Homem e mulher, diferenças ou invenções humanas?

Written by adv on 20 de abril de 2008 – 23:51 -

Prólogo:

Suponhamos a existência de dois homens e duas mulheres que logo ao nascer foram abandonados pelos seus pais em meio à selva fechada. Suponhamos ainda que, nativos da floresta colocaram-nas em algum local longe de predadores e os alimentaram durante 4 anos. Mas nesse tempo nenhum contato a mais era feito além do suficiente para alimentação, nenhum vocábulo era emitido e nenhuma demonstração de afeto era feita. Os nativos alimentavam as crianças pela manhã e pela tarde, ao terminar deixavam-as sozinhas em local seguro. Depois de 4 anos os nativos deixaram de alimentar as crianças, elas estavam agora mais sozinhas do que antes e jamais encontraram os nativos que as alimentaram. Além dos nativos inicialmente, esses 4 seres jamais tiveram nenhum contato com o mundo humano. Logicamente que eles sentiam fome e sede, e saciavam com os próprios recursos da selva, frutos, raízes e pequenos animais além da água do rio. Após algum tempo, certamente, que eles irão ter mais uma necessidade: a cópula. – Serão eles capazes de distinguir homens de mulheres? Irão fazer diferenciações dos seus órgãos sexuais entre eles? Eles irão manter relações apenas com parceiros do sexo oposto? Os “homens” se sentirão menos “machos” ao manter relações com o outro do mesmo sexo?

william-bouguereauEssa postagem é mais um complemento do artigo “Considerações históricas acerca da homossexualidade”. Antes de prosseguir com aquela discussão faz-se necessário uma outra discussão: sexo e gênero.

Freud nos aponta que ao nascer somos todos bissexuais. Podemos ser do sexo masculino ou feminino de acordo com nosso órgão sexual e as diferenças hormonais, mas no que diz respeito ao gênero homem ou mulher, somos indiferentes. No entanto, ao ser lançado nesse mundo a cultura escolhe por nós, nos impõe o que devemos ser e qual o papel sexual a ser desempenhado. O patriarcalismo separou o mundo em dois pólos, o mundo do homem e o mundo da mulher.

Se colocarmos dois bebês de sexos diferentes lado a lado, ambos com o órgão sexual ocultado e o restante do corpo nu, e perguntarmos a alguém quem é do sexo masculino e feminino a chance de acerto será de 50%. Não há nada que os diferencie enquanto homem e mulher. Mas os pais se empenharão intensamente em fazer a diferenção de acordo com o sexo, usando os adornamentos e roupas possíveis para caracterizá-los. – Além de definir o gênero, a sociedade também impõe a orientação sexual do sujeito ao nascer; para sexo masculino o gênero homem e a orientação heterossexual, para sexo feminino o gênero mulher e a orientação também heterossexual.

A partir daí homens e mulheres percorrerão caminhos diferentes no que diz respeito à constituição física e psíquica, construção de valores, crenças, hábitos, comportamentos, preferências, imagem corporal, etc.

Meninos são estimulados à atividades físicas bem mais que as mulheres; em geral são incitados a mexerem no seu órgão sexual desde pequenos; a gostarem de coisas tidas como “masculinas”, etc. Meninas são estimuladas a serem passivas, boas irmãs, companheiras e ajudantes do lar; a se empenharem mais nas tarefas escolares; a evitar o contato com seu órgão sexual, etc. – Em geral, meninos pegam em seu pênis e o balançam para a felicidade de seus pais, meninas ao ameaçar colocar a mão na vagina são repreendidas na justificativa de que aquele local é “sujo”.

Homens e mulheres são condicionados a mundos diferentes um do outro, quase sempre, antagônicos. A cultura é responsável por uma forma extremamente violenta e invasiva no que diz respeito à educação sexual. Suas formas de conseguir tanto êxito a ponto de fazer as pessoas acreditarem que existem diferenças entre homens e mulheres que sobrepujam àquelas dos elementos biológicos, se mostram explicitamente e, sobretudo, em suas formas veladas, inconscientes e implícitas.

Na infância, meninos que mantém qualquer contato com meninas são repreendidos, considerados de masculinidade duvidosa. O mesmo acontece com as meninas, que são consideradas “vagabundas” ou coisa parecida. Passada a infância a situação se inverte. Homens necessariamente devem procurar por mulheres e elas devem aguardar, pois, se forem atrás podem novamente serem consideradas “vagabundas”.

Dizem que mulheres são mais passivas que homens, que choram mais, que são mais meigas, que não são agressivas, etc. uma série de bobagens que são ditas desconsiderando todos os condicionantes culturais e sociais que são diferentes para homens e mulheres.

Homens e mulheres podem ter os mesmos potenciais e os mais variados comportamentos. Não há comportamentos, sentimentos, profissões, preferências e valores que são para homens e outros para mulheres. Nossa cultura e, sobretudo, a supremacia masculina ilegítima advinda do patriarcado, prejudica todas as relações humanas, trazendo danos incalculáveis para homens e mulheres.

É legítimo sermos masculinos e femininos. Homem e mulher são invenções humanas, não se trata apenas de diferenciações de acordo com o órgão sexual. Nascer com pênis ou vagina não determina o gênero homem e mulher. Não há o que é de homem e o que é de mulher, todas as coisas de gênero que nos determinam são dadas pela cultura e pelo nosso meio social. Antes de tudo somos todos humanos, com potenciais iguais.

Certamente, muitos deverão achar um absurdo a idéia de que homem e mulher é uma invenção cultural. O estrago que foi feito durante milênios, com padrões de comportamentos deterministas que são postos para homens e mulheres não se reverte em cem anos. Todos nós vamos absorvendo essa cultura separatista, de tal forma que mesmo na vida adulta continuamos reproduzindo o que nos foi ensinado.

A educação de homens e mulheres são tão diferentes e deterministas que torna difícil identificar o que desejamos por nós mesmos ou o que desejamos porque nos ensinaram a desejar. Embora todos nós sejamos cúmplices em maior ou menor grau dessa “educação” que impõe uma série de “normalidades” de acordo com o sexo que nascemos, podemos mudar nossa realidade e para isso se faz fundamental um conhecimento crítico acerca da sexualidade. Felizmente, muitas coisas têm contribuindo para superar o patriarcalismo e os determinismo autoritários de muitas religiões, mas ainda, muita coisa precisa ser superada.

Dentro desse contexto, não estou dizendo que homens e mulheres que foram educados sexualmente a considerarem enquanto legítimas apenas as relações heterossexuais devem mudar. Mas o que deve ficar claro é que não podemos aceitar os padrões de normalidade que nos impõem, colocando todos aqueles que não se encaixam em categorias de anormalidade.

*Imagem: Temptation (1880) – William Bouguereau – Fonte: Wikipédia


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Aumento de pênis – cirurgia ou terapia?

Written by adv on 5 de abril de 2008 – 22:15 -

AnknDesde que a Deusa-Mãe do período Neolítico foi destituída das explicações relacionadas à fertilidade, entra em cena a supremacia masculina e um culto ao falo sem precedentes – o falo é a simbologia do poder masculino representado através do seu órgão genital.

O homem se vê enquanto o único responsável pela fertilização da terra e da mulher, seu sêmen era o segredo de toda criação e produção da vida. O culto ao falo atravessou o Ocidente e o Oriente, marcando profundamente a história da humanidade, que remonta até aos dias de hoje.

Em templos, monumentos, estátuas, túmulos, etc., encontramos muitos símbolos representativos do falo, embora com suas formas, em geral, distorcidas e diferentes do pênis, todos carregam em si a idéia da supremacia masculina.

O Ankn é um dos símbolos mais antigos da fertilidade masculina, pode ser encontrado nos túmulos egípcios, em geral, nas mãos dos faraós. Deuses eram registrados com falos enormes e rígidos, Príapo, deus grego, era possuidor de um rígido membro que atraia a cobiça de todas as mulheres.

Todo esse processo histórico chega aos dias de hoje e atormenta homens descontentes com o tamanho do pênis. De nada adianta a ciência dar as medidas consideradas “normais”, os pensamentos dos homens são carregados de misticismo, crenças e mitos quanto ao tamanho do seu órgão reprodutor.

Não há talvez, um homem que em algum momento da vida não tenha se preocupado com o tamanho do seu pênis. Adultos e adolescentes possuem inúmeras relações e associações que sugerem o tamanho.

A idéia de que pés ou nariz grande são indícios de pênis avantajado; a medida do dedo indicador formando um ângulo quase que reto com o polegar como sendo a medida do pênis; as crenças de que asiáticos e africanos possuem pênis pequenos e grandes respectivamente, etc., são algumas das crenças que costumamos ouvir.

Certamente que africanos podem ter pênis maiores que asiáticos, mas isso não é uma relação causal que sempre ocorrerá. O ser humano é complexo e os determinantes biológicos não são os mesmos para todos indivíduos.

Mas muito pior que as crenças são os significados que os homens atribuem ao pênis. Homens costumam associar o tamanho do pênis à masculinidade, acreditam que quanto maior mais desejados e “machões” serão.

Embora os estudos da sexualidade têm nos mostrado que o prazer experimentado durante o ato sexual, tanto para homens e mulheres, são experiências únicas e dependem de uma série de fatores de ambos os parceiros, homens costumam acreditar que o prazer, dele e da(o) parceira(o), dependem apenas do tamanho do seu órgão genital, quanto maior, melhor.

Já na mulher, a situação se inverte. Quanto menor e mais apertado for a vagina, melhor. Um pênis grande e uma vagina de proporções menores representam o ápice da supremacia patriarcal, carregando consigo toda uma atmosfera de defloramento.

Todo esse conjunto de elementos históricos e culturais elegendo o falo como símbolo de potencial masculino, tem contribuído para a repressão sexual e a segregação entre homens e mulheres.

O órgão genital masculino, por incrível que pareça, é como se fosse uma “entidade” diferente do restante do corpo do homem. Como se fosse um ser à parte na qual os homens podem chegar a desenvolver uma relação extremamente patológica, associando sua competência com o tamanho do órgão genital. Seu pênis pode ser culpabilizado pelos seus fracassos e insatisfações.

A obsessão pelo tamanho do pênis pelos homens pode ser comparada à obsessão das mulheres pelo tamanho dos seios e dos quadris. Embora ambos sejam vítimas de um processo histórico de controle sexual que separou o mundo em dois pólos, masculino e feminino, com obrigações que mudaram ao longo dos séculos, estão todos em busca de se encaixarem num padrão ideológico de beleza que diz que para ser desejado e feliz é necessário ter tamanhos e medidas corporais avantajadas, podendo chegar, na maioria das vezes, a proporções antinaturais.

Os homens foram acostumados a creditar no falo a sua potencialidade. Em alguns casos, os homens estão mais preocupados em mostrarem que possuem um pênis avantajado, mesmo que ele não seja tão eficiente, do que considerarem a totalidade funcional do corpo. Para eles o pênis grande significa virilidade, status, privilégios e objeto de desejo, o que chega a ser preferível do que um pênis comum que no anonimato de quatro paredes consegue uma repentina satisfação.

Infelizmente as cirurgias para aumento de pênis – com exceção os raríssimos casos que realmente necessitam da cirurgia – tem crescido nas clínicas especializadas em cirurgia plástica urológicas.

Da mesma forma que presenciamos um “boom” para aumento de seios e quadris, ficamos na iminência de ver surgir homens que estarão dispostos a encarar bisturis e tesouras em busca de alguns centímetros a mais no pênis, centímetros que significam uma imensidão de desejos.

Estes homens precisam de cirurgia ou terapia?

*Imagem: Ankh, fonte Wikipédia


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A Bíblia sobre adultério e virgindade

Written by adv on 30 de março de 2008 – 17:41 -

Eu propus a queima da Bíblia Sagrada, vejo como um primeiro passo caso as religiões queiram se tornar um pouco mais honestas – se isso for possível. Nessa hipótese, Deus, não necessariamente, seria exterminado. Apenas reinventado pelo homem.

Religiosos sob a fé cristã afirmam que é necessário interpretar a Bíblia para entendê-la. Essa interpretação religiosa é uma forma de dar um significado que mais agrada às suas pretensões.

Mas se a Bíblia contém o sagrado e a verdade absoluta, ela não deve sofrer modificações interpretativas. Deus não se arrepende de suas ações, o homem o criou com poderes absolutos.

Levamos em conta que o significado das palavras não são imutáveis e variam de acordo com as mudanças sócio-culturais, mas os religiosos tentam a tarefa impossível de retratar um quadro paradisíaco à partir de um quadro do terror.

A Bíblia sobre virgindade e adultério:

Deuteronômio, cap. 22, versos 13 a 24

13 Quando um homem tomar mulher e, depois de coabitar com ela, a desprezar, /14 E lhe imputar coisas escandalosas, e contra ela divulgar má fama, dizendo: Tomei esta mulher, e me cheguei a ela, porém não a achei virgem; /15 Então o pai da moça e sua mãe tomarão os sinais da virgindade da moça, e levá-los-ão aos anciãos da cidade, à porta; /16 E o pai da moça dirá aos anciãos: Eu dei minha filha por mulher a este homem, porém ele a despreza; /17 E eis que lhe imputou coisas escandalosas, dizendo: Não achei virgem a tua filha; porém eis aqui os sinais da virgindade de minha filha. E estenderão a roupa diante dos anciãos da cidade. /18 Então os anciãos da mesma cidade tomarão aquele homem, e o castigarão. /19 E o multarão em cem siclos de prata, e os darão ao pai da moça; porquanto divulgou má fama sobre uma virgem de Israel. E lhe será por mulher, em todos os seus dias não a poderá despedir.

Aqui verifica-se que o homem que faltar com a verdade sobre a virgindade de uma mulher, apenas paga uma quantia de “100 siclos de prata” ao pai da moça, isto é, dentro do monoteísmo, o dono da mulher.

20 Porém se isto for verdadeiro, isto é, que a virgindade não se achou na moça, /21 Então levarão a moça à porta da casa de seu pai, e os homens da sua cidade a apedrejarão, até que morra; pois fez loucura em Israel, prostituindo-se na casa de seu pai; assim tirarás o mal do meio de ti.

Mas se o homem estiver correto e a moça não for virgem, ela deve ser apedrejada até a morte. Em várias situações o homem “incorreto” nada mais sofre do que pequenos castigos, já a mulher raramente não paga com a própria vida. O que faz alguém apedrejar uma moça até a morte por ela não ser virgem, um ato de amor ou brutalidade?

22 Quando um homem for achado deitado com mulher que tenha marido, então ambos morrerão, o homem que se deitou com a mulher, e a mulher; assim tirarás o mal de Israel. /23 Quando houver moça virgem, desposada, e um homem a achar na cidade, e se deitar com ela, /24 Então trareis ambos à porta daquela cidade, e os apedrejareis, até que morram; a moça, porquanto não gritou na cidade, e o homem, porquanto humilhou a mulher do seu próximo; assim tirarás o mal do meio de ti.

Verifica aqui que o adultério não tem perdão, paga-se com a morte; atualmente, se isso fosse tomado como lei, teríamos centenas de mortes em praça pública.

25 E se algum homem no campo achar uma moça desposada, e o homem a forçar, e se deitar com ela, então morrerá só o homem que se deitou com ela; /26 Porém à moça não farás nada. A moça não tem culpa de morte; porque, como o homem que se levanta contra o seu próximo, e lhe tira a vida, assim é este caso. /27 Pois a achou no campo; a moça desposada gritou, e não houve quem a livrasse.

Se a moça não for virgem mas for forçada pelo homem a ter relações sexuais, então só o homem morre.

28 Quando um homem achar uma moça virgem, que não for desposada, e pegar nela, e se deitar com ela, e forem apanhados, /29 Então o homem que se deitou com ela dará ao pai da moça cinqüenta siclos de prata; e porquanto a humilhou, lhe será por mulher; não a poderá despedir em todos os seus dias. /30 Nenhum homem tomará a mulher de seu pai, nem descobrirá a nudez de seu pai.

Caso apenas se deitem juntos, sem ter relações, então o homem paga “50 siclos de prata” por ter visto a nudez da mulher que pertence ao pai (nudez de seu pai); e a mulher não terá honra para despedir-se de seu pai pelo resto da vida.


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Considerações históricas acerca da homossexualidade

Written by adv on 28 de março de 2008 – 10:21 -

gomorra

Introdução

A homossexualidade é um assunto polêmico em várias culturas. Para buscar os motivos das discórdias e tentar clarificar um pouco o assunto, do ponto de vista Ocidental, inevitavelmente, faz-se necessário buscar um sentido histórico, levar em conta o patriarcado (assunto já comentado) e a religião judaíco-cristã.

Se estamos com sede bebemos água, se sentimos fome procuramos por comida, se sentimos frio procuramos abrigo. Dizemos sem problema algum que estamos com sede, fome, frio e outras necessidades biológicas. Mas por que não dizemos naturalmente que estamos precisando copular ou transar?

A sexualidade humana caminha lado a lado com a história da humanidade, um paradoxo que ao mesmo tempo em que é uma necessidade biológica – hoje muito mais social -, carrega um fardo milenar de mitos, crenças, diferenças e altas doses de censura e mistérios criados pelo próprio homem.

O patriarcado em conjunto com a religião judaico-cristão, um complementando o outro, colocaram inúmeras barreiras entre homens e mulheres, condenando a sexualidade à atividade diabólica. As marcas deixadas são profundas e permeiam até os dias de hoje, o que é custoso tanto para homens como mulheres.

Deus selou o destino da mulher, “Multiplicarei sobremodo o sofrimento da tua gravidez. Em meio a dores darás à luz filhos, o teu desejo será para o teu marido e ele te governará.” (Gênesis 3:16). E o homem a sua superioridade à da mulher.

Homossexualidade na Grécia?

Na Grécia Antiga mulheres eram meramente objetos para criação de exércitos de guerra. A moral valorizava o homem que mantinha relações sexuais, necessariamente, com moças ou rapazes. Homens adultos que mantinham relações com outros adultos, homens ou mulheres, estavam colocando em risco a sua masculinidade.

Diferentemente do que costumam dizer, é errado dizer que na Grécia Antiga era permitido ter relações homossexuais, os gregos desconheciam o que é homossexualidade e heterossexualidade. Assim, dizemos que para os padrões sexuais da época, homens que tinham relações sexuais com rapazes representavam bem sua masculinidade. Mais másculo esse tipo de relação do que o homem com a mulher, já que a mulher era meramente um objeto subordinado ao homem.

O prazer não era condenado na Grécia Antiga, pelo contrário, os gregos cultuavam o prazer das festas e das orgias.

Homossexualidade na Idade Média

Na Idade Média onde o Cristianismo ja exercia grande influência no Ocidente, haveria uma nova ruptura na sexualidade onde o prazer e o erotismo deveria ser excluído em absoluto. Deus fez o homem para a mulher e a mulher para o homem, ou quase isso, a mulher para a submissão e respeito ao homem. Nesse período o termo “homossexualidade” também era desconhecido.

A sexualidade passou a ser controlada, o sexo era atividade suja e degradante, considerado extremamente repulsivo perante o “sagrado”. O homem não deveria se entregar ao prazer da carne, o sexo estava apenas reservado para procriação e deveria ser isento de erotismo. Já o homossexualismo passou a ser visto como crime passível à pena de morte, assim como o adultério e o incesto.

Era clara a oposição do clero frente ao homossexualismo e à sexualidade. Deus deu a sexualidade ao homem apenas para procriação, qualquer atividade que levasse ao prazer erótico era pecado mortal. Sodoma e Gomorra são bons exemplos do que o Deus judaico-cristão é capaz de fazer para quem ousar desfrutar dos prazeres sexuais.

Por outro lado, o próprio clero era acusado de práticas homossexuais nos mosteiros. Monges e rapazes formaram pares “insaciáveis” às escondidas.

As penas aplicadas pela Igreja para esse tipo de atividade variava de acordo com o “status” social do praticante. Os monges e outros eclesiásticos eram punidos com penas brandas, já os que não tinham nada a oferecer para o clero eram condenados à morte, podiam ser queimados vivos, torturados, castrados e enforcados.

Homossexualidade na Idade Moderna

A Idade Moderna permaneceu sem grandes mudanças. As torturas e crueldades ainda eram reservadas aos que ousavam contrariar a lei natural imposta pelo Deus cristão.

Homossexualidade na Idade Contemporânea

Na Idade Contemporânea algumas mudanças irão ocorrer. A ocorrência do coito ou não iria determinar a gravidade da pena a ser aplicada ao homossexual.

A sodomia era o passaporte para o inferno, sendo os papas os únicos capazes de absolver o condenado. Caso não houvesse coito durante a prática, o sujeito era mais um delinqüente do que um condenado.

Finalmente, só em 1869 a homossexualidade passa a suscitar interesses de estudiosos. Mas é apenas o primeiro passo de um cenário cheio de condenações e exclusões.

Para alguns a homossexualidade era uma perversidade que deveria ser controlada pelo Estado, para outros, é uma doença que deveria ser estudada e tratada. Foi nesse contexto que surgiu o termo “homossexual”, criado pelo médico Benkert para designar aqueles que sentem atração sexual por outro do mesmo sexo.

Substituíram a fogueira, a forca, o apedrejamento e a castração pela exclusão moral. O homossexual passa a ser um doente perverso, representante de tudo que suscita indignação. Era, sobretudo, uma ameaça às boas famílias e ao padrão de homem “machão” de uma sociedade estruturada sobre a égide do patriarcado.

A homossexualidade não tem espaço reservado dentro de um modelo patriarcal. Muito menos dentro da fé judaico-cristã. Os religiosos não mais acenderão fogueiras em nome de Deus para queimar esses “desviantes”, mas alimentarão um repulsivo ódio a esses “pecadores”. Alguns, adotarão uma atitude “politicamente correta” e dirão que só o Criador é capaz de julgar. E o julgamento já foi feito, Deus nunca erra, portanto, ele não voltará atrás, a pena reservada ao homossexual já foi decretada, é a mesma que foi dada a Sodoma e Gomorra.

No século XX o palco reservado ao homossexual é o da segregação social e moral, além da violência praticada por grupos que se declaram, literalmente, “caçadores de homossexuais”. Mas isso será para um próximo post…

[continua…]

* Imagem: “A destruição de Gomorra” de John Martin (1832)


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O que é patriarcalismo e quais suas influências nos dias atuais

Written by adv on 18 de março de 2008 – 21:56 -

priapoO patriarcalismo é um modo de estruturação e organização da vida coletiva baseado no poder de um “pai”, isto é, prevalece as relações masculinas sobre as femininas; e o poder dos homens mais fortes sobre outros.

Didaticamente podemos dizer que a sociedade patriarcal teve início na Grécia Antiga, onde a mulher basicamente era objeto de satisfação masculina e terminou com a Revolução Francesa objetivada na igualdade entre todos.

Mas a realidade nos mostra que o patriarcalismo ainda impera mesmo que inconscientemente nas sociedades. Suas raízes estão fincadas desde a era primitiva quando o homem descobriu que o seu sêmen poderia gerar a vida, sendo a mulher simplesmente um “depositário” para receber e desenvolver o nascimento da criança.

A partir daí uma série de elementos sociais e culturais vão se estruturando e colocando cada vez mais o homem acima da mulher. Nem lembramos que nas eras primitivas homens não sobrepujavam as mulheres, pelo contrário, as mulheres que se constituíam enquanto núcleos de organização.

A ideologia patriarcal não atingi apenas o relacionamento entre homens e mulheres, mas recai sobre toda história da humanidade. A idéia de um líder ou uma figura centralizadora afeta os valores, o desempenho dos papéis e as formas de organização das instituições.

Desde que o homem descobriu que seu pênis libera o sêmen que irá germinar na mulher, o símbolo do poder ficou para o homem, mais precisamente ao seu “falo” (pênis). A cultuação do órgão masculino é universal. A representação sexual do homem imortalizou no deus grego Priapo, ostentando seu avantajado órgão que seduzia todas mulheres.

O custo ao homem de ser representante patriarcal também é custoso. Ainda hoje o “falo” de Priapo assombra muitos homens que estão descontente com seu desempenho e “tamanho”. A idéia ocultada é que quanto mais próximo do tamanho do órgão de Priapo mais homem o sujeito será. Sob o jugo patriarcal, homens não podem falhar jamais.

Um dos pilares de sustentação do patriarcalismo no mundo ocidental fica evidente na religião judaico-cristã. As passagens bíblicas que submete a mulher ao homem são inúmeras. Se inicia com o mito de Adão e Eva no jardim do Éden onde Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, mas a mulher foi feita do homem. Nesse sentido, a mulher não provém do divino. Aqui fica claro qual a função da mulher, ou seja, subjugada pelo homem e pelo marido, aquela que só existiu à partir do homem.

Para piorar a situação da mulher, a expulsão do “paraíso” foi devido a Eva que comeu o fruto proibido e “seduziu” Adão a experimentar; daí em diante o mundo se divide em lado “bom” e “mau”, devendo a mulher carregar o fardo da culpa por ter expulsado toda humanidade do paraíso. Claro que há outras interpretações de Adão e Eva, mas todas elas destinará à desgraça unicamente a Eva que irá selar o destino da mulher na religiosidade cristã: dar à luz de forma dolorosa.

Se não houvesse Jesus Cristo quem poderia estar pregado na cruz poderia muito bem ser o “falo” – o sacrifício do homem pela mulher. No livro de Deuteronômio (23:1) o homem que tiver os testículos feridos ou for desgraçado de ficar sem o pênis, será chutado para fora do manto divino.

Hoje poucos sabem o que é patriarcalismo e quais suas conseqüências. De fato, ele deixou de ser explícito, mas está presente silenciosamente em todas nossas relações.

Todos têm uma diversidade de antagonismos – decorrentes de crenças e mitos – entre homens e mulheres para contar, em sua maioria o homem levando vantagem sobre a mulher. No casamento a mulher coloca o sobrenome do marido em detrimento do seu, torna-se uma posse do homem, mas parece não fazer muito a diferença, poucas pensarão nessa idéia e realizarão com orgulho a mudança do nome.

Embora a configuração social seja diferente, com a representação da família tradicional tornando-se cada vez mais desmantelada, as mulheres passando a dividir a tarefa de suprir a casa e os filhos, além de outras modificações significativas, os “fantasmas” do patriarcalismo ainda ronda as nossas relações.

As conseqüências podemos vislumbrar nas organizações e instituições, nas relações trabalhistas, na desconfiança entre homens e mulheres, no idioma, nas religiões, nas crenças, nos ritos, na sexualidade, etc. – Muitas dessas relações onde prevalece os mandos e os desmandos, ainda são naturalmente aceitas e justificadas.

* Imagem: Priapo, deus da fertilidade na mitologia grega; foto publicada no Wikipédia


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