Redação da Fuvest 2007

adv on 8 de janeiro de 2007 – 13:52 -


Em primeiro lugar (…), pode-se realmente “viver a vida sem conhecer a felicidade de encontrar num amigo os mesmos sentimentos? Que haverá de mais doce que poder falar a alguém como falarias a ti mesmo? De que nos valeria a felicidade se não tivéssemos quem com ela se alegrasse tanto quanto nós próprios? Bem difícil te seria suportar adversidades sem um companheiro que as sofresse más ainda.

(…)

Os que suprimem a amizade da vida parecem-me privar o mundo do sol: os deuses imortais nada nos deram de melhor, nem de mais agradável.

Cícero, Da amizade

Aprecio no mais alto grau a resposta daquele jovem soldado, a quem Ciro perguntava quanto queria pelo cavalo com o qual acabara de ganhar uma corrida, e se o trocaria por um reino: “Seguramente não, senhor, e no entanto eu o daria de bom grado se com isso obtivesse a amizade de um homem que eu considerasse digno de ser meu amigo”. E estava certo ao dizer se, pois se encontramos facilmente homens aptos a travar conosco relações superficiais, o mesmo não acontece quando procuramos uma intimidade sem reserva. Nesse caso, é preciso que tudo — límpido e ofereça completa segurança.

Montaigne, “Da amizade” (adaptado)

Amigo é coisa pra se guardar,
Debaixo de sete chaves,
Dentro do coração
Assim falava a canção
Que na América ouvi…
Mas quem cantava chorou,
Ao ver seu amigo partir…
Mas quem ficou,
No pensamento voou,
Com seu canto que o outro lembrou.

Fernando Brant / Milton Nascimento,
“Canção da América”

…)
Eu sei que a poesia está para prosa
Assim como o amor está para a amizade.
E quem há de negar que esta lhe é superior?
(…)

Caetano Veloso, “Língua”.

INSTRUÇÃO: A amizade tem sido abjeto de reflexões e elogios de pensadores e artistas de todas as épocas. Os trechos sobre esse tema, aqui reproduzidos, pertencem a um pensador da Antiguidade Clássica (Cícero), a um pensador do século XVI (Montaigne) e a compositores da música popular brasileira contemporânea. Você considera adequadas as idéias neles expressas? Elas são atuais, isto é, você julga que das têm validade no mundo de hoje? O que sua própria experiência lhe diz sobre esse assunto? Tendo em conta tais questões, além de outras que você julgue pertinentes, redija uma DISSERTAÇÃO EM PROSA, argumentando de modo a expor seu ponto de vista sobre o assunto.

______________________________________________________

Pois bem, este foi o tema da redação da Fuvest 2007, “Amizade”. Esse vínculo entre pessoas a qual ninguém valoriza, mas ninguém vive sem, esse sentimento que há diversas maneiras de se definir e diferentes valores a se atribuir. Há quem diga que amizade não existe, os que atribuem ser um pacto que envolve valores que não podem ser quebrados… - Não me arrisco a definir este termo que me assombra, a única certeza é que amizade existe, e para delírio de quem afirme que amizade não há, ela é ontológica e você não vive sem e jamais viverá sozinho, se partindo dos pressupostos evolutivos sobre aproximação e distância entre os homens.

Sou antiquado demais para falar do tema, no meu berço amizade era um pacto para ser eternizado, regados com honra e lealdade. Sou um louco que forja o cotidiano em busca de um novo homem.

Ficaria pasmo ao deparar com tal tema de redação, ficaria enlouquecido pelo gritar silencioso do meu cérebro acerca do assunto, preferiria escrever sobre a origem do Universo a ater no tema Amizade, ou quem sabe sobre as capacidades reprodutivas de um morcego com ejaculação precoce… Com mil diabos, pobres vestibulandos. Seguramente muitos teriam a mesma sensação que eu, mas a “linda” diversidade de mentes traria os que se alegrariam em escrever tal tema, os “bonequinhos da mamãe” diriam que “a amizade é algo lindo de se ver entre duas pessoas”, ou quem sabe os rebeldes sem causa que indagariam que “a amizade não existe”, ou os puramente inseguros iriam dizer que “a amizade é algo que sei lá, entende, não sei”.

Afinal, o que a banca examinadora vai avaliar sobre tal tema, seriam capazes de fazer uma correção sem julgamento de valores? – A resposta é não, claro. - Pelos trechos expostos pela Fuvest, principalmente os de Cícero, é sabido que o tema foi enfocado filosoficamente, portanto, nada de utilizar de experiências próprias, ao contrário do que se diz na instrução. Partindo dessa lógica questiono como expor o tema filosoficamente, partiria da filosofia ocidental arriscando alguns escárnios de Nit ou apelaria mais ainda com Schopenhauer? – “os amigos se dizem ser sinceros; os inimigos o são” - Ou quem sabe os orientais, com as belas definições de amizades que podem ser encontradas em biscoitinhos da sorte. Quaisquer das alternativas será como navegar em pântanos.

Pela proposta, que abrange amizade por Cícero, envolvendo valores éticos, morais e sentimentais, uma boa alternativa seria utilizar a filosofia racionalista de Sócrates, afinal, trata-se de ponderação, misturar conceitos de ética, moral e razão, vestir-se de grego, encarnar Sócrates e sair bravejando que “sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância.”

Lembro-me do tema da Unesp no ano em que uma vaga era minha, “estrangeirismos na Língua Portuguesa”, quer tema mais idiota e fácil para falar sem correr o risco de ser julgado pelos valores da banca? - Me centrei em satirizar os descebrados que cantam em inglês e utilizam atos de patriotismo, como usar roupas com as cores do Brasil, tremular a própria bandeira (pobre Caetano Meloso), abusei de estrangeirismos metaforizados começando pelo título: “Brazil?”… Imagine uma banca de doutores em língua portuguesa propondo tal tema, bingo, estrangeirismo é réu julgado e condenado. Nota 45 de 50.

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Viciante

doc on 7 de janeiro de 2007 – 18:20 -

Que mané The Professionals o que. Isso que é jogo de inteligência:


Reparem na tetinha da vaca quando você passa de fase. (Tomara que seja vaca…)

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The Professionals

adv on 7 de janeiro de 2007 – 9:02 -

Adeus produtividade! - Muito viciante, você é um sniper e tem que acertar os alvos. Melhor só se os alvos fossem políticos.
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Snoop e sua gangue

adv on 6 de janeiro de 2007 – 17:23 -

Depois dessa minha vida nunca mais será a mesma…
o Snoop é um gângster!
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(…) de todas as tristes palavras da língua ou ca…

adv on 4 de janeiro de 2007 – 11:20 -

(…) de todas as tristes palavras da língua ou caneta,
As mais tristes são estas: “Poderia ter sido”. - Whittier

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