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O que é patriarcalismo e quais suas influências nos dias atuais
Written by adv on 18 de março de 2008 – 21:56 -
O patriarcalismo é um modo de estruturação e organização da vida coletiva baseado no poder de um “pai”, isto é, prevalece as relações masculinas sobre as femininas; e o poder dos homens mais fortes sobre outros.
Didaticamente podemos dizer que a sociedade patriarcal teve início na Grécia Antiga, onde a mulher basicamente era objeto de satisfação masculina e terminou com a Revolução Francesa objetivada na igualdade entre todos.
Mas a realidade nos mostra que o patriarcalismo ainda impera mesmo que inconscientemente nas sociedades. Suas raízes estão fincadas desde a era primitiva quando o homem descobriu que o seu sêmen poderia gerar a vida, sendo a mulher simplesmente um “depositário” para receber e desenvolver o nascimento da criança.
A partir daí uma série de elementos sociais e culturais vão se estruturando e colocando cada vez mais o homem acima da mulher. Nem lembramos que nas eras primitivas homens não sobrepujavam as mulheres, pelo contrário, as mulheres que se constituíam enquanto núcleos de organização.
A ideologia patriarcal não atingi apenas o relacionamento entre homens e mulheres, mas recai sobre toda história da humanidade. A idéia de um líder ou uma figura centralizadora afeta os valores, o desempenho dos papéis e as formas de organização das instituições.
Desde que o homem descobriu que seu pênis libera o sêmen que irá germinar na mulher, o símbolo do poder ficou para o homem, mais precisamente ao seu “falo” (pênis). A cultuação do órgão masculino é universal. A representação sexual do homem imortalizou no deus grego Priapo, ostentando seu avantajado órgão que seduzia todas mulheres.
O custo ao homem de ser representante patriarcal também é custoso. Ainda hoje o “falo” de Priapo assombra muitos homens que estão descontente com seu desempenho e “tamanho”. A idéia ocultada é que quanto mais próximo do tamanho do órgão de Priapo mais homem o sujeito será. Sob o jugo patriarcal, homens não podem falhar jamais.
Um dos pilares de sustentação do patriarcalismo no mundo ocidental fica evidente na religião judaico-cristã. As passagens bíblicas que submete a mulher ao homem são inúmeras. Se inicia com o mito de Adão e Eva no jardim do Éden onde Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, mas a mulher foi feita do homem. Nesse sentido, a mulher não provém do divino. Aqui fica claro qual a função da mulher, ou seja, subjugada pelo homem e pelo marido, aquela que só existiu à partir do homem.
Para piorar a situação da mulher, a expulsão do “paraíso” foi devido a Eva que comeu o fruto proibido e “seduziu” Adão a experimentar; daí em diante o mundo se divide em lado “bom” e “mau”, devendo a mulher carregar o fardo da culpa por ter expulsado toda humanidade do paraíso. Claro que há outras interpretações de Adão e Eva, mas todas elas destinará à desgraça unicamente a Eva que irá selar o destino da mulher na religiosidade cristã: dar à luz de forma dolorosa.
Se não houvesse Jesus Cristo quem poderia estar pregado na cruz poderia muito bem ser o “falo” - o sacrifício do homem pela mulher. No livro de Deuteronômio (23:1) o homem que tiver os testículos feridos ou for desgraçado de ficar sem o pênis, será chutado para fora do manto divino.
Hoje poucos sabem o que é patriarcalismo e quais suas conseqüências. De fato, ele deixou de ser explícito, mas está presente silenciosamente em todas nossas relações.
Todos têm uma diversidade de antagonismos - decorrentes de crenças e mitos - entre homens e mulheres para contar, em sua maioria o homem levando vantagem sobre a mulher. No casamento a mulher coloca o sobrenome do marido em detrimento do seu, torna-se uma posse do homem, mas parece não fazer muito a diferença, poucas pensarão nessa idéia e realizarão com orgulho a mudança do nome.
Embora a configuração social seja diferente, com a representação da família tradicional tornando-se cada vez mais desmantelada, as mulheres passando a dividir a tarefa de suprir a casa e os filhos, além de outras modificações significativas, os “fantasmas” do patriarcalismo ainda ronda as nossas relações.
As conseqüências podemos vislumbrar nas organizações e instituições, nas relações trabalhistas, na desconfiança entre homens e mulheres, no idioma, nas religiões, nas crenças, nos ritos, na sexualidade, etc. - Muitas dessas relações onde prevalece os mandos e os desmandos, ainda são naturalmente aceitas e justificadas.
* Imagem: Priapo, deus da fertilidade na mitologia grega; foto publicada no Wikipédia
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