se o amor pode tornar-se dor será que devo evitá-lo? Só podemos ser felizes se encontrarmos a outra &#8220;cara-metade&#8221;? Como se recuperar de um amor não correspondido? Amor incondicional existe? &#8211; Não irei responder, mas é sobre isso que pretendo falar&#8230; Por quê?</p>
<p>Penso que temos muita magia, poesia e encantamento para tratar o assunto, mas poucas tentativas foram feitas no sentido de levar o assunto à sério. Tentamos passar nossos pensamentos, imagens e sentimentos em forma de palavras mas não temos palavras para isso, apenas realizamos uma falsificação da realidade.</p>
<p>Por outro lado, na história são inúmeros os casos de homicídios e suicídios tendo como cenário o amor romântico. Atualmente também é comum as práticas de assassinatos, suicídios, seqüestros, agressões físicas graves entre outras formas desequilibradas de homens e mulheres expressarem dor e egoísmo gerados pelo amor não correspondido. Mudam os cenários, os personagens e o enredo, mas as tragédias shakesperiana permacerão ao longo dos séculos. &#8211; Penso que devemos levar mais à sério o amor romântico, do contrário, estaremos contribuindo para a formação de seres humanos neuróticos além do natural.</p>
<p><strong>Continua&#8230;</strong></p>
<p><font color="#c0c0c0"><em>*Conceito de </em></font><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Zygmunt_Bauman"><font color="#c0c0c0"><em>Zygmunt Bauman</em></font></a><br />
<font color="#c0c0c0"><em>Imagem by </em></font><a href="http://gabatinie.deviantart.com/art/Love-22189965"><font color="#c0c0c0"><em>Gabatinie</em></font></a></p>
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		<title>Vida e morte &#8211; voc&#234; j&#225; parou para pensar na sua despedida?</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Dec 2007 17:12:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adv</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofando]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Que seja assim &#8212; a marcha do mundo &#233; tal;/ Que me aconte&#231;a como a tantos outros./ Eles partem, seu bote se despeda&#231;a,/ E ningu&#233;m pode mostrar o ponto do sumi&#231;o./ Adeus, adeus! O sino do barco chama,/ E como demoro, o barqueiro me apressa./ E agora, ousado, parto atrav&#233;s de vagas, tempestades e recifes!/ [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i><img height="268" src="http://farm3.static.flickr.com/2262/2128444863_4812496d1f_o.jpg" width="208" align="left" /> Que seja assim </i>&#8212; <i>a marcha do mundo &#233; tal;/ Que me aconte&#231;a como a tantos outros./ Eles partem, seu bote se despeda&#231;a,/ E ningu&#233;m pode mostrar o ponto do sumi&#231;o./ Adeus, adeus! O sino do barco chama,/ E como demoro, o barqueiro me apressa./ E agora, ousado, parto atrav&#233;s de vagas, tempestades e recifes!/ Adeus! Adeus!&#8230;</i></p>
<p><em>(Nietzsche, 1844 &#8211; 1900)</em></p>
<p>Qual o seu pensamento sobre a morte? &#8211; Essa pergunta implica em respostas divergentes quando n&#227;o muito raro um sil&#234;ncio profundo.</p>
<p>Entre as v&#225;rias respostas, talvez, podemos destacar um ponto em comum: refletir sobre a morte dos outros e, principalmente, a nossa, &#233; algo que gera ang&#250;stias, portanto, devemos silenciar sobre o assunto. Morte que para uns &#233; fim, para outros &#233; in&#237;cio. Do mais c&#233;tico ao mais religioso, todos n&#243;s em algum momento j&#225; sentimos os calafrios da finitude. </p>
<p>Os religiosos cr&#234;em que ap&#243;s a morte ter&#227;o seu destino sentenciado ao inferno ou aos c&#233;us; outros acreditam que voltaram novamente para Terra encarnado em um outro personagem que vai variar de acordo com os seus feitos na vida; outros ainda, pensam que morreram e j&#225; est&#227;o encarnados em outra pessoa. Os ateus v&#234;em a morte enquanto um retorno as cadeias de carbono na Natureza &#8211; este &#233; o meu pensamento. Os c&#233;ticos preferem n&#227;o opinar&#8230; &#8211; Fato &#233; que se perguntarmos quem quer ser o pr&#243;ximo a deixar essa vida, por mais conflituosa que seja, todos querem ser os &#250;ltimos da fila, evidenciando, o que Freud dizia ser uma das fontes de sofrimento do homem: a dissolu&#231;&#227;o e destrui&#231;&#227;o do corpo, da vida.</p>
<p>&#201; f&#225;cil verificar que todos n&#243;s achamos que seremos os &#250;ltimos. Cremos que a fatalidade nunca estar&#225; onde estivermos. Admitimos que vamos morrer, mas de uma forma que n&#227;o iremos saber. <a href="http://www.logdemsn.com/2007/09/04/carta-a-um-morto/">Um dos meus textos</a> escritos com a finalidade de apresenta&#231;&#227;o na disciplina Psicologia da Morte, logo nos prim&#243;rdios do meu curso, esbravejei contra a nossa ousadia de falar sobre o tema. &#8211; Eu estava errado. </p>
<p>Hoje, penso que aprender a viver com os mortos nos ensina a viver com os vivos e, que para aprender a viver com os mortos &#233; necess&#225;rio aprender a viver no mundo dos vivos. </p>
<p>Nos meus 8 ou 9 anos de idade, minha primeira experi&#234;ncia com a morte n&#227;o passou de um relato verbal dos meus pais avisando sobre uma tia que fora v&#237;tima de c&#226;ncer. Quase n&#227;o t&#237;nhamos contato, ela era de outra cidade. Logo depois, perdi meu coelho de estima&#231;&#227;o, o que me levou a longos meses de tristeza.</p>
<p>Nesse processo de luto, me culpei a todo instante achando que n&#227;o havia dado o melhor para o &quot;orelhudo&quot;, al&#233;m de blasfemar contra o Deus onipotente e onipresente que eu acreditava na &#233;poca. O Deus cruel do mundo crist&#227;o. Por que ele permitiu essa trag&#233;dia? </p>
<p>Aprendi tr&#234;s coisas com a morte da minha tia e do meu coelho, que viria a descobrir mais tarde no mundo acad&#234;mico, como sendo tr&#234;s dos principais elementos presentes no processo de luto: quando perdemos algu&#233;m o sentimento de culpa pode nos acompanhar para o resto da vida; a morte adquire significados de acordo com os nossos v&#237;nculos com o objeto da perda, a morte de um filho, de um dos c&#244;njuge e de um amigo, tende a ser as mais dolorosas al&#233;m de destruir a nossa ilus&#227;o de invulnerabilidade &#8211; nos deparamos com a morte de in&#250;meras pessoas nos notici&#225;rios, mas n&#227;o nos causa sofrimento, quando muito espanto pela forma como foi a fatalidade. E por fim, os enlutados ir&#227;o encontrar alguma forma de praguejar contra a injusti&#231;a, na maioria dos casos, Deus ou o destino. </p>
<p><span id="more-421"></span></p>
<p>O principal trabalho do terapeuta frente ao paciente enlutado &#233; propiciar que ele passe pelas fases do luto que s&#227;o comuns a muitas esp&#233;cies. Luto aqui n&#227;o &#233; apenas diante da morte, mas sim, de qualquer perda. A morte dos pais, a separa&#231;&#227;o pela dist&#226;ncia, a perda de um bicho de estima&#231;&#227;o e at&#233; mesmo objeto de valor sentimental, etc. Em geral, as fases s&#227;o marcadas por momentos de intensa raiva, n&#227;o aceita&#231;&#227;o da pr&#243;pria vida, culpabiliza&#231;&#227;o de si mesmo e dos outros at&#233; a conformidade, quando o paciente aceita a morte enquanto uma passagem natural do ciclo vital.</p>
<p>No mundo moderno as fases naturais percorridas no luto tendem a ser sufocadas pelo indiv&#237;duo imerso numa cultura onde a morte n&#227;o deve estar presente, salvo nos lugares onde se vende a &quot;morte&quot;. Morrer custa caro! Os que t&#234;m o cora&#231;&#227;o tocado pela perda de algu&#233;m, tamb&#233;m tem seus bolsos tocados pelas l&#225;pides, caix&#245;es, ornamentos, flores, santos e deuses, rituais, etc. Os mortos vistos acima da terra possuem classe social.</p>
<p>Antigamente os moribundos morriam em casa na companhia dos familiares e amigos, a sua presen&#231;a n&#227;o incomodava os adultos, idosos e crian&#231;as que partilhavam daquele momento juntos. Hoje os moribundos devem ser escondidos o mais r&#225;pido poss&#237;vel dos vivos. Seria considerado neglig&#234;ncia deix&#225;-los morrer em casa. Devem morrer em leitos solit&#225;rios, acompanhados somente de aparelhos sofisticados que implicam na esperan&#231;a de voltar &#224; vida.</p>
<p>Quanto mais comercial for um hospital maior ser&#227;o as esperan&#231;as do moribundo romper com &#224; morte. Quando isso falha &#8211; o que ocorre na maioria das vezes &#8211; os m&#233;dicos e as enfermeiras s&#227;o acusados de insens&#237;veis por n&#227;o dar os devidos cuidados ao doente terminal. </p>
<p>Estarei eu sendo pretensioso, querendo voltar a um passado distante? &#8211; N&#227;o &#233; essa minha pretens&#227;o, aponto que atualmente, talvez, n&#227;o saibamos morrer. N&#227;o sabemos morrer porque n&#227;o sabemos viver, e n&#227;o sabemos viver porque n&#227;o sabemos morrer. Muitas vezes pensamos tanto no futuro que deixamos de viver o presente e, atordoados por passado e presente, abandonamos o futuro. </p>
<p>Mas n&#227;o somos os &#250;nicos respons&#225;veis pelo &quot;mal-estar na civiliza&#231;&#227;o&quot;. Os processos globalizantes e a forma como se configura o modo de produ&#231;&#227;o capitalista, acaba tornando-nos mercadorias em prateleiras enquanto produzimos e temos beleza, t&#227;o logo deixamos de produzir e Afrodite* nos abandona, somos descartados &#224; refugo. </p>
<p>Diante das nossas ilus&#245;es &#8211; pelo menos at&#233; a crise da meia-idade &#8211; de que a morte n&#227;o nos conhece e das nossas cren&#231;as em uma exist&#234;ncia duradoura e repleta de vigor, o que faremos? &#8211; Nos agarramos nos consolos da vida eterna oferecida pelos deuses? Ou procuramos companhia naqueles que ousaram falar sobre a morte? </p>
<p>Epicuro nos diz que tememos a morte sem raz&#227;o, uma vez que quando estamos vivos ela n&#227;o est&#225; presente, e quando ela chegar n&#227;o estaremos vivos. Nit aponta que o &#250;nico consolo diante da morte &#233; que morremos uma &#250;nica vez. Dito por Schopenhauer, ao nascermos j&#225; pertencemos &#224; morte que durante a nossa vida n&#227;o faz nada al&#233;m de brincar com a presa antes de a devorar. Na f&#250;nebre can&#231;&#227;o de Raul Seixas** a morte carrega o mist&#233;rio, podendo ser o segredo da vida. &#8211; Entre in&#250;meros outros pensadores que vendo o desconforto diante da morte, acabaram por confortar-se diante dela. </p>
<p>Retomando uma das premissas que me fez escrever este texto, s&#243; posso apontar que para viver bem &#233; necess&#225;rio morrer, e para morrer bem &#233; necess&#225;rio saber viver. A vida n&#227;o pode ser vivida se ela n&#227;o pode ser morrida. Nesse sentido, pergunto a voc&#234; leitor: j&#225; ousou verificar o que ronda o seu pensamento sobre a vida daqui a 20 anos? 30 anos? 50 anos? Ou &#8211; sendo mais ousado &#8211; consegue at&#233; mesmo imaginar como voc&#234; estar&#225; diante da visita tr&#225;gica da morte? </p>
<p>&quot;N&#243;s modernos, n&#243;s semib&#225;rbaros. N&#243;s s&#243; atingimos nossa bem-aventura&#231;a quando estamos realmente em perigo. O &#250;nico est&#237;mulo que efetivamente nos comove &#233; o infinito, o incomensur&#225;vel.&quot; &#8211; Nietzsche</p>
<p><em><font face="Verdana" size="1">*deusa da beleza para os gregos; conhecida tamb&#233;m como V&#234;nus entre os romanos       <br />** Canto para minha morte &#8211; Raul Seixas        <br />Imagem: &quot;O dia da morte&quot;, pintura de William Adolphe (1825-1905)</font></em></p>
Leia também:<ul><li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/09/04/carta-a-um-morto/" rel="bookmark" title="4 de setembro de 2007">Carta a um morto</a></li>

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<li><a href="http://www.logdemsn.com/2007/10/06/brainstorming/" rel="bookmark" title="6 de outubro de 2007">Brainstorming</a></li>

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<li><a href="http://www.logdemsn.com/2008/03/19/questoes-existenciais-pequeno-dialogo/" rel="bookmark" title="19 de março de 2008">Questões existenciais: pequeno diálogo</a></li>
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